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Censo de 1940

Vale - Viaduto de acesso ao Cais de Atalaia, meados dos anos 1930

Censo de 1940 (59)

O Recenseamento Geral de 1940 acusou, no Espírito Santo, uma população de 750.107 almas,(60) não incluídas neste número as 66.994 da região da serra dos Aimorés.(61)

A principal riqueza do Estado residia na agricultura, (V) sendo de notar que as indústrias extrativas – quer as minerais, (VI) quer as vegetais – figuravam modestamente nos quadros de produção.

A pecuária atendia quase que exclusivamente às necessidades internas do Estado e, à data do Recenseamento, sua situação era a seguinte, em relação ao Brasil:

GADO          NÚMERO DE CABEÇAS

                         do Estado(62)                              do Brasil

Bovinos            287 557                               34 392 419

Eqüinos            49 233                                 4 677 094

Asininos e muares  35 859                            2 129 395

Suínos              421 458                               16 839 192

Ovinos              9 450                                   9 285 118

Caprinos           27 395                                  6 520 353

Aves                2 489 904                              62 659 892

 

No que se refere à indústria propriamente dita, existiam, em 1941, (63) 537 estabelecimentos fabris. O valor de sua produção ascendeu a Cr$ 180.499.000,00. (VII)

Relativamente à indústria canavieira, a situação, em 1940, era a seguinte:

Número de fábricas total 337, das quais, usinas com turbinas 2, engenhos com turbinas 4, sem turbinas: de açúcar 183, de rapadura 148.

Valor da produção – Cr$ 5.125 000,00.

Aguardente

Número de fábricas Total 198, das quais, engenhos exclusivamente de aguardente 175.

Produção anual – 3.263,000 litros, no valor de CR$ 4.144.000,00.

A indústria da eletricidade, em 1941,(64) produzia 9.062 KW, que se distribuíam por noventa e duas localidades.

A trinta e um de dezembro de 1940, havia, no Estado, 731 km de rede ferroviária em tráfego.

Em 1946,(65) existia um aeroporto no Estado. Seis os campos de pouso.

O cais de Vitória (VIII) – ainda em construção – oferecia, em 1943, uma faixa acostável de 802 metros.

Em 1942,(66) existiam, nos vinte municípios dotados de serviço telefônico, 1.354 aparelhos.

Os prédios recenseados subiam a 163.859,(67) dos quais 7.958 na Capital.

Dos doze sindicatos existentes em 1942,(68) nove eram de empregados, dois de empregadores e um de profissões liberais.

Quanto à assistência médico-sanitária, em 1940, havia quarenta e três estabelecimentos que a prestavam, dos quais dezesseis pertencentes à classe das casas de saúde e hospitais. Os leitos subiam a 1.315. No mesmo ano, as despesas públicas com a assistência médico-sanitária, no Estado, foram de Cr$ 3.020.268,00, assim distribuídas:

União Cr$ 406.000,00

Estado Cr$ 2.256.555,00

Municípios Cr$ 357.713,00

Novecentos e vinte e cinco estabelecimentos de ensino primário, distribuídos pelo território estadual, atendiam a 68.663 matriculados. O ensino secundário contava com quinze estabelecimentos, dos quais cinco sediados na Capital. (IX)

A imprensa periódica, em 1944,(69) contava quinze órgãos, assim classificados: doze jornais, duas revistas e um boletim. Seis tinham suas sedes na Capital; os nove outros, no interior. (X)

As bibliotecas – no mesmo ano de 1944(70) – em número de dezesseis, das quais sete particulares, dez no município da Capital e cinco especializadas, contavam 21.225 volumes.

São, ainda, de 1944,(71) os dados relativos às diversões públicas: o Estado contava quatro cine-teatros e dez cinemas. (XI)

Relativamente às finanças estaduais e municipais, o quadro seguinte resume sua situação:

FINANÇAS PÚBLICAS ESTADUAIS E MUNICIPAIS –1940

Cr$ 1.000

ESPECIFICAÇÃO

Estaduais

Receita arrecadada 33 456

Despesa Realizada 41 157

Déficit 7 701

 

Municipais

Receita arrecadada 9 924

Despesa Realizada 11 101

Déficit 1 177

 

NOTAS


(59) - Todas essas informações foram obtidas no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, ou no Anuário Estatístico do Brasil (VI volume – 1946), editado por aquela instituição. Sempre que ocorrerem outras fontes, estas serão indicadas em foot-notes.

