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Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Foto Walter de Aguiar Filho

A Igreja do Rosário, tombada como patrimônio histórico nacional, foi edificada em terreno doado à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos localizada no morro Pernambuco. Era bastante afastada do núcleo original, com sua fachada principal acessada por uma extensa escadaria voltada para o mar.

A Igreja do Rosário teve sua construção iniciada em setembro de 1765 e sua estrutura principal foi erguida em apenas dois anos, a partir da mão-de-obra negra. Com sua fachada colonial com frontão barroco, ainda mantém suas características originais, inclusive um cemitério em um dos seus corredores. Também foi construída no terreno da Igreja uma “Casa de Leilão” que tinha o nobre exercício de arrecadar para comprar alforria de outros escravos.

As festas de Nossa Senhora do Rosário despertavam grande interesse na capitania, mas para os escravos ligados à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, apenas a devoção Mariana era suficiente. Queriam, também, prestar culto a São Benedito, com o qual se identificavam tanto na cor quanto na pobreza.

Acontece que já havia uma irmandade ligada a São Benedito que se reunia no Convento de São Francisco. Desse modo, começaram a acontecer na vila duas procissões: uma que saía do Convento de São Francisco e outra da Igreja do Rosário, mas apenas uma única imagem do santo, que era partilhada pelas irmandades: de 1º de janeiro até a procissão de Corpus Christi, a imagem passava para as mãos dos irmãos do Rosário. Um pequeno museu, localizado no andar superior da igreja, resgata um pouco dessa história, apresentando imagens e peças utilizadas pela irmandade de São Benedito, inclusive antigas vestes e um andor que pesa cerca de 400 quilos e que eram usados pelos fiéis durante as famosas procissões.

 

Saiba ainda...

A história da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos acabou se ligando definitivamente à história da irmandade de São Benedito do Convento de São Francisco em 1832, quando o guardião desse convento proibiu que a imagem de São Benedito, como de costume, saísse em procissão a caminho do Rosário. No ano seguinte, em 1833, a imagem de São Benedito foi roubada e levada para a Igreja do Rosário, gerando grande rivalidade entre as duas irmandades.

Sem esperanças de reaver a imagem, os devotos do Convento encomendaram outra imagem e recomeçaram os festejos. Pomposas como nunca se tinha visto, essas festas acabaram por suplantar as do Rosário.

Ofendidos com essas exibições de riqueza, os irmãos do Rosário apelidaram os do São Francisco “caramurus”, um partido político que tinha fama de ser arrogante e brigão.

Achando que esse apelido era por causa do caramuru, peixe traiçoeiro parecido com uma serpente, de cor verde, igual ao mantelete que usava em suas vestes, os irmãos do Convento passaram a apelidar os irmãos do Rosário de “peroás”, espécie de peixe sem valor comercial na época, que possuía umas listras azuis, como o mantelete dos irmãos do Rosário.

As disputas entre as duas irmandades de São Benedito envolveram toda a cidade de Vitória. As rixas entre os membros, entre as procissões e entre as bandas musicais resultaram muitas vezes em violência. Com as novas interrupções das procissões, a irmandade do Convento foi extinta.

A irmandade de São Benedito da Igreja do Rosário continua zelando pela Igreja e realizando suas procissões pelas ruas do centro histórico no dia 27 de dezembro de cada ano.

 

Fonte: Projeto Visitar - Prefeitura de Vitória (informações turísticas ligue 156) ou agende uma visita (27) 3315 5540
Compilação: Walter de Aguiar Filho, junho/2010

 

 

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