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Construção do Porto de Vitória

A necessidade de atender à movimentação de exportação exigida pelo café fez com que o governo do Estado desse início à construção do porto - Foto: Tadeu Bianconi / Reprodução

Apesar da construção do porto ter sido iniciada em 1906, suas obras só foram definitivamente concluídas em 1940, com a inauguração do Cais Comercial, em Vitória, após três décadas de retomadas e paralisações devido à falta de recursos financeiros (qualquer semelhença com a expansão do aeroporto de Vitória é mera coincidência) e ao início da primeira Guerra mundial, quando as empresas construtoras tiveram que retornar aos seus países de origem.

Com o Cais Comercial, o Espírito Santo passou a contar com o seu primeiro porto "oficialmente organizado", oferecendo maior segurança às embarcações e inserindo o Estado no comércio internacional.

 Apesar de todo o potencial econômico do novo cais, o Porto de Vitória já apresentava números positivos desde o final da década de 30, apresentando a terceira maior exportação de café do Brasil, atrás apenas dos portos de Santos e Rio de Janeiro.

SEGUNDA GUERRA INTERROMPE O CRESCIMENTO

Esse crescimento foi abalado com a entrada dos parceiros comerciais do ES na Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945, o que fez o preço do produto despencar no mercado internacional.

O porto  atravessou sua primeira crise, com queda de 54% na exportação do café, passando de 1,2 milhões de sacas no triênio 1935-1942, abalando também a economia do Espírito Santo, totalmente dependente da monocultura cafeeira.

"Mas, foi também o segundo conflito mundial que proporcionou condições favoráveis à primeira expansão do Porto de Vitória, devido à procura internacioal pelo minério de ferro brasileiro, para reconstrução dos países destruídos pela guerra", relata o professor aposentado Leonardo Abaurre, 72 anos.

Abaurre foi professor de História do Brasil por 42 anos e recorda a chegada dos primeiros vagões com minério ao Cais Comercial.

SURGIMENTO DA CVRD  

"A exploração e exportação do minério passou a ser feita pela Companhia Vale do Rio Doce. O mineral, explorado no Quadrilátero Ferrífero. do Estado de Minas Gerais, passou a ser escoado pelo Cais Comercial de Vitória.

Entretanto, o porto não oferecia estrutura para embarque desse produto, já que até então, o foco era o transporte de sacas de café e mercadorias gerais, além da necessidade que os Estados Unidos, Rússia, Europa, Canadá e Japão passaram a ter do minério como base dos seus processos de industrialização", relata.

EXPANSÃO

Com a exigência de quantidades cada vez maiores do minério de ferro, a CVRD propôs a construção de um cais especializado para embarcar o produto no município de Vila Velha. O projeto aproveitou o potencial natural do Atalaia, também conhecido como "Péla Macaco", onde foram construídos silos verticais para armazenagem do minério, que eram abastecidos por vagões que chegavam pelo alto do Atalaia.

"Hoje, o sistema de carregamento do Atalaia não está sendo mais utilizado. A linha férrea que levava o minério até o alto dos silos não tem condições de uso. É uma pena. Mas, como vestígios da história do Espírito Santo, ainda estão lá, contando um pouco da nossa saga", desabafa o professor Abaurre.

 Ao todo, o Atalaia - batizado de Cais Eumenes Guimarães -  possui 110 metros de comprimento e recebeu obras de adequação até 1963, com dragagem e balizamento para tráfego noturno, passando a atracar navios com capacidade para 30 mil toneladas.

Sua estrutura foi concluída no final da década de 40, mas não comportou a demanda do minério comercializado pela Vale, que no início dos anos 50 bateu recordes de exportação de minério grosso, com média anual de 1,2 milhões de toneladas, e em menos de 15 anos a Vale já exportava 10 milhões de toneladas do produto.

TUBARÃO

Como alternativa, a Vale investiu na construção do Terminal de Tubarão, localizado no final da Praia de Camburi, em Vitória, planejado para substituir o Cais do Atalaia e atender a uma demanda especializada, exportando minério grosso e fino.

Tubarão vem operando desde 1966 e recebe navios de até 300 mil toneladas, movimentando, atualmente, 65 milhões de toneladas de minério de ferro e pellets por ano, com capacidade para movimentar 80 milhões de toneladas.

Após o fim das atividades do sistema de carregamento do Atalaia, em 1971, a Vale vem utilizando toda a estrutura do cais para o embarque de ferro-gusa. Em 2005, a empresa embarcou 2,18 milhões de toneladas do produto.

 

 

Fonte: Jornal A Gazeta, 100 anos do Porto de Vitória, 31/03/2006
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2015 

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