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Estivador mais antigo do Brasil

Ariston (no destaque com a mulher, dona Enedina) ainda se lembra do velho cais da cidade - Foto: Gláucio Mota e Arquivo da Codesa

Numa casa simples do bairro Ataíde, em Vila Velha, um homem caminha devagar. Vez ou outra apóia as mãos envelhecidas na parede ou móvel, para não perder o equilíbrio. A memória, agora lenta, já não é mais a mesma dos tempos em que atuava como estivador no Porto de Vitória ou como presidente do Sindicado dos Estivadores, que comandou por mais de um mandato. Ariston Fernandes — "de Almeida", como insiste em completar o sobrenome — nasceu em 6 de agosto de 1896, em Sergipe e apesar de não ser do Espírito Santo, faz questão que o considerem capixaba. E não é para menos. Dos 109 anos de idade, 87 foram vividos no Estado, onde "Seu Ariston" passou a trabalhar no cais que havia na Baía de Vitória.

NO INICIO ERAM SÓ TRAPICHES

"Na verdade, o porto ainda não tinha sido construído. Existiam apenas os trapiches de madeira, que se lançavam sobre o canal", relembra, com dificuldades, o estivador aposentado. "Quando chegava alguma embarcação um pouco maior ficava parada no meio da baia e íamos até lá de catraia para desembarcar ou embarcar as cargas e passageiros", completa.

Sempre amparado pela mulher, Enedina Vasconcelos da Silva, 80 anos, com quem vive há 25, "Seu Ariston" passa os dias deitado ou sentado em um antigo sofá na pequena sala da casa simples, que nem de longe lembra os tempos em que ele era "importante" presidente do Sindicato dos Estivadores do Espírito Santo.

FOTOS MANTÊM LEMBRANÇAS

Nas paredes da casa, fotos antigas insistem em manter vivos os tempos em que o aposentado comandou a construção da sede oficial do então Sindicato dos Estivadores de Vitória.

"O Ariston contava que a sede foi construída com dinheiro da pesca e da coleta de madeiras. Eles vendiam esses produtos e investiam na obra. Essa construção foi a grande paixão dele", narra Dona Maria de Souza, diante do silêncio do marido.

A grande decepção veio em 1964, quando o Golpe Militar mudou os rumos políticos do País e interveio na instituição.

"Como o porto era um local estratégico e nossa categoria muito unida, os militares mandaram um interventor para comandar o sindicato. O Délio (Délio Lima) assumiu naquele ano. Depois veio o Alencar (Alencar Pereira do Nascimento), em 65", conta.

Sindicato só foi reconhecido em 1934

No Espírito Santo, o trabalho dos estivadores como categoria profissional só passou a ser reconhecido, oficialmente, pelo Ministério do Trabalho em 12 de julho de 1934. Com isso, foi criado o Sindicato dos Operários Estivadores de Vitória. Sete anos depois, a entidade teve seu estatuto alterado para Sindicato dos Estivadores de Vitória.

"Nossa luta para organizar a categoria já vinha de muito antes. Depois do reconhecimento pelo Governo Federal, compramos um terreno, em 1942, para a construção da nossa sede própria. Começamos a obra de seis andares em fevereiro de 1953", conta "Seu Ariston", que teve o privilégio de presidir a categoria já na nova sede.

EXPANSÃO

Através de determinação do Ministério do Trabalho, em 1956, o sindicato passou a atuar sobre todos os estivadores do Estado e a se chamar Sindicato dos Estivadores e dos Trabalhadores em Estiva de Minérios do Estado do Espírito Santo. Atualmente, o sindicato conta com cerca de mil trabalhadores associados ativos e inativos. Acostumado a homenagens pelos serviços prestados à atividade portuária no Espírito Santo, "Seu Ariston" ficou desapontado por não poder estar presente à visita que o presidente Luiz Ignácio Lula da Silva fez ao Estado, na semana passada, em comemoração aos 100 anos do Porto de Vitória, organizado pela Codesa.

ORGULHO

"Minha saúde não permite mais essas extravagâncias", brinca o aposentado. "Mas, vou manter na memória o dia em que Lula, o sindicalista, visitou o nosso sindicato", garante.

Amizades à parte, "Dona Enedina" revela que seu marido também já teve outros amigos famosos, mas sempre polêmicos, entre eles, o então ministro do Trabalho, João Goulart — ministro entre 1953 e 1954 — e o ex-presidente Getúlio Vargas.

"O Ariston também era amigo do presidente Vargas. Na inauguração da Ponte de Linhares (ela não se lembra da data), Getúlio esteve presente e pediu que o Ariston fizesse um discurso. Ele falava muito bem", afirma com orgulho.

Construída sobre o Rio Doce nos governos de Carlos Lindenberg e Jones dos Santos Neves, a ponte de Linhares foi inaugurada pelo presidente Getúlio Vargas no dia 22 de junho de 1954.

 

Fonte: Jornal A Gazeta, 100 anos do Porto de Vitória, 31/03/2006
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2015

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