O Sr. Fernando de Oliveira, atual chefe da Biblioteca Municipal de Vila Velha (Titanic), foi Secretário de Cultura em Vila Velha e inseriu a Festa de Penha no calendário de eventos nacionais junto è EMBRATUR. Atualmente com 72 anos, é escritor, poeta, músico, orador e nos concedeu a entrevista a seguir.
Site: O sr. é de Vila Velha mesmo?
Fernando: Sou de Viçosa, Minas Gerais. Meu nome é Fernando Antônio de Oliveira. Vim por uma contingência assim: Papai foi pai de 10 filhos. Mamãe morreu muito nova e me deixou com 7 anos. Papai casou-se novamente, ele era muito jovem e foi pai de mais 8. Família mineira antiga, sabe como é, né?
Fui criado pela madrasta, e não sei se é uma constante, mas a verdade é que madrasta raramente se dá bem com os enteados. Então ela puxava para os filhos dela. Deixava a gente em segundo plano.
Um irmão dos 10 filhos de mamãe, (estão todos vivos, este com 85 anos), ele já morava aqui no ES e me chamou pra cá. Eu vim em 1948, com 14 anos. Daqui ele me mandou para o Rio de Janeiro. Por incrível que pareça: saí da terra da maior escola de agricultura, hoje é Universidade, na época era uma escola superior de agricultura. Saí de Viçosa para fazer agricultura no Rio de Janeiro. E voltei. Quando eu volto em 1952, sou imediatamente convocado para servir o Exército Brasileiro. Assim eu vim aqui para o 38º BI e no dia seguinte me mandaram com outros colegas de volta para o Rio de Janeiro. Foi uma experiência muito gratificante porque eu fui servir no Batalhão de Guarda Presidencial, na época de Getúlio Vargas.
Site: Então assim o sr. começou a conviver com a política.
Fernando: Exatamente. Eu já tinha essa veia de querer estar perto de políticos. Eu então tirava guarda no Palácio do Catete, que era o Palácio Presidencial e aproveitava para ficar conversando, agradava um, agradava outro para ficar ao lado daqueles antigos, Oswaldo Aranha, Negrão de Lima, que foi Governador da antiga Guanabara, hoje, Rio de Janeiro.
Eu vi nascer em mim o gigante que estava morto, que nunca tinha existido na verdade, mas que tinha uma raiz interna dentro de mim, eu comecei a perguntar as coisas. Teve um também, Tancredo Neves. Assim despertou em mim aquela vontade de participar do mundo da política.
Servi o exército de guarda, mas não servi só lá não. Eu servi também no Ministério da Guerra, no Conselho de Segurança Nacional, no Arsenal de Guerra, na CRIFA. Crifa é um lugar onde ficavam os incapazes: Comissão de Readaptação dos Incapazes das Forças Armadas.
Site: Onde era a CRIFA?
Fernando: Em Lins do Vasconcelos, no Rio de Janeiro. Eu até gostava muito de tirar guarda lá porque a comida era boa e no quartel não era, era sopapo.
Venceu o meu tempo, que modéstia à parte eu tirei sem nenhuma mancha. Nós tirávamos guarda 24 horas por 48 horas de descanso, mas nas 24 horas que eu tirava guarda, era dureza que a gente pegava, ia dormir à meia noite e às 4 da manhã já estava tirando guarda outra vez.
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