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Festa de São Benedito

Fonte: Jornal A Gazeta (21/12/05)

Aos pés do imponente Mestre Álvaro, o município da Serra comemora a tradicional Festa de São Benedito, que todos os anos atrai muitos visitantes. Até o dia 27 de dezembro, os convidados cantam e dançam pelas ruas da cidade ao som do ritmo do congo. É uma homenagem ao santo padroeiro.

Para participar da Festa de São Benedito na Serra, é necessário entender como ela se dá. Os festejos começam no dia 11 de dezembro, com a cortada do mastro. É a primeira das três fases da festa (cortada, puxada e fincada do mastro).

O barco de São Benedito fica à espera dos festeiros. Pintado de branco e azul, mastro à deriva, a embarcação de madeira não tem pressa para o início da festança. No dia 24 há a alvorada às 5 horas da manhã, em frente à Igreja Matriz da Serra. No Natal será a vez da puxada do mastro, às 17 horas, seguida da puxada do Navio Palermo, às 20 horas.

Durante a puxada, um tronco simbolizando o mastro do Navio Palermo, uma réplica da embarcação e diversas bandas de congo, seguidos por uma multidão, desfilam pelas principais ruas da cidade.

O ponto alto do evento ocorre no dia 26 de dezembro, quando a Serra se torna a capital do Espírito Santo. Em seguida vem a exposição da imagem de São Benedito e a festa prossegue até às 18 horas, com a puxada do mastro e fincada.

Como a festa começou...

Os mais antigos moradores da Serra sabem contar com detalhes a origem da Festa de São Benedito. Tudo começou a partir de um naufrágio de um navio negreiro na costa capixaba. A lenda seria de que os náufragos pediram a proteção a São Benedito e se agarraram ao mastro da embarcação, que acabou trazendo-os à terra firme. Os tripulantes, em gratidão, fizeram a promessa de todo ano homenagear o santo pela graça obtida. Na Serra a festa é realizada desde 1836, mas o formato atual só foi adquirido em 1883, quando o padre André Massela fez algumas modificações na programação do evento.

Congo, uma herança cultural que passa de geração a geração

O município da Serra foi palco de conflitos entre os colonizadores e os índios e, mais tarde, entre os colonizadores e os negros (fato que ficou conhecido como Insurreição de Queimado). O congo é uma herança cultural que passa de geração a geração graças aos conhecimentos dos componentes mais antigos das bandas, que ensinam aos mais novos o ritmo dos sons dos tambores, das cuícas, das casacas e a fabricação de instrumentos usados nas apresentações. Além da Festa de São Benedito e do congo, o município serve de palco, também, para a folia de reis, boi graúna e capoeira.

Links Relacionados:

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 O outro lado da Revolta de Queimado 
 Insurreição de Queimado
 Congo não é música



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