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Entrevista Ex-Interventor João Punaro Bley. A Era Vargas no Espírito Santo

General Punaro Bley, entrevistado aos 81 anos de idade

No dia 3 de outubro de 1930, eclodia uma revolta no Rio Grande do Sul. Tratava-se de uma ruptura da política do "café com leite" que, durante muitos anos, sustentara o poder da oligarquia de São Paulo e Minas Gerais. Era o fim da República Velha. Recebendo o poder em 3 de novembro, das mãos da junta pacificadora, Getúlio Vargas foi concentrando em suas mãos as decisões políticas e econômico-financeiras. Governou sem constituição até 1934, ano em que foi eleita a Assembléia Constituinte. O governo constitucional durou até 1937, quando Getúlio Vargas desfechou um golpe de Estado para evitar a vitória da oposição nas eleições que seriam realizadas em 1938. Governou com plenos poderes até 1945, sob a égide do Estado Novo, quando, pressionado pela campanha de democratização, convocou eleições gerais. Iniciava-se, pois, a Segunda República.

Para o Governo do Espírito Santo, Getúlio Vargas, de 1930 a 1943, contou com a colaboração de um competente militar, fruto do tenentismo, braço armado da revolução, que se originou da cisão de jovens oficiais. João Punaro Bley, nasceu no Estado do Paraná, em 14 de novembro de 1900. Pertenceu, durante 7 anos, à guarnição de Curitiba, onde integrou o conselho revolucionário local. Nomeado interventor do Estado do Espírito Santo em 1930, foi eleito governador constitucional em 1935 para, em 1937, ser nomeado interventor. Dois anos antes de Vargas encerrar seu mandato no comando do país, Bley deixou o governo do Espírito Santo. Assim, permaneceu mais de 12 anos seguidos no comando do Estado.

Aos 81 anos de idade, duas semanas antes de sua morte, o General João Punaro Bley concedeu, em sua residência, no Rio de Janeiro, a seguinte entrevista a João Eurípides Leal e Fernando Lima Sanchotene, do IJSN:

 

REVISTA: General, conte como foi que o senhor tomou-se interventor do Espírito Santo?

BLEY: Cursava eu o 2º ano da Escola do Estado Maior, em Andaraí, Rio de Janeiro, quando, na madrugada de 4 de outubro de 1930, tomei conhecimento da eclosão de um levante, de grandes proporções, sob o comando, no sul, de Getúlio Vargas; em Minas, de Olegário Maciel; na Paraíba, de Juarez Távora. E, na tarde do dia 6 de outubro, recebi um ofício contendo os seguintes termos: "Senhor Capitão Bley, apresente-se ao General Chefe do Departamento de Pessoal, a fim de seguir, ainda hoje, para o Espírito Santo, com o Coronel José Armando". Contrariado, apresentei-me a meu novo comandante, no Ministério da Guerra.

REVISTA: Por que contrariado?

BLEY: Eu não conhecia ninguém no Estado. Desejava ser escalado para destacamentos que fossem enviados para o sul, onde poderia solidarizar-me com meus antigos companheiros e passar, pela deserção, para o lado revolucionário. Pois bem. Dirigi-me para o navio que deveria nos conduzir a Vitória. Fui informado que nosso destacamento seria constituído de apenas 8 oficiais e 13 sargentos, compondo a tropa do 3º Batalhão de Caçadores (3º BC) da Polícia Militar do Estado e alguns batalhões patrióticos que estavam sendo organizados pelo Governo do Estado. Entre os oficiais, tive a satisfação de encontrar dois velhos camaradas da guarnição do Paraná: o Tenente de Engenharia Sady Martins Viana e o Tenente de Infantaria Celso Lobo. O navio partiu no dia 8 de outubro. Na viagem fui conversar com meu comandante José Armando sobre minhas antigas vinculações revolucionárias. Disse-lhe que não desejava enganá-lo e que, na primeira oportunidade, eu passaria para o lado das forças revolucionárias. Ele respondeu-me: "Em Vitória, estudaremos melhor o seu problema de consciência". Informei aos tenentes Sady Martins e Celso Lobo sobre tal conversa. Chegamos em Vitória no dia 10 de outubro, sendo recebidos pelos nossos camaradas do 3º BC, entre os quais o major Flavio Augusto do Nascimento, meu primeiro instrutor de Infantaria e o primeiro-tenente Carlos Marciano de Medeiros, meu contemporâneo. A situação estava alarmante. O Presidente do Espírito Santo, Aristeu Aguiar, atravessava uma fase de impopularidade tremenda devido principalmente ao chamado "massacre de 13 de fevereiro".

REVISTA: Que massacre foi esse?

