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Comércio Exterior - Por Arthur Gerhardt (Parte III)

Vale - Trilhos da EFVM

3 – Ligações Ferroviárias e Rodoviárias

 

Quando falamos do desenvolvimento do sistema portuário, acreditamos que deu para perceber que ele cresceu atendendo ao aumento da produção e ao aparecimento de sistemas de transporte eficientes. Portanto, vale a pena perdemos um pouco de tempo para falarmos de nossa malha de transporte.

Começaremos pela ferroviária. No final do século passado, a produção de café estava a exigir transporte para chegar ao porto. O sistema de transporte fluvial, com utilização de canoas, era limitado por sua capacidade e pela dificuldade que apresentavam os rios do Estado. Serve como exemplo a estrada de ferro que ligava Cachoeiro do Itapemirim à Barra do Itapemirim. O transporte em canoas era feito do interior pelo rio Itapemirim até onde ele podia ser navegado, ou seja, até os cachoeiros do rio. Daí, iam de trem até o porto, aliás muito precário, de Barra do Itapemirim. Não é preciso dizer que a construção de rodovias matou a estrada. Aliás morte muito lenta, pois somente no Governo Rubens Rangel, quando o Brasil vivia um período autoritário, foi possível desativar a estrada que já era há muitos anos mantida em funcionamento, com astronômico déficit, por pressão política.

Dentro do mesmo espírito, foi construída a estrada de ferro que ligava São Mateus até Nova Venécia, e que igualmente desaparecida com o advento das rodovias e que também teve morte lenta por influência política.

A Leopoldina Railway foi criada com objetivo semelhante. Foi construída uma ferrovia que, subindo a serra, pudesse escoar a produção de café das áreas de colonização italiana e alemã. Foi primeiro feita a ligação Vitória-Matilde e, mais tarde, construído o trecho que ligou Matilde a Cachoeiro de Itapemirim. Daí até Campos com ligações com o Rio de Janeiro. Esta estrada, que existe até hoje, é um dos entraves que temos ao nosso desenvolvimento. É antieconômica, de baixa confiabilidade devido ao estado de sua infra e superestrutura. Nós, capixabas, desejaríamos que quem viesse a ganhar a próxima concorrência de privatização deste trecho, construísse um ramal litorâneo que possibilite transporte ferroviário econômico de Vitória na direção Sul do país.

Mas, a vedete de nossas estradas de ferro é, sem dúvida, a Estrada de Ferro Vitória a Minas de propriedade e operada pela CVRD. É das estradas mais eficientes do mundo e exerce um papel relevante no progresso do Espírito Santo. Hoje, com a sua ligação com a Rede Ferroviária Federal em Belo Horizonte, criou condições de oferecer seus serviços até o centro do país aumentando sua importância como alavanca do desenvolvimento capixaba. Um pouco mais a frente vamos falar de nossas preocupações para com ela.

Quanto ao transporte rodoviário, vivemos uma verdadeira epopéia, com lances ora dramáticos, ora tragicômicos. Até 1964 o sistema rodoviário do Espírito Santo era insuficiente, para não dizer inexistente. O grande impulso para a construção rodoviária foi dada pela lei que criou o Fundo Rodoviário Nacional e pelo primeiro Plano Nacional de Viação, que nos frustrou, e por uma razão muito simples. Nós não existíamos para o Governo Federal. Com todo o esforço feito pelo governo estadual, esforço de que sou testemunha, não tínhamos recursos suficientes para construirmos a malha rodoviária de que necessitávamos. Digo que sou testemunha porque comecei minha vida de engenheiro aqui no Estado como empregado do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem, e no Governo Carlos Lindenberg, dirigi este órgão. O fato é que nenhum estado tinha recursos suficientes. Quem tinha era a União. E a União estava presa a compromissos políticos com estados de maior peso eleitoral. O nosso Estado, com bancada reduzida e nem sempre unida em torno de objetivos comuns, não tinha peso para pleitear mais verbas. Só obtivemos maiores recursos quando o peso da influência política foi menor, durante o início do regime autoritário de 64. Nessa ocasião, tivemos concluída a BR 101 (Rio-Vitória-Salvador), a BR 262 ligando Vitória a Belo Horizonte e daí até Brasília. Hoje temos um razoável sistema rodoviário, a que se acresceu a rodovia Vitória-Colatina-Barra de São Francisco.

 

Fonte: Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. N 47, ano 1996
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2014 

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