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Há duzentos anos passados... - Por Mário Freire (1945)

Anchieta - Porto Benevente 1874

Reritiba assistiu, em 1742, prolongada agitação. Admoestado por um minorista, um indígena que, durante uma procissão portara-se inconvenientemente, exaltou-se e conseguiu amotinar todo o aldeamento. Não bastou, para restabelecer a calma, a imediata substituição de todos os jesuítas da aldeia, por outros mandados vir de Campos. Solicitado, não quis o Capitão-mór socorrer com a infantaria os padres, que, por isso, representaram contra ele. Por último, os jesuítas obtiveram duas peças, que fizeram assestar junto à igreja. Grande parte dos índios, abandonando nessa ocasião a aldeia, foi fundar a de Orobó. Mesmo depois de alguns anos, como o Bispo D. Frei Antônio do Desterro houvesse mandado o Vigário Geral, D. João de Seixas da Fonseca, em visita pastoral a todas as aldeias dessa região, não quiseram os moradores de Orobó recebê-lo.

Prosseguia o cuidadoso trabalho dos religiosos. Em 1744, Baltazar Lisboa registra vultosas obras no convento da Penha; a mesma data pode ser lida no que resta do frontispício, propriamente, da igreja de S. Francisco, em Vitória. O ouvidor Mateus Nunes, entretanto, assim descrevia Vitória em 1746: — "Aqui não há cadeia, nem casa da Câmara, por terem caído de todo, e não cuidarem os meus antecessores na sua reedificação em tempo mais suave; si bem que a falta de meios seria então a causa, pois a Câmara não tem rendimento algum, e por esse motivo, não tem alcaide, por não haver dinheiro para se lhe pagar o seu ordenado, como não se paga o escrivão da mesma Câmara". Tinha apenas 1 390 "fogos", segundo outra informação dessa época.

Pouco depois, o representante do Vice-rei, declarando-se "Regente" em toda a Capitania do Espírito Santo, mandou, ao som de caixas, lançar um barulhento "bando", afixado também no pelourinho desta antiga Vila; dessa forma ficaram os moradores que acoitavam soldados intimados a entregá-los no prazo de oito dias, sob pena de multa de vinte mil réis, metade para as obras do Conselho, e a outra, em partes iguais, para o denunciante e resgate de cativos.

As notícias das riquezas continuadamente descobertas nas Minas Gerais provocaram explorações também em terras próximas, no Espírito Santo. Assim sucedeu, por exemplo, no Castelo, onde as buscas estenderam-se pelo Arraial Velho, Caxixe, Salgado, Ribeirão do Meio e Canudal, em torno da povoação, depois erigida em freguesia de N. S. da Conceição das Minas do Castelo. Em 1752 o Capitão-mór julgou necessário nomear, para Capitão desse distrito, um militar que, durante alguns anos, servira na força de cavalaria de Mariana, junto às minas.

De 1751 a 1759, segundo uma certidão reproduzida por Alberto Lamego, a Casa da Moeda, no Rio, recebeu, dessa procedência, 246 marcos de ouro, para quitar.

Não faltaram protestos do governo da Bahia, contra tais explorações, devido à proximidade da costa. E, quando a Câmara de Campos pretendeu construir uma estrada até lá, onde queria houvesse um Intendente, opôs-se a Intendência Geral do Rio, apoiada em um lei de 1733, que vedava caminhos ou picadas para minas, sem ordem do Rei. Somente um conselheiro, no Conselho Ultramarino, mostrou-se favorável à estrada, sustentando a vantagem de novas comunicações, sempre que de utilidade geral.

Não foram necessárias determinações especiais sobre a situação de Campos no Espírito Santo, como previra a carta régia que subordinara essa vila à Ouvidoria estabelecida nesta Capitania, uma vez que o Espírito Santo já estava igualmente incorporado à Coroa.

Retomada pelo Rei em 1753, a Paraíba do Sul atravessa um período de progresso. Uma, carta régia de 1760 estendeu aos senhores de engenhos, em Campos, os privilégios de serem executados somente nos respectivos rendimentos, como uma lei de 1689 dispusera em relação aos lavradores e senhores de engenho do Rio de Janeiro. Elevou-se logo o número de seus engenhos, de 55 em 1769, para, ao findar o século, 328, com uma produção de 8.000 caixas, e esse progresso refletiu-se no Espírito Santo.

Uma curiosa informação da Ouvidoria, prestada em 1754, reproduzida por Alberto Lamego, mostra que, das rendas da Vila de N. S. da Vitória, arrecadadas mediante contratos trienais, a dos subsídios produzia 500$330, por ano; a de aguardente, 122$000; e a de enrolamento do pano de algodão, apenas, 40$000. Os três pequenos contratos de aferição das medidas, balanças e pesos proporcionavam, anualmente, 22$480. De foros e pensões, assim como dos teares para tecer pano de algodão, toda a renda anual não ia além de 12$340. Era muito pouco, em confronto com a arrecadação em outras Capitanias...

O Conselho gastava 510$280 com a infantaria da praça; dispendia 74$000 com duas procissões obrigatórias — de S. Sebastião e de "Corpus Christi"; pagava 6$000 de ordenado ao escrivão e outro tanto ao alcaide, cuja falta lamentara o Ouvidor de 1746; e ainda enviava 6$400 de propina ao Secretário do Conselho Ultramarino... As Ordenações mandavam promover as procissões do Anjo da Guarda e da Visitação de Nossa Senhora.

Se era só isso, quando a produção e o comércio atravessavam uma nova crise, melhorara, ainda assim, a situação no Espírito Santo: arrecadava-se mais do que, a acreditar na informação, de fato se gastava .. .

Tendo falecido em 1749 o rei D. João V, ia mudar a política palaciana, até então favorável aos jesuítas. Ainda se viram apoiados, enquanto viva a Rainha-mãe, D. Mariana d'Áustria, que morreu em 1754.

 

Fonte: A Capitania do Espírito Santo, ano 1945
Autor: Mário Aristides Freire
Compilação: Walter de Aguiar Filho, junho/2015

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