BLEY: Aconteceu no dia 13 de fevereiro de 1930. A Aliança Liberal promoveu um comício em Vitória, nas escadarias do Carmo. Após vários discursos incendiários, a polícia do Espírito Santo atirou no meio da multidão, matando 4 pessoas e ferindo outras tantas. Isso mostra o despreparo da polícia e a deterioração do governo.

REVISTA: Como estava a situação da polícia do Espírito Santo?

BLEY: O 3º BC contava com efetivos reduzidos, estava mal armado, havia poucos oficiais fiéis à legalidade. A maioria dos oficiais estava francamente favorável à revolução. Dentre estes destacavam-se o Tenente Euclides Lins, Intendente e representante da revolução, e o Tenente Carlos Marciano de Medeiros. Na Polícia Militar o ambiente era ainda pior. Havia apenas duas companhias sediadas uma em Cachoeiro do Itapemirim e outra em Colatina. O próprio representante da corporação junto ao Quartel General, Tenente Nicanor Paiva, não escondia sua simpatia pela revolução. Havia dois "batalhões patrióticos" constituídos por operários recrutados por empreiteiros de estradas de rodagem sob promessa de roupa, alimentação e soldo problemático.

REVISTA: Estava portanto preparado o terreno para uma revolução?

BLEY: Três colunas mineiras ameaçavam invadir o Espírito Santo. Uma, agindo no eixo Iguaçu, Guaçuí, Alegre e Cachoeiro de Itapemirim, sob o comando do Capitão Joaquim Magalhães Barata, estava formada por elementos da Polícia Militar de Minas e por civis recrutados por chefes políticos locais como Fernando de Abreu, Genaro Pinheiro, Dermeval Amaral, Adílio Valadão e outros. A outra, ao norte, mais numerosa, comandada pelo Coronel Otávio Campos do Amaral, da Polícia Militar de Minas Gerais, era constituída por policiais militares esse digno e honrado camarada para um levante do 3º BC. Ele sempre foi extremamente legalista. Decidimos então adiar o levante do 3º BC. Enquanto os tenentes Carlos Medeiros e Euclides Lins continuavam o movimento de desagregação do 3º BC, os tenentes Sady Martins Viana e Celso Lobo seguiram para Cachoeiro com instrução para facilitar a ocupação daquela cidade pela coluna Magalhães Barata. Ao Tenente Marroig, que representava o Capitão José Armando em Colatina, foi recomendado para não opor nenhuma resistência à Coluna do Coronel Otávio Campos do Amaral. Enquanto isso, as tropas mineiras, já organizadas, aproximavam-se da fronteira com o estado. Pela manhã do dia 16, o presidente do Estado, Aristeu Aguiar, considerando a situação perdida, abandonou o palácio, com sua família, seguindo para a Europa, num cargueiro italiano - o Atlanta. Nesse mesmo dia, a Coluna Barata ocupava Cachoeiro de Itapemirim, sem quaisquer resistências. Propus então ao Coronel José Armando que assumisse o governo revolucionário rompendo com o governo federal. Esse concordou e passamos a acertar os detalhes, marcando, afinal, sua posse. Quando já chegávamos no portal do palácio, fomos interceptados por um mensageiro do telégrafo local que trazia um recado do palácio do Catete chamando o Coronel José Armando para uma conferência urgente. Insisti para que ele não atendesse tal convite e assumisse a interventoria revolucionária como havíamos combinado. Ele porém respondeu-me: "Vamos ver primeiro o que é que o governo quer". Partimos, pois, para a sede dos Correios. No outro lado da linha telegráfica estava o próprio Ministro da Guerra, General Nestor Sezefredo dos Passos. Ao nosso lado, preparado para receber a mensagem, o telegrafista João Gualberto de Almeida, simpático à causa revolucionária. Numa rápida mensagem, o ministro determinava ao Coronel José Armando que, em nome da Presidência da República, assumisse o governo legal do Estado e intensificasse a resistência contra o movimento revolucionário. Finalizando, felicitou-o "por sua promoção a General de Brigada". Voltei a insistir com o Coronel José Armando para que assumisse o governo revolucionário e não acatasse a ordem recebida. Ele limitou-se a dizer-me que já estava muito velho para perder aquela oportunidade de promoção. Por isso iria cumprir a missão que acabava de receber do Ministro da Guerra. Acompanhei-o até o palácio para cerimônia de sua posse. Era dia 16 de outubro. Depois da cerimônia ele me convidou para comandar a polícia. Respondi-lhe:

