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ENTREVISTA COM EDWARD DALCÂNTARA - 7/11/06
13/12/2010

Confira a entrevista com o Sr. Edward D'Alcântara, pesquisador com o melhor acervo de fotos de Vila Velha, fundador e membro da Casa da Memória.

Site: O senhor é de Vila Velha mesmo?
Edward: Eu nasci em Guarapari e vim para cá com menos de 3 anos, nasci em 1929 (dezembro de 29) e estou aqui há 74 anos, no mesmo endereço, na Toca. Antigamente os terrenos eram muito compridos e os irmãos todos construíram. Aqui tem mais 3 irmãos.

Site: O senhor veio para Vila Velha e trabalhou aqui durante sua vida toda?
Edward: Eu vim ainda muito pequeno, vivi sempre aqui, cresci em Vila Velha, peguei a época do bonde, peguei 3 enchentes em Vila Velha, inclusive eu tenho foto das 3 enchentes. Teve uma 4ª enchente que não chegou aqui, foi há poucos dias.

Aqui eu constitui família (5 filhos, 3 homens e 2 mulheres). Eles se formaram aqui. Um está morando em Brasília e uma filha está em Aracruz. Os outros estão aqui por perto mesmo.

Site: O senhor foi trabalhar em que área?
Edward: Logo que cheguei e me formei, uma pessoa de Vila Velha que não tivesse recursos para ir para outro estado tinha que fazer Direito ou ser funcionário do Banco do Brasil. Vaga para Banco do Brasil não tinha e estudar Direito... Eu nunca gostei de Direito. Então fiz um curso de Topografia, fiz um concurso no Estado em 1949 e fui aprovado.

Em 1950 fui designado para as florestas do norte do Estado. Lá em Linhares, São Mateus e Conceição da Barra. Ainda não existia a ponte, ela foi construída em 1954. Em 1950 eu já estava trabalhando e só existia mesmo a rua principal de Linhares. As outras ruas ainda não tinham. Era uma única rua. Ali os animais selvagens se aproximavam, tinha araras... A alimentação básica da gente na mata (a gente ficava acampado por 40 dias para medir as terras que o Estado estava vendendo) era caça. A gente levava tocinho para fazer banha, um pedaço de carne-seca e quando acabava a gente comia mesmo eram os animais de lá. Porque também até as mercadorias eram carregadas no lombo de gente e não no lombo de animais. Era tudo mato. Só existia uma estrada de Linhares a São Mateus que acompanhava a Lagoa Juparanã por 40 quilômetros mais ou menos.

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