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Contestado: zona explosiva

Francisco Lacerda de Aguiar pelo ES e José de Magalhães Pinto, por MG

No transcurso das administrações de Carlos Lindenberg, Jones Santos Neves e Francisco Lacerda de Aguiar, nossa história foi marcada por violentos conflitos rurais ocorridos no noroeste do Estado, particularmente na denominada Zona do Contestado. O cenário para disputas fundiárias vinha se configurando desde os anos 1930, quando aquela região começou a ser colonizada por levas de imigrantes sul-capixabas, mineiros e baianos.

A Zona Contestado era um território de 10 mil km2 que, desde 1903, estava sendo disputado litigiosamente pelos governos do Espírito Santo e de Minas Gerais. Enquanto as negociações se arrastavam nos tribunais federais, a região limítrofe entre os dois estados ia sendo ocupada e devastada desordenadamente.

Adilson Vilaça, especialista nesse tema, informa que:

“(...) o Contestado era uma verdadeira terra sem lei, com muitos povoados sob jugo de dupla jurisdição, mineira e capixaba, e maior quantidade sem jurisdição alguma”. Sendo assim, continua o pesquisador, “a lei do mais forte fez império. Acorreram ao abrigo do Contestado criminosos de longínquos recantos. Desgarrados, aproveitadores, jagunços, charlatões, mascates, tropeiros e levas de sem-terra moviam-se na mira das enfurecidas polícias estaduais que tentavam, com pouco sucesso e uso de muita arbitrariedade, fazer prevalecer a ordem (...) Nem sequer os padres se entendiam, engalfinhando-se na disputa fronteiriça – padres mineiros e capixabas hostilizavam-se publicamente (...)”.

Para compor o já confuso quadro social do Contestado, podemos acrescentar um número grande de caçadores, lenhadores e madeireiros. Com a ocupação das terras, vivia-se o ciclo de derrubada de madeiras de lei como o ipê, o jacarandá, a peroba, o cedro a macanaíba etc. Uma madeireira multinacional holandesa, a Bralanda, instalou-se na região, montando diversas serrarias.

Encravadas neste contexto explosivos, estavam nas localidades de Nanuque, Teófilo Otoni, Governador Valadares, Nova Venécia e Ecoporanga.

Em decorrência da disputa fundiária entre posseiros e fazendeiros, o atual município de Ecoporanga foi palco de episódios sangrentos e pouco conhecidos da história capixaba.

 

Fonte: História da Espírito Santo – Uma Abordagem didática e atualizada 1535-2002
Autor: José P. Schayder
Compilado por: Walter de Aguiar Filho, outubro/2012

 

 

 

 




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