"Coronel, fiz tudo o que era possível para o senhor não assumir o governo legal, pois tinha certeza de que sua promoção era uma armadilha e que seu governo deveria durar no máximo 48 horas. Assim, com sua permissão, peço licença para reunir-me com nossos camaradas da Coluna Barata que, a essas alturas, deve estar ocupando Cachoeiro de Itapemirim". Contando ainda com nossa antiga camaradagem, solicitei dele uma viatura. Ele colocou à minha disposição um automóvel de linha da Estrada de Ferro Leopoldina. Segui viagem em direção a Cachoeiro de Itapemirim lá chegando no mesmo dia - 16 de outubro - por volta das 18 horas. A cidade estava ocupada pela Coluna do Coronel Barata. Convenci-o de que não havia necessidade de marchar contra a capital, pois esta já podia ser considerada reduto revolucionário. Assim ficou combinado que ele iria combater as forças legalistas em Campos, Estado do Rio de Janeiro. Retornei a Vitória em noite fria, chegando a meu destino às 5 horas da manhã do dia 17. No palácio, encontrei o Coronel José Armando e outros oficiais em preparativos para abandoná-lo e recolherem-se ao 3º BC para oferecer resistência, uma vez que haviam sido informados de que a Coluna Amaral ocupara Colatina e marchava livremente em direção a Vitória. Tentei demover o Coronel José Armando da idéia de resistir, dizendo-lhe que haveria um derramamento de sangue inutilmente. Em contrapartida, ofereci-me para ir ao encontro da Coluna Amaral com o propósito de impedir qualquer ato contra o 3º BC, o que foi aceito. Imediatamente parti com destino a Colatina. Chegando em Santa Tereza, dia 18, encontrei a população à espera dos revolucionários. Telefonei para o Tenente Marroig, representante do Coronel José Armando em Colatina. Por ele fui informado que a Coluna Amaral estava ainda em Baixo Guandu. Disse-me também que o Coronel José Armando mudara de idéia, decidindo resistir. Julguei inútil prosseguir viagem e regressei Vitória. Informado de que uma companhia do 3º BC, sob o comando do Sargento Davi, havia ocupado um entroncamento da Estrada Vitória-Colatina com a missão de parar a marcha revolucionária, fui ao seu encontro e o convenci a retornar ao quartel general. Nesse mesmo dia, pela manhã aportou em Vitória o navio Loyde Brasileiro, esperado pelas forças legalistas devido a reforços prometidos. Entretanto trazia apenas uns poucos engenheiros encarregados de dinamitar algumas pontes, na Ferrovia Vitória-Minas. Com tão reduzido reforço, foi intimado a permanecer ao largo e depois, com nossa conivência passou a receber a bordo o Coronel José Armando e alguns soldados que não haviam atendido ao apelo do Tenente Euclides Lins para aderirem a revolução. A cair da tarde, chegava a Vitória a Coluna Amaral. O Coronel Campos do Amaral trazia ordens do Presidente de Minas, Olegário Maciel, para constituir uma junta governativa revolucionária composta pelo Desembargador João Manoel de Carvalho e do jornalista Afonso Correia Lyrio e de um oficial do Exército. No dia 19, às 10 horas tomávamos posse perante grande multidão. No dia 24, recebemos comunicação de que o Presidente da República, Washington Luiz, havia sido deposto pela guarnição do Rio de Janeiro e que havia sido organizado uma junta militar para governar o Estado. No dia 3 de novembro, Getúlio Vargas tomava posse, como chefe do governo provisório, juntamente com Olegário Maciel Juarez Távora. No Espírito Santo o cargo de interventor estava sendo disputado por João Manoel de Carvalho, Afonso Lyrio e Geraldo Viana. João Manoel, que era, mais ativo, valia-se da amizade de sua família com João Pessoa para exigir que novo interventor fosse pelo menos ligado, à corrente de Jerônimo Monteiro. Diante dessa luta acirrada, a Associação Comercial de Vitória telegrafou ao Getúlio Vargas sugerindo meu nome para o cargo de interventor. Fui chamado ao Rio onde cheguei no dia 14 de novembro, dia do meu aniversário. Batista do Vale conduziu-me imediatamente à presença de Oswald Aranha. Esse foi logo me dizendo: "A política do Espírito Santo está muito confusa. O decreto de sua nomeação está pronto e assinado. Aguarde alguns instante que nós iremos até o Catete para apresentá-Io ao Getúlio". Assim, aos 30 anos de idade, fui nomeado interventor do Estado do Espírito Santo, pelo então chefe do governo Getúlio Vargas, credor da minha estima, sempre atento aos meus pedidos e solucionando os problemas que podia resolver.

REVISTA: Que dificuldades o senhor teve que enfrentar em seu governo?

BLEY: Encontrei o estado em difícil situação financeira. A dívida do Estado chegava a um total de 64.133 mil cruzeiros. O pagamento do funcionalismo, particularmente dos professores do interior, estava atrasado. Solicitei então um empréstimo de 4 milhões de cruzeiros ao governo federal.

REVISTA: Como surgiram as dívidas?

