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Doação da ermida aos Franciscanos

Capa do Livro: O Convento de N. Senhora da Penha do Espírito Santo - Ano 1958

Depois da morte de Frei Palácios, a ermida de Nossa Senhora da Penha ficou a cargo de alguns devotos e amigos do falecido, que se incumbiram de sua conservação. Entre eles destaca-se Nicolau Afonso, que ajudara também a Frei Palácios na construção. Informa Frei Apolinário que executou algumas obras: - "acrescentou a capela em redonda" e ornou-a custosamente, donde resultou uma "obra graciosa", no dizer de Fernão Cardim. Podiam então caber nela umas trinta pessoas. A escritura, porém, que logo adiante transcrevemos, atribui esta forma aos moradores em geral.

Continuavam também as romarias da parte do povo em geral e, em particular, dos navegantes a pedir ou agradecer a Nossa Senhora boa viagem.

Em 1573 para lá foram em romaria os Jesuítas dar graças à SS. Virgem depois de salvos do naufrágio que sofreram na foz ao Rio Doce, e o já citado Jesuíta P. Fernão Cardim escreve, em 1585: "A capela é de abóboda pequena, mas de obra graciosa e bem acabada. Aqui fomos em romaria dia de S. André, e todos dissemos Missa com muita consolação".

O movimento religioso, todavia, não podia ser grande, por faltarem sacerdotes que permanentemente se encarregassem do culto e atendessem às necessidades espirituais dos romeiros. Esta situação precária durou dois decênios.

O segundo donatário da Capitania, Vasco Fernandes Coutinho, tendo notícia do grande bem que faziam os recém chegados Franciscanos nas partes de Pernambuco, dirigiu-se com muitas instâncias ao Custódio Frei Melchior de S. Catarina, que então se achava na Baía, pedindo Religiosos para sua Capitania. Tinha intenção de lhes entregar a Capela de Nossa Senhora da Penha. Ao chegarem os primeiros Franciscanos a Vitória, em novembro de 1589, o donatário já não estava entre os vivos, mas foram bem recebidos pela viúva, seu adjunto, oficiais da Câmara e principais da terra.

Não consta que os dois Religiosos tivessem dado qualquer passo para entrar na posse da Capela da Penha. Limitaram-se a escolher um terreno em Vitória e voltaram para Pernambuco. Sendo mandados pela segunda vez pelo mesmo Custódio, chegaram em fins de 1590 ou princípio de 1591, fizeram um recolhimento provisório e lançaram os fundamentos do Convento de S. Francisco.

Estavam as coisas neste pé quando as Autoridades de Vila Velha e Vitória resolveram realizar o antigo desejo de entregar a Capela da Penha aos Franciscanos. Fizeram-no por escritura de 6 de dezembro de 1591. Os dois Religiosos sabiam deste intento quando, em meados de 1590 tornaram a Pernambuco a fim de conferenciar com o Custódio e por isso trouxeram na volta autorização para aceitar a Capela, como consta na Carta de doação do Convento.

Desta escritura, liberal e ampla, se colige que os Franciscanos que vieram fundar Convento em Vitória deram a todos luminoso exemplo de virtude e que os moradores, por sua vez, tinham grande estima e sincero amor para com a Ordem franciscana. Outrossim, consta da mesma escritura que em 1591 já existia casa qualquer no alto do monte e diz a tradição que era unia modesta moradia no lugar onde ao depois se fez a casa de hospedaria.

Os dois Religiosos mencionados na escritura levaram em seguida o documento ao Rio de Janeiro para a doação ser confirmada pelo Administrador eclesiástico Bartolomeu Simões Pereira. É o que aconteceu a 7 de março do ano seguinte, isto é, de 1592. Diz o Administrador no seu Decreto que não somente confirma a doação, mas que também extingue a confraria que na capela funcionava desde o tempo de Frei Palácios, e que ninguém vá contra a escritura sob pena de excomunhão ipso facto.

A capela da Penha até a fundação do Convento

Franciscana era a capela de Nossa Senhora da Penha por fundação; franciscana ela se tornou em 1591 de direito pela escritura pública. Desde então, os filhos de S. Francisco incumbiram-se do culto, aumentaram a fábrica e transformaram-na em o célebre Santuário. E tanto amor tinham os frades a Nossa Senhora da Penha, que não ente Religiosos, de virtude pediam aos Superiores licença para no Santuário concluir seus dias, mas que entre as excelências da Província enumeravam a de ser ela defendida- por dois Santuários com imagem miraculosa de Nossa Senhora, o da Penha nas partes do norte e o da Conceição de Itanhaém nas do sul.

