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Estradas, Café, 1.ª Guerra Mundial e Bernardino Monteiro

Bernardino Monteiro

Bernardino Monteiro dedicou-se, preferentemente, à construção de rodovias. Era o imperativo do momento, pois os cafezais exigiam estradas por onde escoar seus frutos.(38)

Em 1918, o café ainda contribuía com 60% para a receita total do Estado. Diminuíra bastante sua importância, pois, em 1903, chegara a cobrir 95% da receita, (III) mas Bernardino Monteiro afirmava uma verdade quando escrevia que, “afinal, [o café] era o resumo da história econômica do Estado nos dias republicanos”.(39)

Outros produtos figuram nos quadros de exportação do ano de 1918: madeiras, feijão, farinha, milho, tecidos, areias monazíticas, (40) couros, arroz e açúcar.(41)

A convulsão que abalava a Europa desde 1914, e que, ao fim, envolveu a América e o Brasil, refletiu – como era natural – no comércio, na agricultura e na indústria capixabas, impossibilitando o governo de mais eficiente ação administrativa.

 

NOTAS

(38) - “O Dr. Bernardino Monteiro assumiu o governo no auge da guerra, em vinte e três de maio de 1916. Homem de força de vontade e equilibrado, inaugurou a política rodoviária do Estado, verdadeiro milagre administrativo, sob a profunda depressão financeira nacional.

Construiu as estradas de traçado mais difícil do Estado: Santa Leopoldina a Santa Teresa e Castelo a Muniz Freire.

Henrique de Novaes, notável engenheiro sob todos os títulos, estudou-lhes e dirigiu-lhes a construção, não obstante ocupar o cargo de prefeito municipal. Essas estradas modificaram fundamentalmente a estrutura econômica das regiões atingidas. Assim, muito antes do tráfego motorizado na Capital, o interior agreste das montanhas via sua produção circular em autocaminhões” (DERENZI, Biografia, 203-4).

(39) - Mensagem dirigida pelo Presidente do Estado do Espírito Santo, Dr. Bernardino de Sousa Monteiro, ao Congresso Legislativo, em sua sessão ordinária da décima legislatura. (A Mensagem é datada de doze de outubro de 1919).

(40) - Segundo o depoimento de MUNIZ FREIRE, “só em 1898, foi divulgada a existência, no Espírito Santo, dessa riqueza, que até há pouco tempo era reputada exclusiva das costas do Município do Prado, no Estado da Bahia; de então para cá ficou averiguado que possuímos dela importantes jazidas, sobretudo em os Municípios da Barra de S. Mateus, Guarapari e Benevente”

(Mensagem apresentada ao Congresso Legislativo na abertura da terceira sessão da terceira legislatura pelo Presidente do Estado, Dr. José de Melo Carvalho Muniz Freire – Vitória – 1900).

– Um longo pleito com a União, a propósito da competência para explorar os depósitos – situados nos terrenos ditos de marinha – retardou de longos anos o aproveitamento das areias monazíticas do Espírito Santo.

(41) Ver imagem abaixo do texto.

 

Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Vitória (APEES) - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo – Secretaria de Cultura, 2008
Autor: José Teixeira de Oliveira
Compilação: Walter Aguiar Filho, setembro/2017



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