BLEY: Foram empréstimos feitos por Jerônimo Monteiro entre 1908 e 1912 para a construção do Porto de Vitória e da Ponte Florentino Avidos. Jerônimo Monteiro pegou empréstimos em dólar e franco para fazer o chamado Parque Industrial do Espírito Santo. Criou a usina de açúcar - Paineiras -, uma fábrica de tintas, fábrica de tecidos - Monte Líbano... Sonhou industrializar o Espírito Santo, mas fracassou inteiramente. Naquela época era uma aventura transformar o Espírito Santo em estado industrial. Não era como hoje.

REVISTA: Com a saída de Jerônimo Monteiro, o Espírito Santo foi governado pelo Coronel Marcondes Alves de Souza, que paralisou todas as obras...

BLEY: Paralisou porque não tinha dinheiro. A única coisa que o Estado fazia era arrecadar para pagar as dívidas. Depois tivemos o governo de Bernadino Monteiro que também não fez outra coisa a não ser pagar as dívidas.

REVISTA: Falando em Bernadino Monteiro, ele tinha uma desavença muito grande com Jerônimo Monteiro, não?

BLEY: Esses dois, que eram irmãos, brigaram por motivo político. Jerônimo Monteiro queria voltar ao Espírito Santo como governador. Bernadino Monteiro recusou a apoiar a sua candidatura e apoiou a candidatura de Nestor Gomes. A posse de Nestor Gomes foi debaixo de tiros. E foi no seu governo que o Espírito Santo levantou a cabeça, por causa da valorização do café. Mas o Espírito Santo, em vez de ganhar com isso, saiu perdendo, porque o Nestor Gomes não tinha programa de governo. Ele vivia de juros a juros. Nesta época, 1927, o país era governado por Epitácio Pessoa.

REVISTA: É verdade que Nestor Gomes morreu pobre?

BLEY: Ele movimentou milhões de cruzeiros. Atendeu milhares de amigos e morreu na maior miséria possível. As vezes ele não tinha 400 réis para tomar a média da manhã. Fui informado de sua situação quando ele estava internado na Santa Casa em Belo Horizonte. Então eu o removi para o sanatório. E lá permaneceu até a morte, sob a minha assistência.

REVISTA: Voltando à questão das dívidas do Estado, o senhor conseguiu saná-las totalmente. Como conseguiu?

BLEY: Quando assumi o governo, o Espírito Santo devia, em empréstimos de 1908 a 1912; 13,222 mil francos ao Banco Francês Italiano, 1.109,06 mil dólares ao Banco Italo-Belga, 50 mil libras esterlinas ao Banco Alemão Transatlântico... Então eu chamei cada um desses banqueiros e fiz a seguinte proposta: "Eu pago x se você fizer o contrato e me der a quitação". Todos aceitaram. Assim fiz uma economia de mais de 30 milhões de cruzeiros.

REVISTA: Como o senhor disse, grande parte dessas dívidas foi contraída para a construção do Porto de Vitória...

BLEY: A construção do Porto de Vitória foi uma das mais importantes realidades no meu governo. Elas foram iniciadas em janeiro de 1911 pelo governo Jeronimo Monteiro. Em agosto de 1914 foram paralisadas em virtude da situação econômica criada pela guerra européia. Em 1920, o governo federal suspendeu a garantia de juros a que se obrigava, após haver indenizado a companhia concessionária a qual ele devia. Em setembro de 1925 foi assinado o termo de entrega das obras ao Governo do Estado que assumiu o encargo de construí-lo. Em março de 1926, foram reiniciados os serviços da primeira seção. Em outubro de 1930, foram os serviços novamente suspensos em virtude da dificuldade financeira. Em 1935 foram reiniciadas. Terminadas em 1939, as obras foram inauguradas em janeiro de 1940, depois de 28 anos de trabalho e interrupções, num dispêndio de 26.436 mil cruzeiros, incluindo a Ponte Florentino Avidos. Quanto à segunda seção; em 23 de julho de 1937, o Governo do Estado contratava uma empresa brasileira para a construção de 300 metros linear de cais, com a profundidade mínima de 8,50 metros. As obras foram contratadas pelo preço fixo de 10.124.355 cruzeiros. Interrompidas em 1938, prosseguiram novamente até sua conclusão. Sua inauguração teve lugar em 19 de abril de 1942. Pelo relatório da comissão de tomada de conta e trabalho executado pela empresa, verificou-se que os serviços executados até 28 de fevereiro chegavam a 17.088.382 cruzeiros. Os pagamentos efetuados pelo estado até março de 1942 somavam em 12.343.192 cruzeiros.

REVISTA: E a linha férrea?

BLEY: No dia 11 de julho de 1941, realizou-se a solenidade de inauguração da linha férrea ligando as estações da Leopoldina e da Vitória-Minas ao cais do porto, custando ao Estado 506.112 cruzeiros.

Com as desapropriações, o Estado dispendeu a quantia de 5.961.654 cruzeiros.

