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Guerra, Guerra

Capa do Livro: Os Dias Antigos, do autor Renato Pacheco

Vila Rubim. Dia 17 de agosto de 1942. Alta noite, o servente de banco Joaquim Pirajá é acordado por um tropel que sobe a ladeira. Vai verificar que barulheira era aquela. São os saídos do comício da Praça Oito, favorável à entrada do Brasil na guerra, e que vêm para linchá-lo e destruir sua casa.

É que Pirajá fora integralista e simpatizante do Eixo.

O bancário coloca suas sandálias de couro, veste-se e se mune de uma garrucha. Quando os manifestantes chegam à porta da frente, ele dispara o primeiro tiro. A multidão recua e sai ferido o comerciário Délio Vieira Passos. Pirajá foi processado e absolvido em abril de 1943. Estava defendendo sua casa da irracionalidade da multidão, irracionalidade fomentada pelo governo, que explodia na noite daquele 17 de agosto e iria durar três dias, colocando a cidade em polvorosa e chamas.

O professor Ruy Lora, em vívido depoimento, relembra que "os estudantes da capital ficaram sublevados com o afundamento do navio Baependi, onde viajava, para Pernambuco, o professor Adão Benezath, que desapareceu no naufrágio. Adão era ídolo dos alunos, pois que era professor de Educação Física, amante dos esportes, oriundo de família tradicional da capital.

A notícia da morte de Adão Benezath caiu, na cidade, como um raio, incendiando o meio estudantil, que organizou um comício de repúdio para a Praça Oito.

Aí começou o quebra-quebra de Vitória, que teve seqüência efetiva por três dias de agosto. O que aconteceu nesse período?

Os cidadãos estrangeiros e os brasileiros simpatizantes do bloco nazista foram molestados, sem piedade. Eram comerciantes, profissionais liberais, que foram atingidos em suas propriedades e em caráter pessoal.

Pela cidade, viram-se, então, cenas de vandalismo — casas comerciais saqueadas, barbearias, casas de representação comercial, escolas, consultórios médicos, tudo que caiu à frente da turba revoltada.

Vamos pormenorizar.

A Joalheria e Relojoaria Petrocchi, do Sr. Mário Petrocchi, foi poupada porque teve ele a perspicácia de entregar a chave do estabelecimento ao interventor federal, major Punaro Bley: o estabelecimento foi guardado pela polícia local e se situava em frente ao local do comércio na Praça Oito de Setembro.

O Empório Capixaba sintetizou a fúria dos manifestantes. Narro um episódio: estava eu na Praça Oito, quando no meio da multidão em fúria surgiu um aluno meu, carregado de máquinas fotográficas, que me disse: — Aqui, professor, o senhor quer? Respondi-lhe simplesmente: — Não, muito obrigado, e ele desapareceu no meio da multidão.

A Escola Olímpia, de datilografia, na Praça Costa Pereira, foi assaltada e depredada. Máquinas, cadeiras e mesas foram atiradas, da janela do sobrado, na praça.

O consultório do Dr. Schroeder, na Rua General Osório, foi totalmente depredado, assim como sua casa na ladeira Sagrado Coração de Maria. Dizia-se que submarinos alemães apareciam à noite perto da residência dele.

O Sr. Angelo Rippoli, barbeiro, foi carregado e agredido pelas ruas. Sua barbearia foi também depredada.

O Sr. De Prá, estabelecido na rua do Comércio, teve também seu estabelecimento saqueado praticamente durante os três dias. Finalmente, a polícia passou a vigiar o que restou do quebra-quebra.

(...) Foram dias tristemente célebres em nossa capital. Os estrangeiros foram confinados no Sanatório Getúlio Vargas, em Maruípe, (...) Dr. Ciro Vieira da Cunha, diretor do DEIP, assim sintetizou aqueles tristes dias: "No primeiro dia: patriotismo; no segundo, saque; no terceiro dia, cachaçada." (1)

De fato, o quebra-quebra marca o início efetivo da guerra no Espírito Santo, iniciada na Europa em 1 de setembro de 1939.

O ataque a navios brasileiros fora resolvido em 15 de junho de 1941, numa reunião entre o Estado Maior da Wehrmacht e o Alto Comando da Marinha, autorizado por Hitler, para que o Brasil cessasse o tráfico marítimo com os Estados Unidos, com o envio de matérias-primas estratégicas e recebimento de petróleo e máquinas. Durante muito tempo, acreditou-se que tais ataques foram feitos pelos americanos, para forçar o Brasil a entrar na guerra, o que é controvertido.

