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Gilberto Mota e o Porco que correu Vitória

Praça Costa Pereira - 1940

Década de 1940. Conhecidíssimo em Vitória. Baixote, meio careca, e com uma barriguinha, vestido de preto e colete parecia mais um daqueles funcionários públicos já aposentados, ou empregado daquelas firmas antigas de 50 anos para trás.

Espírito brilhante, inteligente, gozador das boas coisas da vida, gostava também de pregar peças nos amigos. E em quantos ele pregou!!!

Dispunha de capital em dinheiro, e ficava "de olho" e quando aparecia um bom negócio dava a "tacada". Com os lucros da transação ficava tempos na boa vida junto com os amigos, praticamente pagando todas as despesas e sempre pensando na gozação que iria fazer com alguém. Passemos agora à história do Porco que correu Vitória.

Vinha Gilberto Mota de Cachoeiro de Itapemirim, de automóvel, para Vitória, quando lá pelas tantas um porco ia atravessando a estrada e foi atropelado pelo carro.

Gilberto mandou parar o carro e junto com o motorista puseram o porco no porta-mala. O porco não tinha sofrido dano praticamente nenhum. No resto da viagem Gilberto bolou a brincadeira. Chegando em Vitória mandou que o carro fosse até a Leopoldina, Estação essa onde ele tinha muitos carregadores seus conhecidos. Escolheu um e mandou que o carro fosse para a cidade, onde ele procurou dois policiais militares, seus conhecidos também, com os quais ele combinou o seguinte: Ele fez uma lista, de mais ou menos umas vinte famílias de sua intimidade, entregou ao carregador que deveria fazer o seguinte: Chegar com o porco amarrado, na residência da primeira família da lista, e quando a dona ou o dono da casa aparecesse, ele ofereceria o porco por um preço barato. Logo que o carregador recebesse o dinheiro e dobrasse a esquina aí os dois policiais apareceriam na casa onde o porco fora vendido e perguntavam se um indivíduo tinha lhes vendido um porco.

Ante a resposta afirmativa, eles diziam: — "Nos desculpem, mas este porco foi roubado e nós estamos atrás do ladrão. Logo que o capturarmos, seu dinheiro lhe será devolvido na Delegacia".

Pegavam o porco, entregavam novamente ao carregador, que ia vender o porco à seguinte família da lista, repetindo-se toda esta estória, com todas as famílias da lista. Era o carregador receber o dinheiro do porco e aparecer os policiais para apreenderem o mesmo.

Gilberto recebeu o dinheiro das vendas do porco e mandou preparar um banquete num dos melhores restaurantes de Vitória e convidou para o mesmo todas as famílias que tinham comprado o porco, dizendo que o banquete era pelo seu aniversário.

O banquete foi esplêndido. Comida e bebida à vontade, e no meio da mesa comprida, lá estava um porco, assado e todo enfeitado...

Lá pelas tantas o Gilberto perguntou se todos estavam gostando do banquete, e ante a resposta afirmativa de todos ele virou-se para os comensais e disse o seguinte:

— "Vocês não precisam me agradecer de nada, pois o que vocês estão comendo e bebendo está sendo pago por vocês mesmos". Ante o espanto de todos, ele explicou:

— "Vocês não se lembram de um porco que vocês compraram há dias, e logo depois dois policiais lhes tomavam novamente? Pois é, foi com este dinheiro que eu e vocês estamos aqui nos banqueteando. MUITO OBRIGADO A TODOS! ! !"

 

Fonte: “Estória de Boemios e Outras Estórias” - 1978
Autor: Helio de Oliveira Santos
Compilação: Walter de Aguiar Filho, março/2019

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