REVISTA: E a Vale do Rio Doce, como surgiu?

BLEY: O Espírito Santo hospedou, em setembro de 1941, ilustres membros de uma comissão técnica econômica norte americana, chefiada pelo Dr. Wagner Ler Pirsun, presidente do "Export And Insport Banck", dos EUA. Vinham ao Brasil estudar e resolver, com as nossas autoridades, vários assuntos de comum acordo e de interesse entre as duas maiores repúblicas do continente. Entre eles, o problema da exploração do minério de ferro do Brasil. Foi graças à vinda dessa comissão e ao idealismo do Presidente Getúlio Vargas que nasceu a Companhia Vale do Rio Doce, que tanta influência econômica, financeira e social tem na vida do Espírito Santo e cujo desenvolvimento ainda não parou.

REVISTA: General, sabemos que o Espírito Santo é um estado essencialmente agrícola. E o senhor começou a governar em 1930, justamente quando havia uma grande crise no café. O que o senhor poderia nos contar a respeito da agricultura e especialmente do café, nesse período?

BLEY: No Espírito Santo só se plantava café. De 1931 a 1941, 93% da arrecadação do Espírito Santo era decorrente do café. O lavrador do Espírito Santo era viciado, ou é viciado, na cultura do café e não acredita na cultura rotativa. Todas as vezes que eu ia para o interior do Estado, recomendava ao prefeito que, em vez de discursos ou banquetes, marcasse uma reunião de lavradores para eu poder falar-lhes. Nessas reuniões eu sempre dizia que, sem abandonar o café, era preciso plantar todos os outros produtos, pois o Espírito Santo vendia o seu café e comprava de outros estados os demais produtos necessários à alimentação. Certa ocasião, um lavrador virou-se para mim e disse: ''Capitão Bley, café é um pé de ouro. Eu não abandono o pé de ouro para cuidar de outros produtos". Nossas exportações para outros estados da federação atingiram, entre 1931 e 1941, 1.142.382 cruzeiros. O café ocupa o primeiro lugar. Depois vem, com uma diferença enorme, a madeira. O cacau, o feijão, o milho, o arroz beneficiado quase não aparecem.

REVISTA: Que medidas foram tomadas no seu governo para incentivar a agricultura?

BLEY: Sem abandonarmos o nosso principal produto, o café, realizamos verdadeira cruzada em prol da policultura. De 1931 a 1942 foram dispendidos 15.905 mil cruzeiros com o serviço da agricultura, incluindo compra de máquinas, combate à saúva, aquisição de plantas e sementes, produções agrícolas, compra de materiais diversos, construção de fábricas de industrialização da mandioca, compra de material de laboratório, beneficiamentos as propriedades agrícolas, programas da escola prática da agricultura, etc.

REVISTA: A criação do Banco de Crédito Agrícola do Espírito Santo, que deu origem ao BANESTES, foi também parte dessas medidas que o senhor tomou para incentivar a agricultura?

BLEY: Obra iniciada em 1930, desenvolvida pela patriótica orientação do governo provisório, teve o Espírito Santo um marco expressivo, assinalado pela criação do Instituto de Crédito Agrícola do Espírito Santo, mediante decreto-lei 6.627, de 1935. Dificuldades posteriores determinaram a transformação desta primeira idéia do plano no atual Banco de Crédito Agrícola do Espírito Santo.

REVISTA: General, a queima do café na década de 30 faz parte das medidas para incentivar a policultura?

BLEY: Não. Eu sempre fui contra a queima do café, sempre me revoltei contra essa medida, embora eu fosse pessoa de confiança do Presidente da República. Nunca compareci às fogueiras do café do Espírito Santo. Nunca peguei uma tocha para queimar um quilo de café do Espírito Santo. Sempre achei um absurdo. Principalmente porque queimava-se 45% da safra do Espírito Santo para atender aos interesses do Estado de São Paulo. Não existia super produção de café no Espírito Santo. Toda a produção era exportada. Com a queima, fomos obrigados a tirar da exportação 45% do café para poder ser queimado. Queriam equilibrar estatisticamente uma planta destruindo o fruto, em vez de destruir a planta, quando todo o ano a planta dá o mesmo fruto. A inflação do Brasil começou aí, com a queima do café do Brasil. Além do mais, agiram da maneira mais injusta possível. O lavrador recebia apenas 5 cruzeiros por saca de café para ser queimado. Enquanto isso, o Departamento Nacional do Café gastava cruzeiros para segurar o produto que ia se queimado.

REVISTA: Quanto ao transporte dos produtos agrícolas, principalmente do café, havia muita dificuldade, não?

