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Figueiredo assiste hoje à inauguração de Tubarão

Vista aérea da CST - 20 anos de História da CST (30.11.1983 - 30.11.2003) - Foto: Jornal A GAZETA de 30.11.2003

O presidente da República, João Figueiredo, assiste hoje à laminação do primeiro lingote da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), que marcará o início de produção de placas semi-acabadas de aço. Somente em dezembro a produção atingirá um volume de 80 mil toneladas e, no primeiro ano de produção, 2,6 milhões de toneladas. A programação de inauguração começa às 11 horas, com a chegada do Presidente Figueiredo ao galpão da aciaria, em companhia de vários ministros, entre eles o capixaba Ernane Galvêas, que ocupa a pasta da Fazenda. Falarão durante a cerimônia o presidente da Siderbrás, Henrique Brandão Cavalcanti, o Governador do Estado, Gérson Camata e o Ministro da Indústria e do Comércio, Camilo Pena. Da usina a comitiva segue para o edifício da administração da Companhia Vale do Rio Doce, para o almoço que será oferecido pela CST. A siderúrgica capixaba está capacitada para, numa primeira fase, produzir 3 milhões de toneladas de placas semi-acabadas de aço, para serem vendidas a empresas no exterior e dentro do próprio país.

Tubarão e a História

A inauguração da usina siderúrgica de Tubarão é um fato especialmente significativo para o Espírito Santo. A par de sua expressiva presença no cenário nacional como indutora de desenvolvimento, a usina será para nós em particular, um marco destinado a separar a história desse Estado em fases distintas.

As incompreensões que ameaçam arranhar a imponência da imagem de Tubarão, decorrente dos efeitos paralelos que os empreendimentos dessa magnitude naturalmente provocam, não podem afetar o entusiasmo com que deve ser registrada a lembrança das árduas etapas que precederam a conquista da CST.

A história havia aprofundado na face do Estado, o estigma de filho rejeitado, a quem era negadas as oportunidades de expansão em outros setores além do agrícola. O episódio da erradicação dos cafezais, derruindo bruscamente as bases da precária monocultura, desnudou todo o sistema econômico e exacerbou suas distorções sociais. A agricultura capixaba, apesar de seu inegável dinamismo, não tinha como recuperar-se em velocidade tal que pudesse neutralizar as conseqüências da erradicação.

O inconformismo de governantes estaduais diante do que parecia um determinismo construiu, então juntamente com a sociedade, uma atmosfera de confiança e audácia pela qual a apatia e a prostração reinantes foram deslocadas pelo ímpeto da mobilização, que acabou por decretar a eclosão de nossas potencialidades. Essa usina custou sacrifícios, esforços, dedicações. É, assim, um marco que reflete a perseverança que predominou em um rico momento da vida estadual.

As repercussões da usina no Estado, que já vinham sendo positivamente observadas desde o processo de sua instalação, permitirão ao Espírito Santo aproximar-se das unidades mais desenvolvidas do país. Os capixabas têm que estar atentos ao pleno aproveitamento das possibilidades decorrentes de Tubarão, a fim de extrair delas o maior proveito.

Nossos votos são no sentido de que a CST repercuta, também através de um amplo condicionamento espiritual marcado por produtiva fé e forte crença no futuro. A sociedade ainda mantém intocável, por certo, sua capacidade de atender a convocações de igual nobreza. Estamos certos de que não faltam ao núcleo da liderança político-administrativa estadual, às condições potencias de dinamismo e vigor, capazes de reorientar as preocupações no rumo da construção coletiva de verdadeiros instrumentos de progresso e desenvolvimento social.

 

Fonte: A Gazeta, 30/11/1983
Compilação: Walter de Aguiar Filho, fevereiro/2015

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Usina de aço

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