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Cinemas em Vila Velha

Cine Continental - Foto: Acervo da Família do ex-prefeito de Vila Velha, Tuffy Nader

Vila Velha teve o seu cinema mudo. Ele se localizava à rua Vinte e Três de Maio, ao lado da minha atual residência. Esse cinema, chamado Cici, era propriedade de Durval Santos, popularmente conhecido como Tinininho.

Quando mudei para Vila Velha, em maio de 1960, ali não havia mais o cinema, e funcionava a sede o Tupy Esporte Clube, tendo tanto o Américo Bernardes da Silveira como o Sr. José Bernardino (marido de dona Maria Tamanqueira), líderes da agremiação. Promoviam bailes, aos domingos à noite ao som de toca disco.

Nos carnavais havia bailes, inclusive para crianças, com charangas tocando, e o barulho era ensurdecedor, pois o piso era de friso de madeira.

A marquise acabou desabando numa tarde de dia útil de muito vento nordeste, e por sorte não machucou ninguém.

Depois o referido galpão teve outros destinos, que contei em separado.

No centro de Vila Velha, surgiu o Cine Continental, na rua Cabo Aylson Simões na praça Duque de Caxias, e era do Saliba, e teve seu auge.

O piso era inclinado, de cimentado liso, e a tela era muito boa, e as cadeiras de madeira com encosto e assento rígidos, de compensado envernizado. Tinha forro de laminado, mas com péssima ventilação, e um banheiro masculino pavoroso num beco ao lado.

Sobreviveu até alguns anos depois do surgimento do Don Marcos no outro lado da praça feito pelo Dionísio Abaurre, que adquiriu a antiga sede da Prefeitura em 1963 e construiu um majestoso empreendimento que teve inauguração por volta de 1965.

Esse causou sensação tendo havido divulgação de sua construção até na sessão noticiosa do Espírito Santo, no O Jornal do Rio de Janeiro, na época que o João Calmon aumentava sua influência.

Com o tempo o Continental caindo de público, sendo fechado por volta de 1970, quando foi desmontado, e passou ali a existir uma Igreja Evangélica, e depois em 1983 até o início de 1989 o Centro Cultural da PMVV que o então Prefeito Vasco Alves ali instalara por aluguem do espaço. Hoje no lugar há o Edifício Antonio Saliba.

O Don Marcos apesar de muito moderno, não tinha boa ventilação e sequer ar refrigerado, o que os de Vitória já vinham tendo. E a qualidade dos filmes foi caindo até virar uma espécie de embaixada da China de tanto filme de Kung Fu que passou a passar. Nesse meio tempo os intelectuais e a elite de Vila Velha, não se furtavam de se deslocar até Vitória e assistir filmes no São Luiz, Santa Cecília, Juparanã e outros.

Foi ma pena, pois teve seu auge, mas em 1968 teve uma depredação grave por conta de assistentes inconformados, em dia de semana.

Foi vendido por volta de 1980 quando ali surgiu a loja Dit que está lá até hoje.

Cine American –surgiu assim que o bairro da Glória vinha crescendo nos anos 50, e o loteamento do SOTECO ao lado do terreno do Aero Clube, prometia pujança. Esse cinema esteve certo tempo fechado e ressurgiu nos anos 90 como Cinema Garoto, por patrocínio da Chocolate Garoto.

Cine João Lopes – existiu em Aribiri na estrada Jerônimo Monteiro, em frente da Linha de Bonde, e era um “poeira”, de pequeno tamanho, e teve vida efêmera.

Cine Capixaba – em São Torquato, na Av. Graça Aranha, onde repetia muitos filmes que passavam no São Luis em Vitória. Surgiu com o crescimento populacional do Bairro, e acabou nos anos 70.

Cine Aterac – Anagrama do nome Careta, de trás para frente, Aterac, era desse empresário, que num revival, ressurgiu no IBES o que teve na Prainha em Vila Velha, na praça Assis Chateaubriand, e funcionou até os anos 80

Cinema do Colégio Marista – aos sábados nos dias letivos, à noite, no salão nobre, muitas vezes havia projeção de filmes, de forma precária, com uma única máquina, e que para trocar a bobina tinha que parar a sessão única. A entrada era barata, voltada para os estudantes do próprio colégio. Funcionou assim nos anos 60.

O cinema era uma diversão cultural e sadia, que a classe média e pobre podia desfrutar principalmente nos finais de semana, já que as mensalidades dos clubes eram proibitivas. E foi por décadas um lazer, que iam famílias inteiras.

 Nas edições dos jornais de sábado de Vitória, saia crítica dos filmes por meio de textos enormes.

A programação do cinema causava sensação, e atendia por todos os gêneros, várias classes sociais e intelectuais e a todas as idades.

Vila Velha voltou a ter cinema nos anos 90 no Shopping da Terra (nesse por breve período) e depois no Shopping Praia da Costa.

Bons tempos eram aqueles... Veio acabar também por conta do surgimento da Televisão em Vitória e pela violência à noite que estimulou mais ainda as pessoas ficarem em casa à noite. Com o surgimento do vídeo cassete foi outro fator que influenciou no fim dos cinemas tradicionais, que ressurgiram depois nos shopping.

 

Autor: Roberto Brochado Abreu, janeiro/2012

Nota do Site: A autor é membro efetivo da Casa da Memória de Vila Velha. Abreu é um resgate vivo de nossa história e nos tem dado importantes contribuições para os estudos de pesquisas, subsidiando o trabalho de historiógrafos do Espírito Santo.

  

 

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