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Homenagem ao padre

Em 1814 Benevente era o centro mais populoso do estado depois de Vitória. Concentrava 3.017 pessoas livres e 102 escravos, predominando o índio domesticado, segundo pesquisas dos historiadores Carlos Benevides Júnior, Suely Carvalho e Walace Bonicenha. Naquela época a extração de madeira era feita em grande escala, especialmente o jacarandá, que “despertava a cobiça e constituía a exportação mais importante”.

Destacava-se ainda a extração de sal para uso doméstico, tirados das salinas localizadas no braço do rio Benevente, registra José Marcelino Pereira de Vasconcelos, em Ensaio sobre a História e Estatística do Espírito Santo, em 1858.

Açúcar

Plantava-se arroz, algodão, feijão, cana-de-açúcar e mandioca. O açúcar produzido em abundância nos engenhos era enviado ao Rio de Janeiro e Vitória. Eram quatro ou cinco pequenos navios que faziam o transporte para o Rio. Além deles havia também outros que vinham esporadicamente pelo rio fretados por comerciantes. Não era raro o sistema de troca de produtos da região por outros que chegavam de fora, documenta o botânico francês Saint-Hilaire.

Uma das maiores fazendas de cana-de-açúcar pertenceu ao paulista Joaquim Marcelino da Silva, conhecido na história capixaba como o Barão de Itapemerim, que se estabeleceu em Benevente em 1802. Suas terras foram doadas por sesmaria na região denominada de Três Barras. Mais tarde, o barão se transferiu para Itapemerim, onde fez fortuna.

Saint-Hilaire deixou registrada uma visão panorâmica de Benevente. “Das montanhas que se descortinam à distância, do lado noroeste desce um riacho que logo depois de sua desembocadura dirige-se bruscamente rumo a oeste”. No ângulo formado por essa curvatura erguia-se a cidade de Benevente, chamada também de Vila Nova ou Vila Nova de Benevente. Era formada por cerca de 100 casas, algumas cobertas de telhas e outras de palha. Muitas tinham um andar além do térreo.

O francês impressionou-se pela imponência, principalmente o templo tem dois rebordos, gênero de construção com poucos exemplares no Brasil. Das janelas do claustro, “descortinam-se ao mesmo tempo o rio, a mata majestosa que margeia, sua embocadura, o oceano, a cidade de Benevente e os campos dos arredores”.

Oito sesmarias foram doadas em Benevente. Foi a carta régia de 17 de janeiro de 1814 que revogou as anteriores ordens e autorizava o governador Francisco Alberto Rubim a conceder sesmarias em toda a capitania, às margens dos rios. Em 1850 havia cinco propriedades cadastradas no Livro de Registros de Terras do Município de Benevente de 1854 a 1858. O documento também registra outras três propriedades em 1856.

O povoado foi elevado a categoria de cidade com o nome de Anchieta em 12 de agosto de 1887, em homenagem ao padre José de Anchieta.

Fonte: A Gazeta 26 de setembro de 1994.

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