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Costumes do Povo Espírito-Santense (1535-1893)

Urupema ou arupêma, era utilizada pelos índios na pesca - Foto: Jornal AL

Índios

 Suas armas arco e flecha.

Seus instrumentos: laminas de bambu (taquara) amoladas em pedras junto aos córregos.

 

Nutrição

 Aipim, mandioca, cará, inhame, taioba a que chamavam magaritos.

Extraiam o vinho desses produtos cozidos em panelas de barro. Ajuntavam velhos, velhas, moços, moças e crianças diante de um coxe de pau cavado onde depositavam as raízes mastigadas e esperavam a fermentação. Bebiam em cuias feitas de quimangas, bipartidas donde tiravam a polpa e os caroços.

Pescavam com arupêmas, tecido feito de tabocas em forma de circulo.

Depositavam peixes e mariscos em samburás tecidos também em forma cônica com argolas feitas de embira onde passavam o vara-paus para carregar sobre os ombros.

 

Tribos

Vagavam na época os coroados, botocudos, pancas e mutuns.

Pintam o rosto com traços de urucum e baúna.

Algumas palavras do seu dialeto:

Filhas – cunhan-tay.

Filhos: - membúry.

Partes pudendas da mulher – Taconêma (locum putrem).

Partes pudendas do homem – Tûmérim (membrum parvulum).

Fogo – tatá.

Homem conhecedor do mato, ligeiro – tàpijàra.

Peixe pequeno – pirá mirim.

Peixe grande – pirá assú.

Canoa ligeira – timbeba.

Quer casar comigo? – tumerim tumbá?.

Adeus, até logo – cati terendê.

Mandando calcar (apertar) alguma coisa – mossóssunga.

 

Danças

Cassacos  – Um bambu dentado, correndo a escala por um ponteiro da mesma espécie.

Como tambores usavam um pau oco com um dos lados coberto com couro pregado por tarugos de madeira rija.

Cabaços tendo dentro grãos de semente.

 

Superstições

 Outrora se reuniam à aproximação do dia pela posição do cruzeiro e estrela d’alva e iam buscá-lo à borda do mar ao som de música.

Nos eclipses da lua se reuniam e ainda hoje (1893) em suas aldeias e com gritos, tiros e arrufos de tambores bradam: acorde vovó, não caia pr’a nós matar!...

Crêem em feitiços, agouros, almas do outro mundo.

As moléstias dos recém nascidos, principalmente na dentição, chamam: olhado, ventre caído, arcas abertas.

Não falam o nome do diabo, chamam-no de porco sujo.

Para subjugar um índio ainda hoje, faça-lhe presente de uma taquari (taquara fina), como eles chamavam as espingardas antigas.

 

Costumes dos moradores

O uso antigo contado pelo ancião Joaquim de Jesus Loyola (conhecido como Quino).

Palmatória: Três tipos, o de pele de cação, o de jacarandá e o maior de gramary para os valentões.

Quando entrei na escola fugi, fui cercado e pego pelo cós da calça e levado ao mestre.

 

Festas dos jesuítas

Criaram a festa religiosa consagrada às Onze mil Virgens, de que foram chefes, São Cordula e Santa Úrsula, além de São Miguel.

Na frente da Igreja do Colégio levantavam um mastro com uma bandeira simbólica...

Eram os dias festivos do Império, o aniversário do rei da rainha, dos príncipes, casamentos etc. Estes acontecimentos eram saudados com tiros das fortalezas de São João e Piratininga.

 

Teatros

Representava a fábula de Perseu e Andrômeda, exposta a ser devorada pela serpente. O quadro o bosque. Ã sombra da palmeira a infeliz princesa, presa em grossas cadeias.

Principiava com um canto triste da princesa que narrava a sua desgraça. Aparece Perseu vestido à grega que se propõe matar a serpente com a condição de desposá-la.

 

Ele dizia:

 

Pois senhora eu sou Perseu

Nas campanhas sou destemido

Que ao passar por esta estrada

Ouvi pranto dolorido.

 

Bem podeis estar segura

Que este meu peito amante

Ser-vos-á sempre constante

Em tão triste desventura.

 

(Aparece a serpente...)

 

Vem, oh serpente malvada!