Foram afundados os navios Cabedelo e Buarque, em fevereiro de 1942, seguindo-se, numa seqüência macabra, o Olinda, Arabuté, Cairu, Parnaíba, Comandante Lira, Gonçalves Dias, Alegrete, Pedrinhas, Tamandaré, Barbacena e Piave, e culminando com os torpedeamentos feitos pelo submarino alemão U-507 de 15 a 17 de agosto do mesmo ano, entre Sergipe e Bahia, dos navios Baependi, Araraquara, Aníbal Benévolo, Itagiba, Arará e Jacira. (2) No primeiro desapareceu o professor capixaba Adão Benezath, que ia, a serviço, para Pernambuco.

As guerras civil espanhola e sino-japonesa tiveram pouquíssima repercussão na cidade. A européia passou a figurar na primeira página dos jornais e nas conversas de rua.

A Tribuna, em 11 de agosto de 1939, anunciava que a situação na Europa era gravíssima e, em 24 de agosto, que o pacto russo-alemão aumentava a confusão européia. (3)

Como a guerra começou numa sexta-feira, o governo decretou feriado nacional o dia 4 de setembro, segunda-feira, para evitar corrida aos bancos.

Apareceu aquilo que Eugenio Sette chamou de "estrategistas do Almeidinha", pessoas de todos os grupos sociais, que até munidos de mapas discutiam a guerra no cafezinho da Praça Oito. (4)

A blitzkrieg, campanha relâmpago, grangeou muitos simpatizantes para o Eixo, especialmente entre ex-integralistas, e descendentes de italianos e alemães, e os eternos seguidores dos vencedores do momento.

Para atender aos simpatizantes, a Alemanha anunciava emissões especiais para o Brasil, feitas de Berlim, pelo rádio, as 20 e 22 horas, nas faixas 29,15 e 25,31 m. (5)

A batalha do Atlântico Sul, com o afundamento do Admiral Graf Spee, causou sensação, principalmente quando o comandante Hans Langsdorff se suicidou com um tiro no peito depois de, na costa do Uruguai, ter afundado seu couraçado para que não caísse na mão dos ingleses. (6)

E ainda em julho de 1940, A Gazeta transcreve, na íntegra, discurso de Adolf Hitler perante o Reichstag, (7) e o recuo dos exércitos soviéticos na primeira fase da campanha da Rússia. (8)

Na mesma data, o cronista Olegário Ramalhete conta: "Da casa fronteira vinha a voz cheia de um locutor, lendo telegramas de guerra. Os homens que vinham caminhando pela calçada paravam para ouvir os comunicados." (9)

Mas veio Pearl Harbor. Em dezembro de 1941 veio o estado de guerra contra o Eixo. Vieram os afundamentos dos navios brasileiros.

"1942 Agosto. Plena guerra. Navios brasileiros iam ao fundo enchendo os corações brasileiros de tristeza e de ódio. Era necessário que vingássemos nossos brasileiros mortos. E veio a declaração de guerra. Vieram os anos terríveis de ansiedade, de lutas e de mortes." (10) O quebra-quebra foi o abre-te sésamo, a grande manifestação de fúria popular, (11) a que o governo assistiu passivamente.

Ao todo, pelos mais variados relatos, foram destruídos:

1) Na rua Duque de Caxias — o Laboratório Bayer e o Bar Hamburgo;

2) Na rua Jerônimo Monteiro — Empório Capixaba, Casa De Prá, Confeitaria Colombo e A Fruteira;

3) Na avenida Capixaba — firmas Theodor Wiile e Arens & Langen;

4) Na praça Costa Pereira — Sorveteria Mickey e Escola Olímpia;

5) Na rua General Osório — Pensão Ditz e consultório do Dr. Schroeder;

6) Em Santo Antônio — Fábrica de Sabão Iori;

7) Na Praia do Canto — residência do Dr. Schroeder. Foram salvas a Relojoaria Petrocchi, já referida, a Fábrica Garoto, em Vila Velha, protegidas pelo exército nacional.

