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Comentários da Invasão de Cavendish (7ª Parte)

Thomas Cavendish

A apreciação pormenorizada da atividade bélica de Cavendish no litoral brasileiro, põe à mostra a existência de omissões, distorções e até mesmo contradições, tanto na documentação original coeva dos acontecimentos, quanto na que lhe é subsidiária, a saber:

 

(Documentação Original)

 

 Escritos Jesuíticos

 

Reconhecidamente idôneos, porém, parcimoniosos; pecam pela omissão de pormenores relevantes, decorrência provável da sobriedade característica dos seus registros historiográficos. No episódio em apreço, omitiram os nomes das embarcações componentes da frota de Cavendish. Além disso, mostraram-se reticentes na apreciação de diversos pormenores do fato histórico.

Dessa imoderada circunspecção nos registros jesuíticos, resultam dificuldades para a perfeita compreensão do fato histórico em pauta. Exemplo disso podem ser coligidos, v.g., através do registro de convocação dos indígenas das aldeias, para auxiliarem no combate aos invasores. Os historiadores José Teixeira de Oliveira e Maria Stella de Novaes fazem referência ao cacique Jupi-Açu e seus duzentos índios, acampados nas imediações de Vila Velha, porém, nada consta a esse respeito, nos compêndios jesuíticos consultados.

As Cartas Jesuíticas 3 registram apenas número de embarcações que efetuaram o assalto à vila de Santos, em 25 de dezembro de 1591. Silenciam, no entanto, para os restantes navios de Cavendish que ali aportaram nos dias subseqüentes.

Como compensação a essas falhas de registro histórico, a documentação jesuítica confirma: 1) efetiva participação dos indígenas convocados, na contenda da baía de Vitória. 2) O número aproximado de ingleses participantes do ataque e também o total de mortos, feridos e aprisionados em combate referindo-se, inclusive, a quatro desertores ingleses. 3) O Padre João Vicente Yate corrige uma omissão de Cavendish, ao referir-se à queima e afundamento de suas embarcações, em conseqüência de avarias anteriores, acrescidas pela insuficiência de tripulantes, após o combate da baía de Vitória. 4) A crédito dos jesuítas deve ser lançado o roteiro seguido por Cavendish, após sua permanência de dois meses, na Capitania de São Vicente. 5) Credite-se-lhes também, o retorno da frota inglesa, após a frustrada tentativa de alcançar o Oceano Pacífico, através do Estreito de Magalhães, em 1592.

 

A carta de Thomas Cavendish

 

Não persiste dúvida acerca da existência da aludida carta e de sua publicação, por Purchas, Pilgrines, (Samuel Purchas – Londres – 1625).

A cópia que ensejou o presente ensaio, constitui, por assim dizer, um “achado historiográfico” – durante a leitura de seis narrativas inglesas da “Era dos Descobrimentos Marítimos”, para gáudio dos amantes de aventuras náuticas.

Existem sobejas razões para que se presuma estar, de fato, em presença da carta de Thomas Cavendish, ou pelo menos, de parte dela.

Trata-se de uma carta curiosa e nela Cavendish relata apenas parte de sua aventura belicista, no litoral brasileiro. Que razões teriam induzido o consagrado navegador a relatar somente a hemi-face cinzenta de sua aventura oceânica, em detrimento do bem sucedido desembarque em Santos e do vitorioso assalto de 25 de dezembro de 1591?

Aos leitores familiarizados com o roteiro percorrido por Cavendish, em sua aventura oceânica, é lícito admitirem o extravio e a conseqüente perda da parte inicial da carta, ainda mais sabendo ter sido a mesma publicada somente em 1625 – após três décadas transcorridas da ocorrência histórica.

A narrativa de Cavendish inicia-se com seu retorno do Estreito de Magalhães, em 1592.

O comandante inglês omitiu, em sua carta, o registro de sua iniciativa em incendiar e afundar a escuna “Roebuck”, após o malogrado desembarque na baía de Vitória.

Sua carta, no entanto, é capaz de dirimir a controvérsia acerca dos nomes de suas embarcações, bem como de seu número correto.

Das cinco embarcações enunciadas por Varnhagen, somente os nomes das escunas “Desire” e “Roebuck” coincidem com as embarcações consignadas por Cavendish, como pertencentes à sua frota. Além destas, o comandante ainda cita a “Davis” e a “Victor”, sendo esta última a sua nau capitânia, a ostentar a insígnia do seu comando e a única a retornar à Inglaterra.

 

 

Autor: Zoel Correia da Fonseca
Fonte: Textos de História Militar do Espírito Santo – Coleção João Bonino Moreira – vol. 3
Compilação por: Getúlio Marcos Pereira Neves. Vitória, 2008.


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