Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Guaraparim

Ruínas da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Guarapari, ES

A origem desta cidade de Guarapari como tantas outras deste imenso Brasil, nasceu à sombra da Cruz. O nome vem da palavra indígena guará, garça (segundo os naturalistas "ibis rubra") e parim, manca, segundo o P. Jacome Monteiro em Relação da Prov. do Brasil, ano de 1610. (Esta seria a expressão correta para falarmos Guaraparim e não Guarapari, pois a palavra parí, armadilha, não satisfaz gramaticalmente nem ecologicamente).

Um missionário de Tenerife, a maior das Ilhas Canárias, província da Espanha, de nobres famílias da Península, Llarena, Loyola, Núnez e Anchieta e ainda soldado do grande santo Inácio de Loyola arribou e estas terras brasileiras a 13 de julho de 1553.

Era o Apóstolo José de Anchieta. Depois de haver evangelizado em outros cantos deste país, veio para a Capitania do E. Santo ao lugar chamado Reritiba, hoje Anchieta. "Neste ano de 1585, conduzido pelo zelo da civilização dos índios e bem-estar dos mesmos, partiu daquela aldeia vizinha para fundar com o nome de Aldeia do Rio Verde ou Aldeia de Santa Maria de Guaraparim, este reduto".

Era este lugar uma das quatro reduções que os jesuítas formaram na província do E. Santo, a última do Beato José de Anchieta. A primeira foi a de São João, de 1562, entre a Serra e Vitória. A segunda a de Reritiba, 1565. A terceira a de Reis Magos, Nova Almeida, 1569. A quarta e última a de Santa Maria de Guaraparim. Depois desta última redução, Anchieta deixou de ser Provincial e Diretor e, extenuado, recolheu-se a Reritiba onde veio a falecer a 9 de junho de 1597.

Em Guaraparim, no alto de uma colina levantou uma igreja e convento para os missionários, sob a invocação de Santa Ana ou, como diz também a história, de Santa Maria.

Antes daquela data acima, em 1558, existia próximo a Guaraparim um núcleo de índios Temiminós chefiados pelo Jaguaruçu, ou Cão Grande, e que depois se misturava com os Tupiniquins, índios do Esp. Santo. Porém a aldeia maior a fundou oficialmente Anchieta, Provincial naquela data de 1585.

Para a inauguração de Guaraparim, compôs o mais extenso e vivo Auto tupi de sua coleção, como a personagem original da Alma de Pirataraka, índio que há pouco acabara de falecer. Este auto é o mais indianista, preparado todo em tupi porque os índios desta recente aldeia pouco ou nada sabiam de português.

Consistia em louvores a Maria Imaculada e sua proteção sobre Guaraparim, terminando com a dança de dez meninos que louvam a vitória de Maria.

Confirma-se por este Auto que a igreja era dedicada a Sant'Ana e N. Srª. da Conceição era a padroeira da aldeia e ainda que se teria terminado em 1585 a igreja e para sua inauguração Anchieta teria escrito este Auto.

 

Fonte: Guarapari é o seu nome - 2ª edição - 1987
Autor: Pe. Antonio Núnez
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2012



GALERIA:

📷
📷


Matérias Especiais

Araribóia

Araribóia

Foi chefe dos índios temiminós e personagem de realçada importância na expulsão dos franceses do Brasil, no século XVI...

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Zé Pretinho

Fica ali, exatamente na esquina da Aleixo Neto com a José Teixeira. Do lado de Santa Lúcia. Não tem placa que o identifique. Mas há quarenta anos toda a redondeza cohece o Zé Pretinho

Ver Artigo
E por falar em saudade

Tenho saudades do torrone, da Garoto, um tablete de docinho recoberto de chocolate e com recheio pastoso de castanha, amêndoa ou amendoim, já não me lembro mais. Só sei que era uma delícia e que guardava todas as minhas pequenas economias para comer um a casa quinze dias. Era a época do leite-mel, da pastilha forte, da groselha, do sorvete de coco verde do Michel, guloseimas,...

Ver Artigo
Origem do Carnaval no Brasil

Fomos influenciados inicialmente pelos portugueses da Ilha da Madeira, Açores e Cabo Verde, que trouxeram a brincadeira de loucas correrias. No Brasil, com a criação dos Trios Elétricos pelos baianos, uma nova caracteristica de carnaval se disseminou

Ver Artigo
A âncora da Prainha

A âncora da Praça Tamandaré que fica localizada em frente ao Fórum e a Casa da Memória na Prainha, em Vila Velha, foi presenteada pela Marinha ao município de Vila Velha

Ver Artigo
Cachoeiro de Itapemirim e a República

O amor à terra, como o indestrutível apego a suas tradições, é característico do cachoeirense

Ver Artigo