Em A Gazeta "Irmãos Vicentini Ltda. faz público que é inteiramente brasileira, sendo seus sócios brasileiros natos", enquanto que o jovem articulista Nilo Martins da Cunha escreve: "O castigo virá." (12) Noticia o mesmo jornal, na mesma data, arrolhado pelo DEIP: "Em vibrantes manifestações patrióticas, todo o povo brasileiro demonstrou sua repulsa ante os novos e covardes atentados dirigidos à navegação mercante nacional." Anuncia ainda missa em intenção da alma das vítimas dos navios torpedeados pelo Eixo.

No dia 21, o Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda (DEIP) dá nota oficial iniciando campanha contra os agitadores e os vadios, afirmando que "a vida destes súditos é, também, um dever do Estado garantir", e a polícia libera a venda de bebidas "tendo em vista a normalização da situação".

Um mês depois, serenados os ânimos, a União Atlética Ginasial do Espírito Santo (UAGES) do Ginásio Espírito Santo presta homenagem ao professor Adão Benezath. Falaram os professores Clóvis Rabello e Luís Simões e o aluno Ary Messina. O diretor Ribas, que, como se disse no cotidiano colegial, foi o pivô de uma briga com os alunos, encerra a cerimônia reportando-se a "um traiçoeiro e miserável ataque — para sempre gravado em nossa memória — cortou-lhe a viagem, quando ia honrar em Pernambuco o nosso ginásio e o nosso Estado". O Colégio Americano inaugurou-lhe o retrato em 24 de outubro, e houve diversas missas em sua intenção, na Catedral, mandadas rezar por sua genitora, Dona Teresa Benezath, por ironia do destino, uma ítalo-capixaba.

Por proposta do acadêmico Heráclito Pereira, a Academia Espírito-Santense de Letras fez moção de solidariedade à mocidade de nossas escolas "pelo desassombro com que soube exprimir, em praça pública, a sua sagrada indignação pelo atentado que sofremos",

A guerra tem diversas conseqüências na cidade.

O governo faz, em nota oficial da Interventoria Federal, apelo por mais produção agrícola, porque "o Brasil é fornecedor quase único dos Estados Unidos, com a deflagração da guerra no Pacífico". (13)

É criado o serviço de defesa passiva antiaérea pelo decreto-lei 4.098, de 8 de fevereiro de 1942. Anunciava esse serviço, chefiado por um juiz de direito, treinamentos de "black-out". O alerta significava ataque iminente e era feito com toque modulado intermitente durante quatro minutos. O fim do alerta, significando céu limpo, era com um toque modulado contínuo durante três minutos. Haveria sinais com repiques de sinos, com dobres, longos, graves e intermitentes. Ao sinal de alerta deveria a população apagar todos os focos de iluminação. (14) Felizmente, o serviço ficou no papel e em alguns esporádicos treinamentos na Praia Comprida, alvo, segundo os boatos, dos submarinos alemães.

Muitos antigos simpatizantes do Eixo, chamados de quinta-colunas e espias suburbanos, passaram a exibir, na lapela, o V da vitória, símbolo criado por Winston Churchill, primeiro-ministro britânico. (15)

Prossegue o racionamento de gasolina — que vinha de 1941, agora mais rigoroso, com paralisação de carros particulares (com uso de gasogênios) —, de trigo, açúcar e sal, (16) com extensas filas para aquisição dos produtos.

Fizeram-se campanhas dos jornais velhos e ferro-velho, erigindo-se, sob a guarda dos escoteiros, uma pirâmide metálica na Praça Oito.

O Colégio Americano iniciou, sob a supervisão do professor João Crisóstomo Bellesa, a construção de um abrigo antiaéreo para cem pessoas, especialmente seus alunos internos. (17)

"A mãe do menino — mil mães, mil mãos — tricotava suéteres de lã para os pracinhas na Itália." (18)

Divulgou-se que houve extensa rede de espionagem nazista no Brasil, cujo chefe era Otto Übele, gerente de Theodor Wille em Santos e cônsul da Alemanha, o qual era o lendário espião Kuntze. (19)

Rubem Braga escreve artigos sobre o abuso dos preços dos remédios, recriminando tanto médicos como laboratórios, com os quais estavam conluiados, como aproveitadores da guerra. (20)

Até o Carnaval sofreu com a falta de gasolina, o que determinou o fim do corso. (21)

A Junta Executiva Central do Conselho Nacional de Estatística tomou a esdrúxula providência de "não divulgar estatísticas no intuito de privar as nações adversárias do conhecimento de dados estatísticos que lhes podem ser úteis nas atividades bélicas". Deixou, assim, de circular o prestante Boletim Estatístico do Espírito Santo, bem como todas as publicações congêneres. (22)

