DIA-A-DIA NO BONDE

Editor: Morro do Moreno - publicada: 01/12/2010

Mulher não viajava nos estribos do bonde. Se o veículo estivesse lotado e não houvesse lugar para ela sentar, quase sempre alguém se levantava, comportamento muito próprio da época. Caso isso não acontecesse, viajava em pé, entre os bancos.

A passagem do bonde custava, por pessoa, quatrocentos réis. A metade do percurso até Aribiri, em ambos os sentidos, custava duzentos réis. No reboque, considerada condução de segunda classe, pagava-se metade desses valores. Os estudantes gozavam, nas passagens, de um desconto de cinqüenta por cento controlados pela Companhia Central Brasileira de Força Elétrica com fornecimento de carteiras de passes destinadas a durar exatamente o período escolar de um mês. Para que esses passes fossem renovados, mensalmente o educandário dava o visto nas carteiras prestes a expirar, comprovando que os seus portadores realmente eram estudantes em atividade escolar.

Tripulantes e passageiros, pelos encontros constantes no vai-vém das viagens, acabavam se familiarizando uns com os outros. Da nossa parte gravamos os nomes e as imagens de alguns desses profissionais. Como condutores: João de Jaburuna, Maurício, Floriano – apelidado de Beija-Flor – e João Cabeção. Como motorneiro lembramos Alarico, residente em Aribiri e conhecido por ser um nordestino muito falante e também pelas suas meias-paradas dos bondes, favorecendo o embarque e desembarque de passageiros fora do ponto. O seu Hermínio, um fiscal sempre atencioso para com a clientela, retinha o veículo sob a sua responsabilidade se alguém mais distante necessitasse pegá-lo.

Se uns são lembrados pelos seus favores, outros marcaram ponto em sentido contrário. Nesse rol incluímos a figura pouco simpática, pelo menos para nós quando estudante, de um fiscal cujo nome não nos ocorre. Sabemos que tinha uma das vistas vazada e por isso, pejorativamente, era conhecido como Galo Cego. Entretanto, ninguém ousava chamá-lo pelo apelido, muito mais por respeito que por medo.

 

Fonte: Ecos de Vila Velha
Autor: José Anchieta de Setúbal


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