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Dom Pedro II e o Rio da Costa

O escritor Levy Rocha em seu livro Viagem de Dom Pedro II ao Espírito Santo, relata que Dom Pedro II pretendeu mudar o trajeto do Rio da Costa. Veja as observações de Dom Pedro II, lá no alto da Penha, sobre o Rio da Costa:

"Ao chegar à esplanada do convento" - escreveu o repórter do jornal do Comércio - "S. M. fez algumas observações sobre o rio da Costa, que, em seu movimento de águas, envia montões de areia sobre a barra, a ponto de prejudicá-la em seu fundo, e sobre o que mandou de próximo o nosso digno e ativo presidente fazer observações e exames pelo Major-de-engenheiros Monteiro Drummond."

O Imperador anotou essas observações:

"Rio da Costa, que entulha de areia o porto, entre a Penha e o Moreno - é preciso dar-lhe saída para o lado de fora do Moreno, e há pouco que rasgar: o plano de Drummond é do Capitão do Porto Gama Rosa, que importa em 9 contos e tanto, exige um açude que não será talvez preciso, podendo-se deitar pedra da Penha e do Moreno dentro do rio."

Já em 1832 o Major-de-engenheiros Luís D'Allincourt natural de Lisboa e falecido no Espírito Santo, onde prestou relevantes serviços, escrevera em relatório ao Ministro do Império, fazendo notar que a barra de Vitória, sendo boa por natureza e forrada geralmente de pedra, se vá por desleixo tornando má, por causa daquele rio. Concluía:"Tapando-se solidamente este medíocre trajeto, e rasgando-se o terreno baixo junto à fralda do Moreno pelo Sul, obter-se-á um novo leito para o rio."

O Correio Mercantil de 5 de junho daquele ano da visita imperial (1860), informou que o Coronel Jardim, do exame a que procedera no rio da Costa, reconhecera que de modo algum ele concorria para a obstrução do porto, e aconselhava o seu saneamento. Mas em julho do mesmo ano, o deputado Pereira Pinto, levando o assunto à Câmara Federal, contestava essa opinião. Punha-se ao lado do engenheiro Antônio Pedro Monteiro Drummond e evocava uma observação feita pelo oficial de marinha, Delfim de Carvalho "que tendo entrado em 1857 no porto de Vitória e voltando a ele em 1859 achou no seu fundo a diferença de uma braça para mais".

A escritora Anna Bernardes da Silveira Rocha, em 1990, no prefácio do livro Vila Velha de Outrora (de Maria da Glória de Freitas Duarte), escreveu:

"O Rio da Costa, serpeando próximo às casas, em busca do mar, entre o morro do Convento da Penha e o Moreno, até a Barrinha, alimentava o povo de peixes, siris, caranguejos, canivetes, camarões, berdigões e outros frutos do rio, muito rico em sustentar o manguezal totalmente desaparecido, enquanto o caudal de água doce se viu reduzido, hoje, ao valão da 3ª Ponte. Mudou-se a paisagem, mudou o nome, mudou-se o costume, mudou-se o rio que já não é.

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