Poderosa influência passou a exercer a Comissão de Abastecimento e Tabelamento, que fixou os preços máximos dos gêneros de primeira necessidade: álcool, alho, arroz, açúcar, azeite, bacalhau, banha, batata, cebola, farinha de trigo e de mandioca, feijão, fubá, leite condensado, lombo de porco, manteiga, milho, querosene, sabão, sal, toucinho, vinagre e charque. Isto levou ao câmbio negro, pois a Companhia Estatal Ceres, que tinha o monopólio de certas mercadorias, segundo reclamavam os comerciantes, cobrava dos compradores taxas por fora. (24)

Logo depois do início das hostilidades, foram chamados à Delegacia de Ordem Política e Social todos os alemães, italianos e japoneses residentes no Espírito Santo. Como já vimos, muitos foram presos no Sanatório Getúlio Vargas, em Maruípe, e alguns mandados para o interior do Estado. (25)

Seguindo a sugestão de Assis Chateaubriand, iniciou-se aqui uma subscrição para a compra de um avião. (26) Criaram-se também tecidos alternativos, para substituir o linho, como a guaxima e o caroá, e faz-se o elogio da soja. (27)

Até o cinema se adaptava às novas condições. O Politeama passava O corsário fantasma, com Henry Wilcoxson e Carole Landis, informando tratar-se de "drama oportuníssimo que nos mostra a ação da quinta-coluna no oceano Atlântico". (28)

Também se fala em exportação de produtos estratégicos e cruzam nossos céus dirigíveis norte-americanos chamados blimps que, em tamanho, eram muito menores que os antigos zepelins alemães. (29)

Vem para Vitória, e ocupa o quartel da PM em Maruípe, permanecendo a força policial no velho prédio do Parque Moscoso, o Primeiro Grupo Móvel de Artilharia de Costa (GMAC) e as paradas são predominantemente militares com TG 277 (do Saldanha da Gama), 105, Força Policial. Terceiro Batalhão de Caçadores e Primeiro GMAC. Cria-se também o NPOR (Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva). (30)

Enviamos, em junho de 1944, para o palco de guerra, a Primeira Divisão de Infantaria Expedicionária, chefiada pelo marechal Mascarenhas de Morais e general Zenóbio da Costa. Em Vitória, a LBA assistia a 127 famílias de convocados, dando-lhes pacotes natalinos. (31) Morreram na guerra os seguintes soldados vitorienses:

— Aylson Simões, em 8 de março de 1945;

— Manoel Apolinário dos Reis, em 12 de dezembro de 1944;

— Manoel Furtado, em 12 de dezembro de 1944. (32)

Dos expedicionários vitorienses que voltaram da guerra foram recebidos festivamente na Estação da Leopoldina: cabo Vital Encarnação; soldados Antônio das Neves, Walter Miranda de Sá, Manoel Soares, Natalino da Silva, Nestor Lima, Henrique Bucher, Manoel dos Santos Machado. Na Fonte Grande houve novas festas para os moradores locais – Lima e Bucher (este de origem alemã), falando na ocasião o jornalista Abílio de Carvalho. (33)

Enfim terminou a guerra ante a surpresa mundial do lançamento da bomba atômica, com que os japoneses "não ficaram nada satisfeitos" (34) consoante manchete de A Tribuna. O mesmo jornal pergunta: "Será prudente ser guardado o segredo das bombas atômicas?" e publica artigo de inspiração bíblica do reverendo metodista Carlos W. Clay sobre "o verdadeiro significado da bomba atômica" e do cientista Joliot-Curie "a propósito da bomba atômica". (35)

Para o Espírito Santo, a maior importância da guerra defluiu da criação da Companhia Vale do Rio Doce, com remodelação da Vitória a Minas para adequá-la ao transporte de minério do porto vitoriense de Atalaia, "um projeto inteiramente brasileiro". (36) Esta mudança de vocação portuária seria fator. Também, de intensas mudanças sociais e econômicas em nossa capital.

 

Fonte: Os dias antigos, 1998
Autor: Renato Pacheco
Compilação: Walter de Aguiar Filho, dezembro/2014

Obs: Notas citadas no texto, estão disponíveis nas imagens ao final da matéria.



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