As denominadas “oposições coligadas” (PSP+PR+PRP+PTB+UDN+PDC) só conseguiram destruir o predomínio do PSD em duas eleições: a de 1954 e a de 1962. Nos dois pleitos, o candidato vitorioso foi Francisco Lacerda de Aguiar, conhecido como “Chiquinho”. A estratégia da campanha para elegê-lo foi, nas duas ocasiões, a mesma: fizeram-no parecer, para o eleitor, um “homem do povo”. Na realidade, Francisco Lacerda de Aguiar era um grande fazendeiro da cidade de Guaçuí, no sul do Estado – lembre-se de Aristeu Borges de Aguiar, na República Velha.
O cientista político João Gualberto, no livro A invenção do Coronel, relata que “Chiquinho” saiu em busca do povo. Subiu morros, visitou favelas, (...). Sua campanha fundou-se nessas visitas feitas às casas dos eleitores, onde tomava café, conversava sobre fatos banais e ouvia suas reivindicações (...)”
Em 1972, recordando as campanhas eleitorais das quais participou, o próprio “Chiquinho” deu o seguinte depoimento:
“Sou mesmo um homem da roça, humilde. Eu cumprimentava todo mundo, eram todos meus amigos. Segui a orientação de um amigo da Câmara de Deputados que me disse que quando num comício tem muito bêbado e muita gente no palanque, a vitória é certa. Então, quando não havia bêbados nos comícios eu mandava buscar nos bares mais perto.”
Francisco Lacerda de Aguiar, portanto, é a versão espírito-santense do fenômeno político nacional chamado populismo. Apesar de ser membro da elite, transformou-se em “porta-voz” das camadas populares – os “excluídos” do campo e das cidades. Na década de 50 do século passado, 80% da população capixaba vivia no meio rural.
Como todo bom populista, “Chiquinho” foi um líder carismático e paternalista, que seduziu e empolgou a “massa”, ganhando sua admiração, fidelidade cega e votos.
Fonte: HISTÓRIA DO ESPÍRITO SANTO – UMA ABORDAGEM DIDÁTICA E ATUALIZADA 1535 – 2002
AUTOR: JOSÉ P. SCHAYDER