Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Crise do café e política no governo de Henrique Coutinho, 1904-1908

Coronel Henrique da Silva Coutinho

Quando Muniz Freire assumiu a presidência pela segunda vez, perdurava a crise do café – fonte principal das rendas estaduais e baluarte da lavoura e do comércio capixabas. Prolongada seca – “a maior de todas as adversidades com que o Estado tem se visto a braços(32)” – agravava a situação provocada pela baixa dos preços. (I) Impossibilitado de satisfazer seus compromissos, o Espírito Santo viu-se compelido a uma atitude inédita nos anais da vida pública brasileira: pediu moratória aos credores estrangeiros.

No quadriênio seguinte – 1904-1908 – o Estado foi presidido pelo coronel Henrique da Silva Coutinho, que, tão logo se viu no poder, rompeu com Muniz Freire, chefe do Partido a que devia a eleição.(33)

Durante a administração Silva Coutinho, Vitória foi dotada de bondes tirados por muares.(34) Seu governo orientou-se pelos mais rígidos princípios de economia.

Dedicou atenção especial aos problemas da instrução primária e da imigração, porém foi seriamente prejudicado pela exigüidade de recursos materiais.

 

NOTAS

(32) - Mensagem apresentada ao Congresso Legislativo na abertura da segunda sessão da quarta legislatura pelo presidente do Estado do Espírito Santo, Dr. José de Melo Carvalho Muniz Freire, em vinte e oito de setembro de 1902. Vitória – 1902.

(33) - AMÂNCIO PEREIRA informa que motivou o incidente a recusa, por parte de Silva Coutinho, dos nomes apresentados por Muniz Freire, para três vagas de governadores municipais (Homens e Cousas, 50-1). Melindrado com a atitude, Muniz Freire revidou, oferecendo ao Congresso denúncia contra o presidente. Este, que, a princípio, contava com doze dos vinte e cinco deputados, conseguiu a desejada maioria, graças ao apoio de um adversário da véspera, e fez cair a indicação Muniz Freire (JOSÉ CÂNDIDO, Governos do Espírito Santo).

(I) “Para bem avaliar os prejuízos que esta [a seca] nos causou, e que se prolongaram até o fim do semestre último, ofereço-vos o seguinte quadro estatístico da nossa exportação de café, com o valor oficial respectivo e a importância de direitos pagos, desde o ano de nossa organização constitucional até o de 1900:

Ver imagem abaixo na galeria.

Por esse quadro vereis o prejuízo que, por efeito da baixa, sofreu a receita estadual no período de 1896 a 1898, cuja exportação tendo sido muito maior que a do triênio anterior deu entretanto contribuição menor que ele; e apreciareis ao mesmo tempo os efeitos da seca em colaboração com os da baixa, manifestados na grande diminuição da exportação e dos direitos pagos nos anos de 1899 e 1900.

Comparando este com o de 1897 nota-se-lhe uma diferença, para menos, de onze milhões de quilos, mais de um terço na quantidade exportada; comparando o mesmo ano e o de 1894, cujas exportações foram quase iguais, verifica-se que enquanto os vinte e três milhões de quilos, de 1894, produziram três mil quatrocentos e tantos contos de imposto, os de 1900 não chegaram a produzir dois mil e cem contos.

Para termos, porém, mais completo conhecimento dos nossos prejuízos, é preciso saber que a última safra, influenciada pela seca, e a que mais sofreu-lhe os estragos, isto é, a safra de julho de 1900 a junho passado, foi apenas de 20.456.573 quilos, sendo 12.942.552 no segundo semestre de 1900, já compreendido no cômputo total do respectivo ano, e 7.514.021 no primeiro semestre de 1901, tendo produzido de direitos 1.457:072$675, soma inferior à que rendeu esse imposto em 1892, quando a produção do Estado era menos da metade da atual nas safras normais como a que agora começa.

Com essa última informação, podeis julgar das dificuldades em que se encontrou o meu governo, logo no primeiro ano de exercício, que compreende exatamente esses dois semestres decorridos. Eu, aliás, as havia previsto na minha última mensagem aos vossos antecessores” (Mensagem apresentada ao Congresso Legislativo na abertura da primeira sessão da quarta legislatura pelo presidente do Estado Dr. José de Melo Carvalho Muniz Freire em vinte e oito de setembro de 1901. Vitória – 1901).

– Ainda no fim de seu segundo período governamental, MUNIZ FREIRE lamentava-se da crise cafeeira, que o impossibilitara de empreender qualquer obra pública, e expendia estas palavras de desespero: “Os Estados brasileiros que têm a sua fortuna pública fundada em um valor que, de ano a ano, mais se afunda, e para o qual nenhuma salvação parece próxima, como é atualmente a lavoura do café...” (Mensagem apresentada ao Congresso Legislativo na abertura da terceira sessão da quarta legislatura pelo presidente do Estado, em vinte e dois de setembro de 1903. Vitória – 1903).

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, setembro/2017



GALERIA:

📷
📷


História do ES

Araribóia X Villegagnon

Araribóia X Villegagnon

Araribóia, comandante de duzentos temiminós que o Espírito Santo mandou à luta contra os franceses de Villegagnon

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Panorama da cultura capixaba

O historiador Renato Pacheco explica que o Estado passou 350 anos fechado a qualquer tipo de progresso

Ver Artigo
Censo de 1940

As jazidas calcárias no Espírito Santo estão encravadas nas formações arqueanas do sul do Estado e pertencem à província metalogênica da serra do Mar

Ver Artigo
O primeiro mapa do Espírito Santo

É de justiça assinalar o levantamento, em 1612, da primeira carta geográfica do território capixaba, por Marcos de Azeredo

Ver Artigo
Mário Aristides Freire – Secretário da Fazenda (1930-1943)

Distingue-se, na obra administrativa desses doze anos, a atuação do secretário da Fazenda – Mário Aristides Freire. 

Ver Artigo
Chácara do Vintém - Por Elmo Elton

No governo de Florentino Avidos, desapropriados os terrenos da Chácara do Vintém, foram abertas as ruas Deocleciano de Oliveira, Aristides Freire e do Vintém, as três com entrada pela Graciano Neves

Ver Artigo