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Do fruto que Nosso Senhor tirou do seu cativeiro

Glorificação de Anchieta - de Lucílio de Albuquerque - Museu da Cidade, GB

Maravilhoso é Deus em suas obras! Por estes meios tão estranhos veio ele rodeando a execução de sua divina predestinação de três almas que para si tinha escolhidas.

A primeira foi de um menino que, por não ser legítimo, uma velha sua avó o enterrou vivo, como o tem por costume fazerem aos tais. O irmão [José] ouviu por acaso falar nisso a umas mulheres e perguntando onde o tinham enterrado, o desenterrou, e tendo passado mais de meia hora o achou vivo e o batizou, e com muitos rogos alcançou de algumas Índias lhe dessem de mamar, porque todos tinham nojo dele. Viveu com isso algumas semanas e foi-se para Quem o tinha escolhido, para tanto bem.

A 2ª foi de uma menina a qual batizou por estar in extremis (nas últimas).

A 3ª vez foi de um Índio, que seus contrários [adversários] queriam matar em terreiro, com suas festas acostumadas. Acontecia isto em outra aldeia duas ou três léguas daquela em que ele estava. Teve novas destas cruéis e bárbaras festas e começou a entrar em consideração se estava obrigado a acudir àquela alma, que parece estava em extrema necessidade espiritual. Por outra parte, punha-se-lhe diante dos olhos, o evidente perigo de vida a que se expunha diante dos olhos, por haver de ir só e sem companhia de quem o defendesse - por seu hóspede estar ausente - e ainda mais com a incerteza de conseguir o intento que pretendia. Todavia, vencendo o amor do próximo ao próprio e natural, posposto todo o temor, non faciens animam suam pretiosorem quam se, (não considerando aquela alma mais preciosa que a si) se resolveu esperar somente na Providência divina, para acudir àquela alma rompendo por tudo [largando toda dúvida]. Favoreceu Deus tão santa determinação. Chegou à aldeia sem perigo, os Tamoios deram-lhe lugar, com toda a sua fereza para falar com ele. Deu-lhe notícias das coisas necessárias para sua salvação conforme a estreiteza do tempo. Obrou Deus interiormente e desejou ser cristão. Batizou-o logo e feito filho de Deus foi morto pelos filhos de Satanáz e sua alma foi recebida por Aquele que ex útero matris ejus (do ventre materno) o tinha segregado para tão ditosa ventura e sorte. O Irmão se tornou [voltou] para sua aldeia sem perigo e mui abundante consolação em sua alma por ter ganhado para Deus, com tanto custo seu, aquela alma, que fora comprada com o sangue de seu Unigênito Filho.

Com estes bons sucessos se lhe fazia mais tolerável o seu cativeiro, o qual como disse, durou quase três meses. Ao cabo dos quais, concluídas e confirmadas as pazes, entrando já os Tamoios seguramente e como amigos, na capitania de São Vicente, se determinaram os que para lá iam de o levar consigo, como levaram numa canoa de casca. No cabo da jornada lhes deu [caiu] um tal tormenta que nunca o Irmão até então, - como ele dizia-, viu a morte tão perto, mas, pela misericórdia do Senhor depois de sete dias, porque eram vinte e seis léguas de caminho, chegaram a São Vicente. A vista do Irmão [Anchieta], encheu-se de alegria não somente o Pe. Nóbrega e os Nossos, mas a toda a capitania, porque era mui amado por todos e com aquela empresa os tinha a todos mui obrigados e - por seu respeito - trataram muito bem e agasalharam aos Índios que o levaram.

 

Fonte: Anchieta: um santo desconhecido? – 2014
Organização: Padre Illário Govoni
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2020
Onde comprar o livro: Santuário de Anchieta, Anchieta/ES ou Marques Editora, Belém-PA

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