BLEY: O transporte do café da zona sul para Vitória, até a guerra, era feito por pequenas lanchas de 150 toneladas. Essas saíam da Barra do Itapemirim, tocavam em Piúma, depois em Anchieta, em seguida tocavam em Guarapari, chegando finalmente em Vitória. Mais tarde, pela via férrea.

Em 1932 visitei Guarapari pela primeira vez. Para chegar lá, tive de ir de automóvel até Araçatiba e de lá tomar um cavalo. Viajei a cavalo durante 4 horas. Por incrível que pareça, em 1930 não havia integração entre norte e sul. O sistema rodoviário era dividido em dois grupos totalmente independentes. Um no norte, constituído por uma estrada que saída de Vitória, passando por Santa Leopoldina, Santa Tereza e chegando em Colatina. Outro grupo saía de Cachoeiro do Itapemirim e ia para Alegre e Guaçuí.

Fiz a ligação Vitória a Cachoeiro de Itapernirim em 1934. No período compreendido entre 1931 e 1942, gastou-se com construção de estradas de rodagem a importância de 14.511.045 cruzeiros.

Não havia nenhuma estrada de rodagem ligando Vitória a São Mateus. A primeira vez que viajei para São Mateus, em 1932, parti de Vitória num automóvel que me levou até o final da estrada que liga Colatina a Nova Venécia. Esta tinha apenas 3 km de construção. Prossegui o resto da viagem a cavalo, levando dois dias e meio para chegar em Nova Venécia, viajando dentro da mata do Rio Doce. De Nova Venécia a São Mateus segui de trem, pela Estrada de Ferro de São Mateus. O trem, apesar de ser especial, descarrilhou 5 vezes. O transcurso de volta foi feito por mar, numa embarcação de 150 toneladas. Só não naufragou porque Deus não quis. Somente depois de 1940 é que consegui ligar Vitória a São Mateus. E observem que é o município mais antigo do Espírito Santo.

REVISTA: As pontes de Colatina e Linhares, quem as construiu?

BLEY: A ponte de Colatina é obra de Florentino Avidos. Foi construída para estrada de ferro e eu fiz uma grande reforma adaptando-a para estrada de rodagem, permitindo assim a penetração do norte do Rio Doce para Colatina. Quanto à ponte sul, a Getúlio Vargas, foi obra do Jones dos Santos Neves.

REVISTA: Essas obras foram importantes para o desbravamento. Foi no seu governo que se efetivou o desbravamento ao norte da margem do Rio Doce?

BLEY: O desbravamento do solo de Colatina começou no governo Avidos, através de uma companhia especial que loteou grandes áreas na região entre Colatina e São Mateus. Foi lá também que, no governo de Aristeu Aguiar, apareceu uma colonização polonesa, pessimamente preparada, tendo fracassado inteiramente. Depois, no meu governo é que começou a penetração mais importante.

REVISTA: General, falando em desbravamento, o senhor teve que enfrentar o problema de limite do Espírito Santo com Minas e com a Bahia.

BLEY: A questão do limite do Espírito Santo com a Bahia é a coisa mais estúpida que existe. Desde o tempo do Brasil Colônia, o limite do Espírito Santo com a Bahia era o Rio Mucury. Não sei por que cargas d'água, o governo do estado da época aceitou as ponderações do Estado da Bahia que dizia ser o limite 8 km para dentro do Espírito Santo. Então, em lugar de termos o limite natural, pelo rio, nós temos marcos de postes de cimento armado marcando a divisa.

REVISTA: E com Minas Gerais?

BLEY: O Espírito Santo teve duas questões de limite com o governo de Minas Gerais. Uma ao sul do Rio Doce, em 1914, quando o Espírito Santo perdeu dois municípios. A outra, ao norte, ficou em litígio durante algum tempo, pois a mata era virgem. A demarcação, conforme constituição, deveria ser pela Serra dos Aimorés, preenchida sua continuidade por linhas retas. Em nossas negociações de 1938, apesar de todos os esforços, não foi possível se chegar a uma solução conciliatória, pois a comissão de Minas negava a existência da Serra dos Aimorés. Foi então nomeada uma comissão do Serviço Geográfico do Exército para resolver a questão. Essa iniciou seus trabalhos em novembro de 1941, percorrendo minuciosamente a zona limite, a fim de determinar a posição da Serra dos Aimorés, reconhecendo finalmente que o Espírito Santo tinha direito sobre a zona contestada, com exceção feita a dois pequenos trechos, representando 5% da área total. Infelizmente, a política não deixou que o Espírito Santo ganhasse. Dr. Getúlio Vargas, com quem discuti este assunto minuciosamente duas vezes, virou-se para mim e disse: "Eu não vou decidir isto, porque não quero ser juiz entre vocês e o Valadares". Então eu respondi: "Bom, Presidente, o senhor pode fazer o que quiser. Pode até dizer que os limites de Minas Gerais são as dunas da costa do Espírito Santo no Município de Conceição da Barra. Pode dizer que a Serra dos Aimorés são as dunas das praias de Conceição da Barra. Mas eu não retiro nenhum destacamento do Espírito Santo. Enquanto eu for interventor do estado, o destacamento fica na zona que eu considero que é nossa".