(60) - “A população de fato (constituída pelos presentes, moradores ou não), conforme a apuração definitiva (do Recenseamento Geral de 1940), ascende a 750.107 habitantes:

a população de direito (constituída pelos moradores, presentes ou não) a 750.525”. – “A densidade média da população de fato, no Estado, é de 17,51 habitantes por quilômetro quadrado, ou seja, três vezes e meia superior à média da União, que é apenas, de 4,85”.

– “O aumento da população verificado no intervalo entre o censo de 1890 e o de 1940 foi de 614.110, ou seja, de 451,56%, excedendo as correspondentes proporções de todos os demais Estados” (Comentários de GIORGIO MORTARA, consultor técnico do Serviço Nacional de Recenseamento, in Boletim mimeografado n.º 189-A, do IBGE, intitulado

População de fato e de direito do Estado do Espírito Santo.

– Informa o Serviço Nacional de Recenseamento que a população do Estado, em primeiro de julho de 1950, era de 1.033.049 habitantes, incluídos 162.062 habitantes da região da serra dos Aimorés, território, àquela época, em litígio entre os Estados do Espírito Santo e Minas Gerais.

(61) - Segundo dados divulgados pelo IBGE (Anuário Estatístico do Brasil, VII, 5), a superfície da região da serra dos Aimorés – disputada pelos Estados do Espírito Santo e Minas Gerais – é de 10.137 km². Aquela mesma publicação atribui ao Estado do Espírito Santo 40.882 km² de superfície.

(62) - Não compreendia a população da região da serra dos Aimorés, que, à data do Recenseamento, era a seguinte: bovinos, 5.176; eqüinos, 852; asininos e muares, 707; suínos, 11.273; ovinos, 159; caprinos, 433; aves, 33.130.

(63) - Não tendo sido possível conseguir os dados do Recenseamento Geral, são apresentados, nesse caso, os de 1941, ou seja, do ano imediato ao daquela operação.

(64) - Ver foot-note n.º 63.

(65) - Não tendo sido possível conseguir os dados do Recenseamento Geral, são apresentados os de 1946.

(66) - Não tendo sido possível conseguir os dados do Recenseamento Geral, são apresentados, nesse caso, os de 1942.

(67) - Incluídos 13.307 situados na região da serra dos Aimorés.

(68) - Ver foot-note n.º 66.

(69) - Por falta de dados do Recenseamento Geral, são apresentados os de 1944.

(70) - Ver foot-note n.º 69.

(71) - Ver foot-note n.º 69.

Nota V - Ver imagem abaixo do texto.

Nota VI –

Nos Fundamentos Geográficos da Mineração Brasileira, referindo-se ao Espírito Santo, no capítulo intitulado Distribuição Geográfica das Minas em Atividade, o Prof. FRÓIS ABREU afirmou: “Areias monazíticas – São exploradas nos Municípios de Guarapari, Anchieta, Iconha e Itapemirim, nos depósitos de marinha e proximidades. É feita uma concentração prévia por meio de água e em seguida em eletroímãs é separada a monazítica de ilmenita, zirconita e granada.

– Bauxita – No Município de Muqui ocorrem depósitos de bauxita relacionados com a formação granito-gnáissica da Mantiqueira. Têm sido lavrados em pequena escala pela Companhia Espírito-Santense de Alumínio e o minério tem sido embarcado para o Rio de Janeiro. A bauxita dessa procedência tem um teor um tanto elevado de sílica, porém alcança uma riqueza de alumina de 58 a 59%. Devido à posição geográfica, essas jazidas representam um interesse imediato.

– Calcários – As jazidas calcárias no Espírito Santo estão encravadas nas formações arqueanas do sul do Estado e pertencem à província metalogênica da serra do Mar. São depósitos lenticulares de grande possança que na fazenda Monte Líbano, nas cercanias da cidade de Cachoeiro de Itapemirim, se apresentam sob a forma de calcita muito pura. Graças a essa circunstância instalou-se ali uma fábrica de cimento* que após muitos anos de vida incerta e precária entrou definitivamente numa fase de produção efetiva, sob a orientação da firma Barbará & Cia.

