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De bonde com Grijó - Pela Rua Henrique de Novaes

Rua Henrique de Novaes, década de 30 - FB Dilio Santos

Nessa altura, adentramos à rua Henrique de Novais, No número 35 da mesma rua morava o Sr, Jorge Bumachar, casado com dona Georgete, e ainda tinham como acompanhantes de família o Sr. Emílio Bumachar, Alberto e sua genitora Maria. Seus filhos: Luís Paulo e Terezinha. Nessa rua, como até hoje, só existiam cinco residências. Ali morou Gastão Roubach, mais tarde ali residiu Manoel Francisco Gonçalves, o forte comerciante do ramo escolar e que foi o iniciador da reforma do Clube de Natação e Regatas Cabral. Ele demoliu o antigo prédio/sede, da rua Barão de Itapemirim com a Praça Costa Pereira, e construiu o prédio que se edificou para ser a nova sede social e negociou salas, angariando com isso bom dinheiro. Mais tarde, durante o governo de Francisco Lacerda de Aguiar, conseguiu uma área de 91 hectares, em Bento Ferreira, servindo-se do prestígio da família Martins (cabralista), 100% da área onde está o clube. Casado com dona Carolina, tinha como filhos: Fernanda, Bernardino, Armando, Noca, Francisco, Zeca e Bia. Fomos vizinhos de muro por longos anos e até hoje nos consideramos. Morávamos no n.° 69. Meu pai Rufino Antônio de Azevedo Júnior e mãe Alyde Grijó Azevedo tinham como filhos: Guilherme, Reginaldo (falecido) Fernando, eu (Délio), José Cláudio, Regina e Teresa Cláudio (falecida). Meu pai era sócio, juntamente com um irmão, Sr. Raul, da firma Azevedo Irmãos & Cia., a famosa loja Pan Americano, uma das melhores casas no ramo de ferragens, artigos domésticos, rádios e material de construção; quando a firmas, como a Mesbla do Rio de Janeiro, faltava qualquer material, elas consultavam o Pan Americano para possível abastecimento: marcou época no comércio capixaba e sua freguesia era imensa, como o é até hoje; quando os mais velhos da ilha sabem que sou da família Azevedo e filho do Rufininho, como era tratado, lembram com saudades de ferramentas ou outras mercadorias compradas na loja. A maioria das mercadorias era importada. Mais tarde, com a II Guerra Mundial em andamento e a desvalorização da moeda, não tendo a firma como renovar seu estoque, resolveu-se, para evitar prejuízos na praça comercial, vender a firma, que fora fundada, em 1902, pelo meu avô Rufino. Nossa casa era geminada e à do lado, n.° 75. O Sr. Lusitano José Silva, o popular "Zé Gordinho", era casado com dona Vitorina. Eram pais de Maria José, Maria Amélia (gêmeas), Eduarda, Carlota, Fernanda e Antônio. Como o meu pai, o Sr. Lusitano era sócio da Firma Evaristo Pessoa, conceituada no ramo de ferragens na avenida República, onde está localizada uma Delegacia de Polícia. Mais tarde, o Sr. Nagib Jorge Risk adquiriu da família Monjardim uma área, onde construiu sua residência. O Sr. Nagib é pai de Apolo e de José Carlos. O primeiro, um grande negociante no ramo de automóveis e o outro, juiz do Ministério do Trabalho.

