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Contestado

Contestado - Costa Dourada

No início do século XX correntes migratórias buscavam o Norte do Espírito Santo, com preferência pelas regiões banhadas pelos rios Cricaré e Cotaxé. Vinham principalmente da Bahia e de Minas Gerais em busca de terras para o plantio (prevaleceu a subsistência) e da madeira da região. Com o aumento dos interesses estaduais, tanto de Minas Gerais, quanto do Espírito Santo e de empresas madeireiras, como a “BRALANDA”(convênio entre Brasil e Holanda), a região ficou cada dia mais tensa e disputada. Os conflitos mais sérios da região do Contestado aconteceram no município de Ecoporanga, nos distritos de Itapeba (Estrela do Norte e Cotaxé), por volta dos anos 40 e também com grande intensidade nos anos 50 e 60 na fazenda Rezende.

Na década de quarenta, chega à Cotaxé um jovem baiano chamado Udelino Alves de Matos. Com inspirações messiânicas, como a de Antônio Conselheiro, propõe aos camponeses a criação de um Estado alternativo, um “paraíso terreno”, com terra para todos. Esse seria o Estado União de Jeováh, com capital em Cotaxé. Depois de uma suposta audiência com Getúlio Vargas, Udelino consegue atuar com mais audácia, liderando camponeses na apropriação das terras da região e intensificando as tensões do lugar. Depois do suicídio de Vargas suas “garantias” acabam e sua milícia que chegou a contar com aproximadamente 800 pessoas acabou desbaratada pelas forças oficiais, que se uniram, apesar da indecisão da jurisdição sobre a região. Udelino consegue fugir, mas não volta a liderar os posseiros e depois desse fato não se ouve mais falar dele (foi estabelecida pela Assembléia Legislativa de Vitória uma CPI para apurar as atrocidades cometidas por policiais na região/ essa CPI chamou o movimento de “Nova Canudos”.

Cinco anos mais tarde novos posseiros estabelecidos na região exigem reforma agrária. São liderados por Antônio Genuíno da Silva, vindo do município de Galiléia em Minas Gerais e por lutarem por um pedaço de terra, acabaram sendo chamados de comunistas pelos militares, o que acabou agravando a situação. Com o apoio dos sindicatos operários de Vitória e do Partido Comunista os posseiros organizaram o “I Congresso Estadual de Lavradores” em novembro de 1957. O principal feito do congresso foi a criação da Associação dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Espírito Santo (ALTAES). Com o acirramento das disputas, Antônio Genuíno é morto e com a deposição do então presidente João Goulart o Partido Comunista é desarticulado e os líderes são perseguidos. Esses fatores associados as ofertas de terras no Mato Grosso, Rondônia e no Pará enfraqueceram o movimento no Contestado e a luta por reforma agrária cessaria por algum tempo.

Curiosidade: Praia Costa Dourada ou Praia do Contestado

A 30 km de Itaúnas, a Costa Dourada, conhecida por muitos como Contestado, é marcada por quilômetros que praias selvagens. O lugar parece perdido no tempo, com paisagens paradisíacas intactas e minúscula população.

O local é disputado pela Bahia e pelo Espírito Santo desde o século XVII. A população local não passa de cerca de dez famílias. Esses poucos habitantes vivem em função do mar. Sem energia elétrica, os moradores simples se acostumaram com as dificuldades da vida longe do movimento tecnológico.

Na alta temporada, o cotidiano dos nativos muda um pouco. Todos os dias eles enfrentam 30 km de bicicleta para comprar gelo, para servir bebidas geladas aos turistas.

Quem chega pela manhã avista todas as praias: dos Lençóis, dos Coqueiros e do Josuel. O turista de primeira viagem deve se informar antes de começar o passeio. Quando a maré enche, fica difícil o acesso para muitas praias.

O passeio pode começar pelo sul de Costa Dourada, onde fica a Praia dos Lençóis, a mais deserta de todas. A praia não tem acesso para veículos e o cenário é magnífico, com vegetação rasteira e coqueiros em grande quantidade. É bom levar comida e bebida.

Ao norte de Costa Dourada, encontram-se as praias dos Coqueiros e do Josuel. A primeira é a mais freqüentada. Sua grande atração é o Rio das Ostras, que avança 200 metros mar adentro.

Na barraca do "seu" Osvaldo, pode-se comer peixe frito e acampar. Como o próprio nome diz, coqueiros não faltam. A área de camping é toda com sombra e não é cobrada taxa, mas não oferece qualquer infra-estrutura.

Uma caminhada de mais cinco quilômetros leva até o Rio das Ostras, onde fica a Praia do Josuel, com uma vegetação de restinga praticamente intocada e um mar sempre manso, com águas cristalinas. Aqui também é preciso levar comida e água para passar o dia. Quando a maré está baixa, formam-se piscinas de água morna. É a praia menos explorada e a mais indicada para mergulho.

Uma visita ao restaurante da Tia Fina também é um bom programa. No livro de visitas estão registrados todos que passaram pelo local. Entre eles dinamarqueses, ingleses e, principalmente, japoneses.

O silêncio da noite é quebrado, às vezes, pelo forró.

Costa Dourada fica a 30 Km de Itaúnas, seguindo pela estrada para Riacho Doce até um grande pasto. Uma placa indica a entrada à esquerda. Observando as indicações, a possibilidade de erro é pequena. Só não é aconselhável a viagem à noite. Só há uma pousada, a da Tia Fina. A maioria das pessoas que visita Costa Dourada fica hospedada em Itaúnas.

 

Fonte: Jornal O Contestado, verão 2013

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