REVISTA: No governo de Francisco Lacerda de Aguiar, em 1963, o Espírito Santo fez um acordo com o governo de Minas Gerais que era o Magalhães Pinto.

BLEY: E o Espírito Santo perdeu uma boa parte desse território, justamente a região mais rica.

REVISTA: General, fale-nos um pouco sobre os partidos políticos do Espírito Santo no período em que o senhor lá esteve.

BLEY: Até 1937, existiam no Espírito Santo dois partidos políticos. O PSD, que era do governo, e o partido da Lavoura.

REVISTA: Segundo consta, o PSD do Espírito Santo foi um dos primeiros a ser criado no país.

BLEY: Um dos primeiros. No meu tempo, não havia PSD nacional. Cada governo tinha o seu PSD regional. Só mais tarde, graças ao general Magalhães, foi criado o PSD nacional.

REVISTA: No Espírito Santo, quem criou o PSD estadual?

BLEY: Eu, Carlos Lindenberg, Francisco Otávio, Asdrúbal Soares, Oswaldo Guimarães... A Comissão Executiva era composta de umas 30 pessoas.

REVISTA: E O partido da Lavoura?

BLEY: Foi uma iniciativa de um grupo que tentava empolgar os agricultores. Mas esse partido foi imediatamente absorvido pelos políticos do Espírito Santo. Tanto assim que o presidente do partido foi derrotado nas eleições realizadas para a constituinte do Espírito Santo. Nessa eleição foram eleitos 3 deputados do PSD. Pelo Partido da Lavoura foi eleito apenas o Jerônimo Monteiro. Mas no dia do reconhecimento, ele faleceu repentinamente.

REVISTA: Em 1937 esses partidos foram extintos...

BLEY: Foram extintos. E no período em que governei o Espírito Santo, como interventor, de 1937 até 1942, a política foi abolida. Ninguém mais falava em política. Logo depois do golpe de 1937, o Partido da Lavoura desapareceu e surgiu em seu lugar a UDN. Apareceu também o PTB.

REVISTA: O PTB era forte?

BLEY: O PTB no Espírito Santo não tinha nenhuma importância. Ele não tinha nenhum deputado federal.

REVISTA: E os integralistas?

BLEY: O integralismo nenhuma expressão política teve, a não ser nos Municípios de Domingos Martins e Santa Tereza, porque ele só empolgou notavelmente as colonizações estrangeiras, ou seja, a italiana e a alemã. O chefe do Partido Integralista do Espírito Santo era Arnaldo Magalhães, aliás sogro do Jones dos Santos Neves. O secretário era o Padre Conciano Stanguer, que era, ao mesmo tempo, secretário do bispo do Espírito Santo, D. Luiz Escortejane. O integralismo nunca me deu trabalho e nunca representou força política no Espírito Santo.

REVISTA: E o Partido Comunista era forte?

BLEY: Era ainda mais inexpressivo, pois se limitava a um pequeno grupo de Vitória e outro de Cachoeiro de Itapemirim. Entre os chefes comunistas de Vitória, destacava-se um espanhol de nome Hugo Viola, que era fichado na polícia. Era um comunista interessante, pois era dono de uma série de pequenas propriedades, explorava o operariado e era dono de um cortiço enorme em Santo Antônio. E ele era o comunista "número um" de Vitória. Conclusão: a oposição no Espírito Santo nunca me deu trabalho. De modo que não posso reclamar da oposição no Espírito Santo.

REVISTA: E como foi sua eleição para governador?

BLEY: Foi em 1935. O governador era escolhido de forma indireta, pelos deputados estaduais. Na reunião da comissão executiva do PSD para a escolha da chapa, deixei claro que não desejava ser governador. Mas como não houvesse acordo entre os grupos, fui forçado a aceitar a candidatura. Nós tínhamos 16 deputados e a oposição tinha 9. Portanto minha vitória era tranquila. Algum tempo depois o Asdrúbal Soares foi conversar comigo dizendo que desejava ser governador. Eu lhe disse: "Olha, Dr. Asdrúbal, por que você não se apresentou na ocasião em que eu disse que não queria ser governador?" Ele respondeu-me: "naquelaocasião eu não tinha maioria; agora tenho, de maneira que vim pedir ao senhor para abrir mão de sua candidatura em meu favor". Eu repliquei: "Não posso fazer isto, porque a candidatura não é minha, é do partido. E eu não vou trair o partido". Ele passou para a oposição, arrastando consigo 6 deputados estaduais. Então ficamos com 15 deputados e eles ficaram com 16. Depois de consultar o Presidente da República, fiz um acordo com o Jeronimo Monteiro (que tinha 3 deputados e estava apoiando o Asdrúbal) para que ele ficasse no meu lugar. Ele aceitou. Ficamos então com 13 votos contra 12. Mas quando chegou na ocasião da eleição, o Deputado Carlos Medeiros discordou da candidatura do Jerônimo Monteiro. Fizemos então um pacto de honra no meu gabinete: o Jerônimo seria eleito no primeiro escrutínio e o Carlos Medeiros votaria nele próprio. Assim foi o resultado do 1º escrutínio: Jerônimo Monteiro: 12 votos; Asdrúbal Soares: 12 votos; Carlos Medeiros: 1 voto. Não houve, pois, maioria. No 2º turno fui eleito por um voto.

