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Escândalo em primeiro casamento inter-racial

Rosa Neves, 67, com a foto do casamento dos pais e a neta Sofia no colo

A tentativa de Hitler de manter a hegemonia branca nos trópicos foi em vão. Nos primeiros anos do pós-guerra, a realidade nas colônias já era bem diferente da verificada pelos cientistas Giemsa e Nauck. A miscigenação entre alemães e outros grupos raciais foi inevitável.

Em Domingos Martins, o primeiro casamento inter-racial que se tem notícia foi um escândalo em 1947, dois anos após o fim da Segunda Guerra Mundial. Ana Kuster, descendente de alemães e suíços, desafiou a família para se casar como negro José Vieira da Penha.

Quem conta a história é a filha do casal, a aposentada Rosa Izabel Neves, 67, que admira a ousadia da mãe, que se casou aos 40 anos. "Ela passou a vida dedicada a cuidar dos pais e irmãos e perdeu todas as chances de se casar mais nova" diz.

Para aumentar a cota de preconceito à época, Rosa lembra que o pai era funcionário da fazenda da família da mãe. "Ela perdeu o direito à herança e precisou trabalhar como meeira."

Alheia aos comentários, Ana teve o apoio da Igreja Luterana, onde se casou. Até ensinou o marido a ler, a costurar e falar alemão. Segundo Rosa, a discriminação refletiu na infância dela e do irmão. "Nós crescemos falando alemão. Quando fomos para a escola, nos chamavam de 'alemães pretos', e a gente acabava respondendo em português para não sofrer mais bullying", lembra.

Ana Kuster morreu em 1996, aos 88 anos. Dezenove anos antes, havia levado sua filha mestiça ao altar para se casar com outro rapaz negro, o vendedor Jair das Neves.

Juntos, eles tiveram três filhos, todos com traços afros, e que assinam o sobrenome da avó polêmica. No entanto, Rosa observa que a genética alemã tem falado mais forte na terceira geração, a exemplo da neta Sofia, de um ano e seis meses.

 

CASOS

Lembrança

É com alegria que a aposentada Teresinha dos Santos Cândido, de 73 anos, lembra da infância em Domingos Martins. Ela é remanescente da primeira família de negros a se estabelecer na cidade, no ano de 1915. A aposentada não chegou a conhecer o pai, que chegou à colônia de alemães para fabricar brita. “Na escola, era tudo misturado e eu me dava bem com todo mundo”, conta.

Romeu e Julieta

O casamento de Guilhermina Fehlberg, 80, e Luís Azevedo, já morto, foi digno de uma história de amor proibido em 1951. Ela, descendente  de pomeranos, e ele, negro, enfrentaram até o irmão, um pastor luterano, para ficarem juntos. A neta, a servidora pública Monique, 27, admira a história da avó.

Museu

Em Afonso Cláudio, mais de 1.500 objetos que contam a história das duas guerras mundiais fazem parte da coleção do alemão Rolf Hofmann, que é aberta à visitação. O símbolo da suástica nazista está presente em vários itens, assim como a imagem do homem que pregou o ódio às minorias.

 

Fonte: Jornal A Tribuna – 28/06/2015
Autor: Leandro Fidelis
Compilação: Walter de Aguiar Filho, julho/2015



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