Mais adiante está a entrada da chácara dos Monjardim, que era zelada pelo "Velho" Guilherme Machado, pai do Sr. Machado, pequeno agricultor em Maruípe e com a melhor banca de frutas e legumes do Mercado da Capixaba, (Quantas carreiras eu e meus colegas levamos do Sr. Guilherme. Motivo: "assalto às fruteiras da chácara".) Tempo bom! Sei que muitos que lerem estas páginas por certo irão achar até enfadonhas, por tantos nomes mencionados. Porém, é um modo de rememorar os belos tempos em que vivemos como uma comunidade perfeita, em que um vizinho sentia prazer em prestar ajuda ao próximo, em que, ao se fazer uma boa iguaria, tinha-se o prazer de mandar um quinhão para o vizinho, para que provasse o quitute, em que pela manhã ou outra hora do dia dirigia-se ao outro com uma saudação. Por estes motivos presto esta homenagem aos meus vizinhos, aos quais como garoto levado dei muito trabalho devido a minhas estripulias, que até hoje são recordadas pelos mais antigos quando me encontram. Mas só que tudo era feito com o devido respeito; caso contrário, podíamos contar com surra ao chegarmos em casa. Não poderei deixar de incluir nesta homenagem alguns moradores da Ladeira São Cristóvão e os da antiga Praça do Trabalho e da avenida Capixaba. Na subida da ladeira, moravam as famílias Carvalho, Canossa, do Sr. Zezinho, que era proprietário de um caminhão de aluguel, e à tarde, quando retornava para casa, esperávamos o caminhão na altura do mercado e vínhamos na maior farra em cima da carroceria. Casado com dona Santinha e com ela teve os filhos Frederico e Janete. Geralmente a turma era composta por mim, César e Zé Luiz Mendonça, José Cláudio (meu irmão) Délio e Dório Fraga, Armando Bortoluzzi, Aron, Tuquinha, Marinho Monjardim e Saul. Depois da casa do Sr. Zezinho, vinha a casa do Sr. Patrício de Freitas e sua esposa, dona Antonieta. Este casal possuía dezoito filhos, dentre eles, Adelaide (professora), Norma, Zilda, Terezinha, Marilda, Antônio (morador até hoje no mesmo local), Américo, Aminthas, Madalena e ainda criavam um neto chamado Kibal, que morreu muito jovem no Rio de Janeiro. Já a viúva, dona Cely, era inspetora de alunos na Escola Normal Dom Pedro II e mãe de Colmar Firme Coutinho, que foi alto funcionário do Banco do Brasil, e das gêmeas Odaléia e Terezinha e mais Djalminha, o maior broto que Vitória já possuiu, uma espécie da "Garota de Ipanema" em estilo muito melhorado. Hoje é casada com o meu colega de infância Danilo Rebuzzi e com ele mora no Rio de Janeiro. O seu vizinho, seu Marangoni, um italiano, era deficiente visual e vendia balas nas portas dos cinemas de Vitória, donde tirava o sustento de sua família, composta de três filhos, pois era viúvo. Mesmo com todas deficiências encaminhou seus filhos na vida: Alice, Lucier e Ronaldo. Logo acima moravam os familiares da esposa de Argilano Dario, sua cunhada Ignaura, Carmem e Clodoaldo. Este, funcionário da Vale do Rio Doce e um grande zagueiro, integrou a seleção Capixaba de Futebol e jogou no Bonsucesso FC do Rio de janeiro. Bem mais para o alto, morava o Sr. Eduardo Ribeiro, o Sr. Dudu, funcionário do IBGE, casado com Dona Aurora, pais do jornalista e radialista, Eduardo Ribeiro; Sr. Cassiano Candeia morava com seus filhos Cassiano (Cassissi), outro bom zagueiro que formou a zaga do escrete capixaba nos anos 50. Era Sargento e professor de Educação Física formado pela Escola Superior de Educação Física do Exército. Euvécio militava no setor gráfico e José, reformado do Exército, como sargento. Dona Amelinha, viúva e servente do Grupo Escolar Jerônimo Monteiro, morava com os filhos Nilton, o miúdo, Nélio, o Graúdo, Tuquinha, Tutuía, Iara e Dondoca. O detalhe é que ali ainda existem jaqueiras centenárias e que até hoje oferecem um espetáculo pela dimensão de seus troncos avantajados. Joaquim era um pernambucano que fumava charuto da hora que acordava até a hora de dormir. Fazia abastecimento de navios e tinha uma grande banca de frutas e legumes no Mercado da Capixaba. Era gente finíssima. Os dois últimos moradores eram o Sr. Manoel Cândido Ribeiro, casado com dona Adalgisa, aposentada do Jardim da Infância Ernestina Pessoa, com quem tinha os filhos Verdionar, Eduardo, o seu Dudu, e Dazinha. O seu Manoel era proprietário de uma lancha que fazia reboques de batelões, chatas, saveiros e sendo a sua principal função rebocar as toras que eram desembarcadas da Estrada de Ferro Vitória-Minas e jogadas n'água de onde eram transportadas para a serraria do Sr. Hermes Carloni, ali na avenida Capixaba e que dava fundos para o mar da baía de Vitória. A balsa, formada por toras, atingia o número às vezes até de cem. Já a dona Adalgisa, antes de seguir para o trabalho, preparava os gostosos bolinhos de arroz, feitos em forno de barro e aquecidos por lenha. Seu modo era todo especial no preparo; depois de pilado em pilão de pedra, o arroz era fermentado e levado para assar com o sabor de erva-doce. Seu formato era de uma empada. E valia a pena subir o morro toda manhã para comprá-los. Vinha gente de toda parte de Vitória para adquiri-los. Jamais comi bolinho de arroz fermentado como o que dona Adalgisa preparava. Quem teve a felicidade de comê-los que o diga. O Sr, Pinto era outro "portuga" morador da capixaba. Casado com dona Carolina, era pai do Abílio Pinto, hoje funcionário aposentado do Banco do Brasil como caixa. Bem no alto do morro da Vigia morava o Sr. Paulo, que tinha o apelido de "Paulo Cagão" e, quando assim era chamado, podíamos nos preparar para uma carreirona. Por de trás da Capitania dos Portos tínhamos a Academia de Comércio de Vitória. Além do Sr. Alfredo Filgueiras, que era o diretor, integravam seu corpo docente seus filhos: Nazinha, Nenzinha, Josué e Emílio. Cada um melhor do que o outro. Disciplina e respeito era o lema da escola, que funcionava em sistema também de internato e que teve alunos como: Henrique Pretti, Sante Provedel e seu irmão, Aldo, José Castro e outros. Teve como alunas, entre outras, Terezinha Zelma, viúva do Dr. Carlos Messina, Alda Lomba, Úrsula Maia Musso, viúva do Sr. Hugo Musso. Estas eram componentes de um grande time de voleibol. A academia foi a primeira a funcionar em horário noturno, dando chance a muitos funcionários que trabalhavam durante o dia de concluir seus cursos, como aconteceu com o Sr. Argilano Dario, que era um humilde garçom de bar e formou-se como contador, abriu um escritório, e depois entrou para a política, tornando-se famoso no Brasil. Outros melhoraram de vida graças às aulas noturnas. Hoje ali funciona a Escola de 1° Grau Gomes Cardim, que já funcionou anexa ao Ginásio Espírito Santo, no prédio onde está instalada a FAFI. Que mesmo não tendo a tradição do Ginásio Espírito Santo, onde pelo menos dois ex-governadores, Christiano Dias Lopes e Arthur Carlos Gerhardt Santos, se formaram nele, além de centena de pessoas importantes do passado e da atualidade também ali estudaram. No entanto, a FAFI de um passado recente e sem a história do Ginásio do Espírito Santo, transformado mais tarde em Colégio Estadual, vivem no esquecimento. Coisas do nosso Estado. 

 

 

Fonte: A Ilha de Vitória que Conheci e com que Convivi, vol. 6 - 2001
Autor: Délio Grijó de Azevedo
Compilação: Walter de Aguiar Filho, abril/2019

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