– Ouro

– Tem-se procedido à garimpagem e lavagem de cascalho com pequenas máquinas manuais, em alguns pontos do Espírito Santo, nos Municípios de Castelo, Cachoeiro de Itapemirim, Afonso Cláudio, Muniz Freire, Alfredo Chaves, Isabel e Santa Leopoldina. Trata-se, como se vê, da região montanhosa do sul e oeste do Estado, onde o ouro provém de veios de quartzo cortando as rochas gnáissicas arqueanas. São lavras auríferas em aluviões do mesmo tipo que as da Serra da Mantiqueira no sul de Minas. – Pedras preciosas – Pegmatitos explorados no Município de Santa Leopoldina têm produzido berilos e euclásios em escala regular.”

* A produção de cimento no Estado, em 1940, subiu a 11.345 toneladas.

Nota VII - Ver imagem abaixo do texto.

Nota VIII –

De acordo com apontamentos obtidos no Ministério da Viação e Obras Públicas (1950), resume-se no seguinte a história moderna do porto de Vitória: Os primeiros estudos sobre o porto de Vitória foram feitos pelo engenheiro norteamericano Milnor Roberts, em 1879. O projeto apresentado não foi aceito e em 1892, pelo Decreto n.º 1.173, de 17 de dezembro, o governo concedeu à Companhia Brasileira Torrens a concessão para as obras de melhoramento do porto, com as vantagens e encargos da lei n.º 1.746, de 13 de outubro de 1869. O plano estabelecido previa a construção de 1.000 metros de cais e aprofundamento do canal de acesso, mas sofreu alterações.

A concessionária fez então uma contraproposta visando a construir o cais no antigo porto das Argolas, escolhido para ponto terminal da Estrada de Ferro VitóriaMinas. Interveio o Governo do Estado, propugnando para que o porto fosse localizado ao lado da cidade, com o que concordou o Governo Federal, autorizando pelo decreto 5.950, de 1906, a modificação pleiteada, bem como a transferência da concessão para a Companhia do Porto de Vitória. O decreto 6.559, de 11 de junho de 1907, aprovou os projetos anteriores após revisão. Mas um novo plano foi elaborado e aprovado pelo decreto 7.994, de 10 de maio de 1910, compreendendo a construção de 855 metros de cais, uma ponte com o comprimento de 399 metros com um vão móvel de 12 metros, dragagem da barra e outros serviços. O orçamento foi de 12.178 contos, moeda da época, e naquela base a Companhia [do] Porto de Vitória contratou com a firma construtora do porto do Rio de Janeiro a execução do projeto. Iniciados em 1911, os trabalhos foram paralisados em 1914, durante a Guerra Mundial, quando já estavam concluídos 348 metros de cais. Em 1916 o Governo Federal baixou o decreto 12.033, alterando o projeto anterior e o orçamento.

Em 1924, atendendo a uma exposição do Estado, o governo da União expediu o decreto 16.739, de 31 de dezembro, autorizando a rescisão dos contratos e a encampação, pelo Estado, das obras e instalações. A nova concessão estipulava a extensão do cais para 1.840 metros e outras obras, mas o projeto voltou a sofrer as alterações ditadas pelos decretos n.º 17.836, de 16 de junho de 1927, e 18.342, de 10 de agosto de 1928. Em 16 de outubro de 1930 os serviços sofreram nova interrupção, já estando prontos 670 metros de cais, dois armazéns, nove guindastes montados e a ponte de ligação com o continente. Recomeçados os trabalhos em 11 de junho de 1935, o projeto das obras só foi definitivamente aprovado pelo decreto n.º 2.606, de 30 de abril de 1938. Em 29 de maio de 1941, o Governo do Estado pediu aprovação do projeto para a construção de um cais especial para embarque de minérios no morro da Atalaia, com capacidade para exportar anualmente até 3.000.000 toneladas, orçado em Cr$ 213.434.401,30, sendo atendido pelo decreto 2.606, de 30 de abril de 1938. De acordo com o decreto-lei n.º 1.645, de 2 de novembro de 1939, o Estado passou a explorar comercialmente o porto, a partir de janeiro de 1940. Pelo decreto-lei n.º 3.039, de 10 de fevereiro de 1941, foi aprovado novo contrato com o Estado.

Nota IX – Ver imagem abaixo do texto.

Nota X – Ver imagem abaixo do texto.

Nota XI – Ver imagem abaixo do texto.

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, outubro/2017



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