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Gente de Cachoeiro: Samuel Levy

Samuel Levy - Fonte da Foto: Bruno Torres Paraiso em Memória Capixaba

Os historiadores Egon e Frieda Wolff vêm realizando um trabalho admirável em prol da memória judaica em nosso pais, pesquisando em material colhido no Rio de Janeiro, São Paulo, Belém, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Cachoeiro de Itapemirim, Lisboa, Nova Iorque, Paris e em outras cidades.

Esse material, que compreende jornais contemporâneos aos fatos e outras fontes primárias, consiste também em inscrições tumulares, depoimentos e recordações de pessoas incluídas nos seus livros.

É na coleta dessas fontes para suas obras Judeus no Brasil Imperial e Sepulturas de Israelitas que o ilustre casal de historiadores teve sua atenção despertada para os vários Samuel Levy, que, desde 1843, viajaram pelo Brasil imperial.

Perseguindo os vestígios de mais de trinta viagens de um certo Samuel Levy para Campos (RJ) e cidades vizinhas entre 1856 e 1889, terminou por encontrar indícios do mesmo nome, de todo familiar para nós cachoeirenses, na terra do Itabira.

Nome de rua em Cachoeiro de Itapemirim, Samuel Levy também lá faleceu em 1899, aos 60 anos de idade, deixando um respeitável patrimônio, amealhado durante toda a sua vida, conforme nos afirmam os Wolff (Judeus nos primórdios do Brasil República. Rio, 1982), de quem coligimos as seguintes notas:

Samuel Levy nasceu em 1839, na aldeia de Erstroff, Departamento de Mosela, na Alsácia. Era filho de Jacob e Fromende Levy.

No Brasil, Samuel preferiu o interior à movimentada vida da Corte, estabelecendo-se em Cachoeiro de Itapemirim, no largo de São Pedro, com o comércio de "fazendas, roupas feitas, armarinho, ferragens, calçados, chapéus, louça, molhados, sal". Em 1874 registrou sua firma "Samuel Levy e Braga", associando-se a João Marques de Carvalho Braga, firma dissolvida em 1877, tendo continuado, porém, com firma individual, ampliada para o negócio do café, que prosperava em Cachoeiro.

Além da firma já citada, Samuel Levy abriu uma outra: "Samuel, Filho e Pinheiro", da qual participavam seu filho Alfredo Levy e Luís da Silva Pinheiro.

Samuel tinha também uma filha, Carly Levy, casada aos 15 anos com Anacleto Ramos, carinhosamente apelidado de Tilé, que conheci, ainda influente homem político.

O documento mais elucidativo para a pesquisa dos Wolff foi, sem dúvida, o Testamento de Samuel Levy. Este manuscrito, em 24 páginas, constitui-se em importante depoimento pessoal para compreensão dos costumes e instrumentos financeiros da época. Samuel Levy declara que era francês de nascimento mas se considerava brasileiro, por ter adquirido a nacionalidade pela "Grande Naturalização" que se seguiu à mudança do regime político. Professou e viveu a religião israelita. Faleceu solteiro, reconhecendo, porém, como filhos se legítimos fossem Alfredo, filho de Deolinda, nascido em 1871, e Carly, filha de Jacinta, nascida em 8 de junho de 1885.

Nesse documento, enumerou também seus bens: imóveis, apólices, ações do Banco do Brasil, créditos particulares e os legados: em dinheiro à cunhada, sobrinhos, a Jacinta (uma casa e um ordenado anual de rs. 400$000 e o usufruto de uma apólice de segura de rs. 3.000:000$000 e o restante para os filhos Alfredo e Carly. Tudo isso considerou "pequeno patrimônio adquirido com muita economia e honestidade". O último desejo de Samuel era que fosse sepultado no lugar designado aos que professassem sua religião.

Seu túmulo, porém, no cemitério local, ostenta uma grande cruz, em cuja lápide está também registrada a gratidão de sua filha Carly.

Com efeito, a fortuna de Carly e Anacleto Ramos, muito expressiva para Cachoeiro de Itapemirim, originou-se, sem dúvida, do legado de Samuel Levy.

A Gazeta — 05 de julho de 1984.

 

Fonte: Notícias do Espírito Santo, Livraria Editora Catedra, Rio de Janeiro - 1989
Autor: Gabriel Bittencourt
Compilação: Walter de Aguiar Filho, janeiro/2020

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