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Entrevista: Memória Vilavelhense *

JVV: E o crescimento da Praia da Costa, como se deu?
Ubaldo Senna: Na época Vila Velha era cercada por manguezais, daí o cheiro de iodo que havia no ar. Separando a Praia da Costa, havia o canal natural, que chamava Rio Santa Cruz. Havia uma ponte de madeira, nos fundos da casa do Sr. Mascarenhas, na Rua Quinze de Novembro. Quando foi Prefeito de Vila Velha, o General Brandão fez o aterro, que é hoje Avenida Champagnat, com uma ponte em frente à garagem atual da Prefeitura, que foi destruída em 1960, na enchente.

O General Brandão achava que a expansão natural da cidade seria em direção da Praia da Costa. Na praia da Sereia o pintor, “Seu Gastão Roubach, com outros construiu o clube dos 40, recentemente demolido”.
No farol de Santa Luzia ficava o faroleiro Sr. Novais, avô de “Seu Reis”. No Morro do Moreno ficava o Sr. Clementino, cuja função era avisar hasteando bandeiras codificadas, qual o navio e a que companhia de navegação pertencia a embarcação que se aproximava do porto. De Vila Velha, em dias de boa visibilidade, dava para ver as bandeiras.

Do Morro do Atalaia, lá em Paul, ficava outro vigia de luneta interpretando as bandeiras do Sr. Clementino, e então avisava ao Porto de Vitória.

JVV: O Sr. Acabou indo para o Exército?
Ubaldo Senna: É, servi em Vila Velha, chegando a 1º sargento e pela Lei de Praia cheguei a Sb. Tenente. Quando eu era garoto ia muito passear em Piratininga. Lá só havia o forte de São Francisco Xavier, Peguei todas as fases de construção dos pavilhões do quartel, cujos empreiteiros foram os Srs. Barros e Verediano. Na garganta entre o Morro do Convento e a Uchuaria, onde ficava a guarita, morava um tal de Sr. Luiz Bucha. A banda do batalhão tocava no coreto da Praça da Bandeira.

Era a retreta, toda 4ª e domingo. Havia a missa na Igreja do Rosário e a seguir a retreta. Em volta da praça o pessoal ficava passeando, e era ali que muita gente arrumou namorada.

JVV: Na época da II Guerra o que acontecia em Vila Velha?
Ubaldo Senna: No batalhão ficou estacionado o 8º RAM – Regimento de Artilharia Montada. Instalaram canhões na velaria. Os cavalos pastavam lá para os lados do que é hoje o bairro Boa Vista. Para evitar o que foi feito com o Empório Capixaba em Vitória, com os bens de súditos do Eixo; o exército em Vila Velha vigiou os bens de uns alemães, dos Arens Lagens e de uma casa que morou o Sr. Alfredo, onde hoje é o BRADESCO.

As notícias da guerra vinham pelo rádio. De Vila Velha, do Batalhão, dos que foram na guerra, morreram o Cabo Ailson Simões, o Expedicionário Aquino e o Soldado Manuel Furtado. Na guerra, todo dia passava um dirigível de vigilância, um “Blimp” americano. Na época os alemães nazistas e os italianos fascistas eram vistos como poderosos que queriam dominar o Mundo.

JVV: E os comunistas?
Ubaldo Senna: Eram considerados quando apareciam uns “Bichos Papões”, e o partido uma “Seita do Demônio”.

JVV: E os espíritas?
Ubaldo Senna: A sede da União Espírita Cristã veio depois. Na época como quase todo mundo era católico, o espírita que aparecia era visto com reservas, como o “Seu João Ramirez” que morava perto do bar Piratininga.

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