Imigração no ES

Editor: Morro do Moreno - publicada: 25/11/2013

Imigração Italiana - Família Zamdonadi

Enquanto durou o tráfico de escravos, a emigração européia era muito difícil porque o trabalho livre não podia concorrer com o trabalho escravo. Depois da proibição do tráfico, em 1850, começamos a recorrer aos imigrantes brancos para suprir as necessidades da lavoura.

Na Europa, por essa mesma época, o excesso de população se transformava em problema para muitos países. Um excesso de população representa dificuldade na procura de espaço para trabalhar e manter a vida.

Por meio de contratos, assinados pelos colonos ainda na Europa, o governo capixaba comprometia-se a lhes conceder:

1 - Transporte
2 - Hospedagem provisória em Vitória e nas colônias
3 - Assistência médica por 2 anos
4 - Um lote de terras que chegava a 60 hectares
5 - Meios de subsistência por 6 meses
6 - Instrumentos de trabalho indispensáveis à lavoura: enxadas, foices, facões e machados.
7 - Sementes e mudas de milho, feijão, batata e abóbora
8 - Um casal de porcos, 2 galinhas e 1 galo.

Algumas dessas promessas foram quebradas.

Ainda assim, os imigrantes se estabeleceram e começou a ser formada a população que habita o Espírito Santo. Somos formados por portugueses, africanos, principalmente de Açores, alemães, suíços, luxemburgueses, tiroleses, austríacos, belgas, italianos, holandeses, gregos, espanhóis, sírios e libaneses. Esses dois últimos não foram para a lavoura. Fixaram-se nas cidades, principalmente no litoral, e dedicaram-se ao comércio.

O imigrante procura o mesmo paralelo geográfico de onde saiu ou aquele da mesma latitude no outro hemisfério. O paralelo 20º marca, no Brasil, o limite da colonização européia.

No Espírito Santo, o Rio Doce, um pouco ao norte, na latitude média de 19º30', foi o limite efetivo. A colonização Sul e Centro-Européia que, aproximadamente, atravessava o paralelo 20º, se fixou principalmente às margens do Rio Doce.

Os italianos foram os que vieram em maior número. A música "Noi siamo partiti" é conhecida de muitos descendentes das famílias italianas:

Noi siamo partiti
Nós partimos (= saímos)

Noi siamo partiti daí nostri paesi
Nós saíamos de nossos países

Noi siamo partiti com grandi onori
Partimos com grandes honras

Trenta sei giorni di macchina e vapore
Trinta e seis dias (viajamos) de vapor

E nella merica noi siano arrivati.
E chegamos à América.

Merica, Merica, Merica
América, América, América

Cosa rara la sta Merica
Coisa rara (deve ser) esta América

Merica, Merica, Merica
América, América, América

Un bell mazzolino di fior
(Deve ser parecido com) um belo ramalhete de flores.

 

E nella Merica noi siano arrivati
E chegamos à América

No abbiam trovato ne paglia e ne feno
Não achamos nem palha e nem feno

Abbiam dormito sul nudo terrno
Dormimos sobre a nua terra

Come le bestie che vano riposar
Como animais que vão repousar

Ala Merica l'e lunga l'arga
A América é comprida e larga

E l'e composta di Boschi e montagne
É formada de bosques e montanhas

E coll'industria di boschi e mantagne
E com a indústria (=com o material oriundo) dos bosques e montanhas

E coll'industria dei nostri italiani
E com a indústria (=trabalho, operosidade) dos nossos italianos

Abbiam formato paesi e citta
Construímos vilarejos (=aldeias) e cidades.

Os principais focos de imigrantes do Espírito Santo são:

Alemães

Santa Maria de Jetibá, Santa Leopoldina, Domingos Martins e Marechal Floriano.

Italianos

Nova Venécia, Santa Leocádia, São Mateus, São Gabriel da Palha, Vila Valério, São Domingos do Norte, Rio Bananal, Baixo Guandu, Itapira, Colatina, Baunilha, Itaimbé, Acioli, Cavalinho, São João de Petrópolis, João Neiva, Itaguaçu, Ibiraçu, Itarana, Santa Teresa, Fundão, Santa Cruz, Afonso Cláudio, Venda Nova do Imigrante, Conceição do Castelo, Muniz Freire, Araguaia, Matilde, Alfredo Chaves, Castelo, Vargem Alta, Iconha, Anchieta, Rio Novo do Sul e Muqui.

Libaneses

Alegre, Cachoeiro de Itapemirim e Mimoso do Sul.

Todos esses povos foram ativos trabalhadores e deixaram sensíveis influências na cultura do Espírito Santo.

No mapa ao lado saiba como percorrer as estradas que cortam o Espírito Santo para que você conheça de perto a sua origem.

 

Fontes:
Novo Atlas Escolar do Espírito Santo, 1997 - Neida Lúcia Moraes
- História do Espírito Santo - Uma abordagem didática e atualizada - 1535 - 2002 - José P. Schayder
- IPES

Compilação:Walter de Aguiar Filho, outubro/2012


Publicidade