Será a meus pés degolada!...

 

A serpente com dois metros e dois centímetros de altura, o ventre de imenso bojo, contando com enormes asas e três línguas e dentro do qual um homem. Depois de encenação parecida com dança, lutam até ser decepada sua cabeça pela espada de Perseu. Jorra grande quantidade de sangue representada por fitas vermelhas que desencadeava da garganta.

Bravos e aplausos! Morreu a bicha, diziam os velhos. ...Pobre menina, ser comida por uma cobra tão feia e nojenta...

A platéia se assentava nas esteiras no chão na ladeira do palácio.

Ouvi uma velha que disse: menino, muito apreceiava aquela cenia de antonsis, que a figura falava: Senhor se na Imprecado! Intecro! Paframeco! Constança eu morro! Sonho Impacro!

(Tradução do autor) – Sombra implacável! Pavoroso espectro! Não me confunda mais, Constancia eu morro! – “Que língua de velha tastufa! Eu te arrenego”.

 

As famílias

 As mulheres eram criadas com grandes reservas, modelos das mais eminentes virtudes. A família sacrário de pudor, de honra de pureza.

O recato era o véu que a enobrecia. Ninguém as bispava às janelas. As senhoras espiavam pelos postigos, janelinhas abertas no centro das portas, onde só apareciam as cabeças delas.

Iam às igrejas com o rosto coberto de véus pretos, vestidos afogadinhos até o pescoço com babadinhos ao redor; mangas largas com punhos do mesmo gosto.

Às vezes cobriam a cabeça com bioco, lenço de cambraia bordado, com rendas, dobrado ao meio em forma triangular, amarrados ao alto, prendendo-o ao queixo deixando cair às pontas do vértice para as costas.

Nos passeios usavam chapelinhos ornados com flores que cobriam a cabeça.

Nas festas, vestido todo branco ou preto.

Mantas sobre os ombros, bordadas, de seda, pendiam até a cintura.

As macaquinhas de variadas cores vestiam as mulheres de má fama.

As velhas usavam saia de chita com camisa como as dos homens, largo o peito correspondente aos seios.

No passeio vestiam saias de cambraia ou fustão com ramos de seda frouxa. Na cabeça coifa da mesma fazenda e padrão da saia.

Nas visitas noturnas o clássico casaco de barragana ou de alemiste, fazenda de lã, com um cabeção debruado, como as capas viatoriais dos padres.

Os homens que ocupavam cargos públicos ou ouvidores, juizes ordinários, os almotacéos, vereadores de câmara, em dias de gala nas audiências e sessões magnas, usavam meias de seda, sapatos com fivelas de prata ou ouro, calções curtos e chapéus armados.

As calças com três ou quatro pregas na barguilha, alçapão por abotoadura, terminando por uma presilha de fazenda ou couro, que atravessava a sola do calçado. Andava o pobre homem encilhado como um burro!...

As moças montavam a cavalo em selins ou sela. Traziam na cabeça cartola de pêlo de diversas cores com fita, presa por uma grande fivela.

 

Rezas e orações

Nas trovoadas cantavam várias orações.

Nos oratórios acendiam velas bentas; queimavam os ramos bentos e recitavam o credo em cruz.

As rezas eram interrompidas pelo grito de medo aos trovões, gritando misericórdia! Misericórdia!...

 

Benzimentos

 

Erisipela:

 

Pedro e Paulo foram a Roma

E Jesus Cristo encontrou

Ele lhes perguntou:

- Então que há por lá?

 -Senhor; erisipela má.

- Benze-a com azeite,

- E logo te sarará.

 

Ao entrar na igreja:

 

Tomo esta água benta

Em remissão aos meus pecados

Para em dia de juízo

Serem todos perdoados.

 

 

Autor: Pe. Antunes de Sequeira
Fonte: Esboço Histórico Dos Costumes do Povo Espírito-Santense Desde Os Tempos Coloniais até Nossos Dias 1893 - Rio de Janeiro Tip. G. Leuzinger & Filhos, Rua do Ouvidor, 31 Códice: Biblioteca do Exército: 981.52.S479e 5-C, 2
Compilação e Pesquisa: Copiado do Origianal por Edward Athayde de D'Alcântara, agosto/2011


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