Coisa semelhante conta Frei Vicente do Salvador. O terceiro donatário, Francisco de Aguiar Coutinho, não quis fortificar a terra porque "dissera a Sua Majestade que tinha uma fortaleza na barra de sua Capitania que lha defendia, e não havia mister mais, e que esta era a ermida de Nossa Senhora da Penha que ali está.

Nos primeiros tempos depois da tomada de posse, os Franciscanos mandavam de Vitória dois Religiosos para dizerem a Missa todos os sábados. Mais tarde, estes Religiosos residiam no monte, mas em dependência do Guardião de S. Francisco de Vitória.

Continuaram os Religiosos a administrar a capela desta forma até 1639. Nesse tempo já existiam casas para romeiros e em volta do cimo da rocha havia um muro de resguardo até ao peito, para se fazer procissões.

Somente dois fatos extraordinários ocorreram neste intervalo de tempo que pertencem à sua história. O primeiro é a trasladação solene dos ossos de Frei Palácios, em 18 de fevereiro de 1609, para a igreja do Convento de S. Francisco de Vitória. Foi o dia de triunfo do Servo de Deus. Mas este acontecimento já registramos nas suas circunstâncias à página 24.

O outro fato importante é o processo que em 27 de julho de 1616 se iniciou sobre a vida e virtudes do santo fundador, a instâncias do Custódio Frei Vicente do Salvador e por ordem do Administrador eclesiástico Mateus da Costa Aborim. Depuseram muitas pessoas, entre as quais se destacam o capitão da Aldeia de Rerigtiba, morador na Vila Velha, ancião de 102 anos de idade, Frei João da Assunção, Guardião do Convento de S. Francisco, Lourenço Afonso, Gomes Fernandes, Brás Pires e outras. Todos atestaram a vida santa de Frei Palácios e alguns fatos reputados miraculosos. Os autos deste processo, que devia ser o início do de canonização (a que nunca se chegou e dizem que por falta de recursos para as custas), estiveram guardados no cartório (arquivo) do Convento de Vitória, e Frei Jaboatão afirma que deles teve a certidão jurada; mas hoje nem o original nem a certidão aparecem, ou porque se perderam ou porque descansam em lugar desconhecido, empoeirados e comidos pela traça.

No sobredito ano de 1639 foi eleito Guardião do Convento de Vitória Frei Paulo de S. Antônio e continuou no cargo até 1643. No tempo de seu governo fez muito para o engrandecimento da capela de Nossa Senhora da Penha: reformou-a toda, fazendo da capela existente capela-mor, levantando o corpo da igreja, guarnecendo a barra de azulejos e ampliando a pequena sacristia. Além disso calçou a ladeira para facilitar o acesso.'" Foi uma obra gigantesca em tão pouco tempo.

Desde então a capela da Penha tem o feitio que hoje apresenta e por isto doravante não a chamaremos mais capela, mas sim com o nobre título de Santuário. As suas dimensões são estas: corpo, 72x23 palmos; capela-mor, 23x 19 palmos.

As fontes históricas nada revelam sobre quantos altares se puseram no Santuário depois de todo acabado: Só muito mais tarde Frei Apolinário faz menção de um altar no corpo da igreja, lado da Epístola, em que se celebrava Missa, sem dizer quem o orago (S. Maurício?). Descreve ao mesmo tempo como se faziam as procissões: saía o préstito pela porta ao lado do Evangelho, rodeava o Santuário, entrava pela porta do coro no corredor lateral e tornava ao recinto do Santuário pela porta ao lado do sobredito altar.

Daí se infere que a capela nó corpo da igreja, que ora impede a passagem em volta do Santuário, e mais um altar lateral foram feitos depois de 1730, ignorando-se, porém, o ano. Em 1865, os oragos eram os seguintes: do Altar ao lado do Evangelho, Bom Jesus, do ao lado da Epístola, Sant'Ana, da capelinha, Nossa Senhora das Dores.

Depois de findar o seu tempo de Guardião em Vitória, Frei Paulo foi transferido para a Penha. Aí encontrou o Irmão leigo Frei Francisco da Madre de Deus, Religioso que, como ele, era modelo de virtudes. Terminaram as obras encetadas em 1639 e levaram na montanha uma vida de rigorosa penitência, vivendo ainda depois da morte na lembrança do povo como varões santos.

 

Fonte: O Convento de N. Senhora da Penha do Espírito Santo, ano 1965
Autor 1: Frei Basílio Rower
Autor 2: Frei Alfredo W. Setaro
Compilação: Walter der Aguiar Filho, março/2015

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