Fonte: Ecos de Vila Velha
Autor: José Anchieta de Setúbal
Durante o carnaval de Vila Velha, ao cair da tarde, os foliões subiam em carros enfeitados, tanto de carroceria como automóveis de passeio, e dirigiam-se a Vitória, um atrás do outro e lá ficavam circulando pelas ruas e praças, cantando animadamente, enquanto jogavam sobre a assistência confetes e serpentinas, não faltando o esguicho do lança-perfume.
Um desses corsos marcou época. Quem nos contou isso foi o nosso amigo Walter de Aguiar, filho do inesquecível Miguelzinho de Aguiar. Segundo ele, o Clube dos Democráticos, com muito esmero, preparou um carro alegórico para marcar época no corso que se faria a Vitória como de costume. Fizeram uma alegoria mais alta e mais atraente do que as dos anos anteriores. Com certeza a sua passagem por Vitória, apoteótica e arrebatadora, levantaria o público em aplausos, marcaria época. Só restava aos foliões chegar à passarela da glória.
Vibrante e com muita alegria, o caminhão do Augusto Italiano, assim enfeitado, começou a percorrer a rua Luciano das Neves, ganhando a velha estrada de rodagem para Vitória, a única existente unindo o continente à ilha. De súbito, em Cobi, em frente ao viaduto da Estrada de Ferro da Leopoldina, o motorista breca o carro. Caminhão e alegoria não conseguiam passar simultaneamente.
O momento foi frustante, e de alegres os nossos brincalhões passaram a tristes e de tristes a decepcionados.
O idealizador da bela alegoria não levara em conta as medidas do viaduto, e para prosseguirem o jeito seria mexer na alegoria. Desmontaram-na e ela não foi mais a mesma.
Quando chegaram a Vitória receberam os aplausos do público pelo animado bloco, sem que se tomasse conhecimento dos restos mortais da alegoria que se pretendia bela. Bela e arrebatadora!
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