Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Governador - Christiano Dias Lopes Filho

Foto do lançamento no Palácio Anchieta do Livro Grandes Nomes - Memória do Desenvolvimento do Espírito Santo - Christiano Dias Lopes Filho

A Revolução chega ao Espírito Santo – Christiano Dias Lopes Filho (1967-71) inaugurou fase nova na vida do Estado. Eleito pela Assembléia Legislativa – sistema de escolha dos mandatários estaduais que a Revolução de março estabeleceu para o país – seu primeiro gesto de governante foi um brado pela afirmação do Espírito Santo como parte da comunidade brasileira. Com intrepidez e resolução, fez ouvir a voz do povo capixaba, gritando ao resto do Brasil que o Estado existe e que é parte da Pátria comum.

O apelo foi ouvido com carinho, o governo federal estendeu a mão num gesto de solidariedade irrecusável e a velha província iniciou a arrancada para o futuro.

As potencialidades da terra e da gente revelaram-se a si mesmas e ao Brasil.

Uma extraordinária e oportuna mobilização de circunstâncias favoráveis se pôs em sintonia com o esforço e o anseio de toda uma comunidade sedenta de progresso, de desenvolvimento, de integração na vida universal.

Muito sacrifício – como é natural – vão custando os passos iniciais dessa caminhada.

Dispondo de limitados recursos, o orçamento impõe discrição aos planejadores de seu progresso. Em desabafo incontido, de quem se viu manietado pelas limitações do Erário, o próprio Christiano Dias Lopes lamentou: “A programação financeira para o governo do Estado do Espírito Santo sendo o grande e imbatível desafio a que não se conseguiu, em tempo algum, responder. [...] a receita trai todas as previsões financeiras para qualquer programação. Aí reside o estrangulamento ainda não removido”.

Intensa campanha – respaldada por levantamentos técnicos das virtualidades de posicionamento e dos recursos naturais da terra – visando atrair investimentos nacionais e externos para a concretização de projetos industriais e agropecuários e mais o apoio que o governo federal vem prestando à Administração local produziram seus primeiros resultados.

O Estado conseguiu superar a crise a que o levara a erradicação de 220 milhões de pés de café (1966-68), o que importou no deslocamento de cerca de 30.000 famílias, ou sejam 180.000 pessoas, das quais 30.000 emigraram para outros Estados, 20.000 se marginalizaram como subempregados no meio rural e 10.000 no urbano.

E assim, a par do trabalho de aliciamento de recursos para a implantação dos audaciosos projetos oferecidos aos investidores nacionais e alienígenas, o governo cuidou de modernizar a máquina administrativa do Estado, aparelhando-a para os novos tempos.

À educação – que tem merecido a melhor atenção dos últimos governos capixabas – o governador, na sua prestação de contas, dedicou as seguintes palavras: “Em 1966, havia 1.178 alunos matriculados no ensino pré-primário estadual. Em 1970, seu número subiu para 5.418: 360% de aumento. No ensino primário, o número passou de 179.053 para 304.806. De acordo com a projeção baseada no Censo Escolar de 1964, a escolarização da população infantil entre sete e catorze anos atingiu, em 1970, o nível de 91%. A meta preestabelecida era de 85%. Melhor assim: 6% a mais. O ensino médio oficial matriculou, em 1970, 32.404 alunos. A esse número deve-se somar mais 15.831 alunos ajudados por bolsa de estudo do Estado. Em 1966, as escolas secundárias oficiais contavam apenas 21.182 alunos. Antes de existir o Mobral no plano nacional, existia a Mocca no Espírito Santo: Mobilização Cívica Contra o Analfabetismo (criada em 1967): 14.870 alunos, 716 classes, 48 dos 53 municípios do Estado. De 1967 a 1970 foram construídas 1.451 salas de aula: mais do que o total de salas construídas anteriormente”.

E mais adiante “A educação foi contemplada em 1971 com 29,5% do Orçamento Estadual. O Espírito Santo é, assim, o Estado brasileiro que proporcionalmente mais investe em educação”.

Ao campo, foi ministrado tratamento especial, no sentido de incentivar a atualização dos processos de cultura, de promover o cooperativismo, a inseminação artificial dos rebanhos, a mecanização agrícola, a preparação da carta de solos, a intensificação da política creditícia, o uso de sementes selecionadas, reflorestamento e emprego de adubos.

A eletrificação do norte do Estado e a construção de rodovias são outras realizações a serem lembradas. Com ênfase, o governador frisou que sua administração “multiplicou por três os quilômetros de rodovias estaduais pavimentadas: de 120 km em 1967 passou para 390 em 1970. [...] Pode-se afirmar que todas as regiões do Espírito Santo começam a ser vivificadas por um impulso de desenvolvimento, pois foi aberto para elas o caminho dos grandes centros econômicos do País. Estão ligados à Guanabara, S. Paulo, Estado do Rio, Minas Gerais, Bahia, Nordeste e, principalmente, à Capital do Estado e ao Porto de Vitória, com a conseqüente e benéfica integração econômica, político-administrativa e cultural”.

Resumindo o trabalho realizado no quadriênio de sua gestão, Dias Lopes destaca – no capítulo dedicado à Secretaria de Saúde e Assistência – a criação das Unidades Volantes, a que foi confiada a missão de vencer o ceticismo do homem do campo em relação à medicina oficial, visitando-o em seu domicílio, proporcionando-lhe vacinação, educação sanitária, assistência médica.

 

Autor: José Texeira de Oliveira
Fonte: História do Estado do Espírito Santo, 3ª edição, Coleção Canaã, Vitória/2008
Compilação: Walter de Aguiar Filho, outubro/2012 

 

 

Matérias Especiais

Quando fui Prefeito - Por Adelpho Poli Monjardim

Quando fui Prefeito - Por Adelpho Poli Monjardim

O valão da Av. Paulino Muller foi todo capeado, grande benefício para o bairro. Era propósito meu levá-lo a Fradinhos. A iluminação moderna, o asfalto, o calçamento a cimento armado são melhoramentos do meu tempo

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Dia Internacional da Mulher

Queremos registrar aqui o nosso agradecimento a todas as mulheres que contribuem com este site, seja enviando fotos especiais e antigas, textos, ou sugerindo matérias através do nosso Fale Conosco

Ver Artigo
O Bar Globo do Zé Gordinho

Zé Gordinho foi assim, desses tipos que aparecem numa cidade chamando logo a atenção. Baixote, gorducho, tipo moreno, cabelos alisados, sempre fumando um charuto, assim como o Eurico Rezende

Ver Artigo
Origem do Carnaval no Brasil

Fomos influenciados inicialmente pelos portugueses da Ilha da Madeira, Açores e Cabo Verde, que trouxeram a brincadeira de loucas correrias. No Brasil, com a criação dos Trios Elétricos pelos baianos, uma nova caracteristica de carnaval se disseminou

Ver Artigo
Estórias de Boêmios

Este livro não tem pretensões literárias. São simples relatos de casos vividos por boêmios d’aqui e d’algures. De forma, que aviso logo, de antemão ao Dr. Austregésilo de Athaíde, presidente da Academia Brasileira de Letras, que não me convide para concorrer a uma cadeira na referida Academia, pois recusarei energicamente. Por dois motivos:...

Ver Artigo
A Tragédia do Engano - Por: João Bonino Moreira

Triste noite para o Espírito Santo a de sábado, dia 23 de dezembro de 1950

Ver Artigo