Em consequência do acordo feito com o Senador Jerônimo Monteiro Filho, tive que substituir vários de seus secretários que comigo trabalharam na 1ª interventoria por outros da corrente jeronimista.

REVISTA: Em 1943 Getúlio nomeou novo interventor para o Espírito Santo - o Jones dos Santos Neves. De 1943 a 1947 passaram pelo estado 5 interventores. Por que razão Getúlio substituiu os interventores?

BLEY: Não houve motivo especial e sim uma oportunidade. Quando foi criada a Companhia Vale do Rio Doce, o Ministro Souza Costa me convidou para Diretor Comercial da Vale. Então eu deixei o governo do Espírito Santo.

REVISTA: Em 1947 foi eleito governador Carlos Fernando Monteiro Lindenberg, também pelo PSD, permanecendo no cargo até 1951. O senhor acha que o Carlos Lindenberg foi um continuador do jeronismo no Espírito Santo?

BLEY: Sim. E eu sempre o apoiei. Acho que o Carlos Lindenberg seria meu substituto se não tivesse havido o golpe de 1937.

REVISTA: Entre 1951 e 1954 foi interventor do Espírito Santo o Jones dos Santos Neves (aliás ele fora interventor também entre 1943 e 1945).

BLEY: Na época que governei o Espírito Santo, o Jones dos Santos Neves prestou bons serviços como membro do Departamento Administrativo do Estado e do Banco do Espírito Santo. Quando eu ia deixar o governo, Getúlio me disse: "Você foi para mim um homem de uma lealdade a toda a prova. Eu quero recompensar você dando-lhe oportunidade de indicar para o seu lugar quem você quiser". Eu indiquei o Jones.

REVISTA: Ele foi um dos primeiros a planejar o governo aqui no Espírito Santo... O senhor poderia nos falar sobre o Jones como político e administrador?

BLEY: Aconteceu comigo o que acontece com todo o mundo: a criatura revolta-se contra o criador. Quatro meses depois de ele ser escolhido, ele começou a se retrair em relação a mim e eu acabei rompendo com ele. Quanto à sua atuação como governador, parece-me que fez um bom governo, mas eu não posso dar nenhum dado pois não acompanhei, visto que saí do Espírito Santo.

REVISTA: Ele se afastou um pouco, em determinada época, do Carlos Lindenberg, não?

BLEY: Ele se afastou de muita gente. Ele quis fazer um governo sozinho. Achou que devia renovar o Espírito Santo e se afastou de todos os antigos amigos dele.

REVISTA: Ele era do PSD?

BLEY: Ele nunca foi do PSD.

REVISTA: Ele perdeu uma eleição para governador.

BLEY: Perdeu por dois mil e tantos votos.

REVISTA: Dizem que a eleição foi fraudulenta.

BLEY: Dizem, mas não posso garantir.

REVISTA: Para terminar, gostaríamos de saber sua opinião sobre a tendência do Espírito Santo para os próximos anos.

BLEY: Numa carta que escrevi ao Deputa do Gerson Camata, eu disse a ele que só aqueles que não viveram nos períodos difíceis da vida do Espírito Santo não acreditavam no seu progresso. O Espírito Santo viveu sempre em crise e sempre venceu essas crises. Eu acredito no Espírito Santo. Acredito que ele será um grande estado. Principalmente quando funcionar a Usina Siderúrgica de Tubarão. Quando a primeira composição da Vitória-Minas chegou no Espírito Santo trazendo minério de Itabira eu disse que ninguém poderia impedir a vocação siderúrgica do Espírito Santo, e que mais cedo ou mais tarde, Vitória seria o grande centro industrial. A siderurgia no Brasil será colocada em um ponto do litoral onde encontrar o minério de ferro abundante e encontrar com o carvão, que é escasso. E qual é este ponto no litoral brasileiro? Vitória.

 

Fonte: Revista IJSN Instituto Jones dos Santos Neves – Ano IV Nº 2 -1985
Compilação: Walter de Aguiar Filho, abril/2021

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