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Do coco nada se perde!

O coco é utilizado para diferentes tipos de pratos culinários, a água de coco é sempre lembrada para matar a sede, além de ser um eficiente soro hidratador, podendo ser usada como auxiliar no tratamento de doenças infantis e de organismos debilitados. O leite de coco é obtido através da polpa branca, carnuda e oleosa. Do bagaço, podem se produzir azeite, sabão, velas e até mesmo margarina. Capachos, passadeiras, sacos, broxas, escovas, redes, esteiras e estofados para carros são produzidos da fibra do coco, que envolve a parte carnosa.

Mas, não satisfeito, o capixaba inventou mais utilidades para o coco. Em Vila Valério, a fruta possui até data específica. Na última semana de agosto são três dias de festa. O município é o segundo maior produtor de coco do Estado, perdendo apenas para São Mateus.

Na Festa do Coco, a comunidade se mobiliza e coloca a imaginação em dia. As artesãs capricham na produção de vestidos trançados, tendo flores, acessórios, brincos, luvas, bolsas e sapatos confeccionados com fibras do tronco do coqueiro. Outras artesãs, fazem tapetes, cestos e bonecas. Quem faz doce come o tempo todo durante o preparo, é difícil enjoar de coco. Elas fazem cocadas de todo jeito: com abacaxi, abóbora, leite, banana. Vai ao gosto do freguês.

O coqueiro e seus frutos tem grande importância na vida e economia de várias populações. São cultivadas as variedade anão-verde, amarelo, vermelho e híbrido (anão x gigante). No ES, os municípios que mais produzem são, além de Vila Valério e São Mateus, São Gabriel da Palha, Colatina, Linhares e Pinheiros. No Estado, cultiva-se o coco-anão para a extração de água.

O coqueiro-gigante é uma planta que pode viver além dos 150 anos e chegar a 35 metros de altura. Dos 6 aos 9 anos de idade, a planta inicia a produção de frutos que se estabiliza aos 12 anos, com uma média de 70 cocos ao ano. O coqueiro-anão - introduzido no Brasil em 1925, vindo da Malásia - não alcança mais do que 10 metros de altura, o que facilita bastante a colheita. Essa espécie inicia sua frutificação no segundo ano após o plantio, apresentando maior produtividade: cerca de 200 frutos/ano por pé. Em compensação, vive apenas 20 anos.

Ninguém sabe ao certo a origem do coqueiro. Uns dizem que vem da Índia, outros que é proveniente das Ilhas do Pacífico e alguns ainda afirmam que o coco é africano. O certo é que no Brasil, o coco chegou em 1553 a bordo das embarcações portuguesas, vindos das ilhas de Cabo Verde. Na época, foram logo descobertos pratos típicos e variados como vatapá, caruru de folha, efó, xinxim, arroz-de-hauçá e até mesmo a moqueca (não a capixaba!). Entre os doce, baba-de-moça, cocadas, quindim, creme-do-homem, beiju molhado, cuscuz de tapioca, bolos, mingaus, xerém e munguzá.

Fonte: Revista Século.

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