Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Dom João Intimado - Por João Baptista Herkenhoff

Catedral de Vitória

Em recente reunião da comissão Estadual da Verdade referi-me àqueles que sofreram gravames no período ditatorial, mesmo sem terem sido presos ou vítimas de tortura física. A tortura moral pode ser tão dolorosa quanto a que flagela o corpo. Relembrei episódio que teve como vítima o arcebispo D. João Baptista da Motta e Albuquerque. Ele foi intimado a comparecer ao antigo 3° BC, batalhão do Exercito situado em Vila Velha.

D. João Baptista, como D. Hélder Câmara e outros bispos brasileiros, entendia que a luta pela justiça e pela igualdade é uma luta cristã, como também é cristã a repulsa aos abusos contra a pessoa humana. Dentro da concepção de Cristianismo engajado cabia dar apoio às reformas de base, inclusive a Reforma Agrária.

Cabia denunciar, sem meias palavras, as afrontas que se perpetravam contra os presos políticos. No clima de caça às bruxas que se seguiu a 31 de março de 1964, o apoio da Igreja aos movimentos libertários recebia a etiqueta de subversão. Conseqüentemente. Via-se D. João Baptista como subversivo ou, no mínimo, complacente com a subversão.

Não podia haver tolerância para com os comunistas, os apoiadores do Comunismo e os que serviam ao projeto de transformar o Brasil numa nova Cuba.

D. João Baptista foi intimado para explicar, no batalhão do Exército, o que estava acontecendo na Arquidiocese de Vitória, onde padres pregavam um Evangelho político. Queriam que D. João coibisse o trabalho desses sacerdotes, que reprimisse o envenenamento da Religião por teses comunistas. Não tiveram coragem de atacar mais diretamente o prelado, mas alcançaram de forma contundente alguns de seus principais colaboradores.

Por que os inquisidores não foram à residência do bispo pedir esclarecimentos? Por que impuseram ao arcebispo locomover-se até o território do batalhão? A intimação para comparecer ao Batalhão de Caçadores, onde estavam ocorrendo processos sumários para punir comunistas, humilhou D. João.

Católicos e cristãos não católicos compreenderam que alguma coisa tinha de ser feita para demonstrar solidariedade ao arcebispo ofendido.

Um grupo de grande respeitabilidade social organizou uma sessão de desagravo ao arcebispo. O ato de reparação ocorreu no Colégio de Carmo, um estabelecimento de ensino de grande tradição, pertencente à Igreja e que seria extremamente audacioso invadir. O salão ficou literalmente lotado. A Polícia Política esteve presente, gravou tudo, mas teve de engolir a manifestação. Solicitaram que eu falasse desagravando D. João. Falei. Foi o discurso mais importante que proferi em minha vida. 

 

Fonte: Jornal A Gazeta, 23/10/2013
Autor: João Baptista Herkenhoff
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2013

Religiosos do ES

Anchieta, pela primeira vez no ES - Por Guilherme Santos Neves

Anchieta, pela primeira vez no ES - Por Guilherme Santos Neves

Se assim foi – e nada impede que assim fosse – partindo aquela nau de Caravelas a 29 ou 30 de novembro de 1553, aqui estaria entrando a nossa barra na tarde do dia 1º ou na manhã do dia 2 de dezembro

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

E o Ururau zarpou...

Com lenços e lágrimas, famílias desesperadas acenaram para os homens da província que foram sequestrados dois dias antes, durante a procissão de Corpus Christ nas ruas da cidade

Ver Artigo
Cronologia do Convento da Penha

Cronologia da história do Convento da Penha

Ver Artigo
A Construção do Convento da Penha (Parte II)

JABOATÃO não especifica o dia do lançamento da pedra fundamental; mas parece que já foi em fins do ano, pois em meados de 1652

Ver Artigo
A Construção do Convento da Penha (Parte I)

No ano imediato de 1651 o Custódio Frei Sebastião do Espírito Santo lançou a pedra fundamental nos alicerces

Ver Artigo
A Construção do Convento da Penha (Parte III)

Em1653, o Convento ainda não acabado recebeu de D. João IV uma ordinária do Rei

Ver Artigo