Fonte: Espírito Santo - História de suas Lutas e Conquistas
Autora: Neida Lúcia Moraes
A grande corrente imigratória de libaneses para o Brasil ocorreu em 1914. Pressionados pela 1ª Guerra Mundial e pela dominação otomana, o resultado foi a fuga para o Brasil.
A verdade é que grupos de sírios, turcos e libaneses já viviam no Brasil desde a época colonial, uma vez que Portugal mantinha relações comerciais com esses países.
Mas foi entre os anos de 1910 e 1940 que a imigração libanesa se tornou mais expressiva.
A guerra de 1914-1918, trouxe um maior transtorno e problemas econômicos. A fome também assolou o país.
Havia também uma revolta generalizada contra os otomanos invasores.
Os libaneses se recusavam a prestar o serviço militar a esses invasores e, dessa maneira, a situação nacional, já tensa e tumultuada, mais ainda se agravou.
Chegando ao Brasil, muitos optaram por viver no Espírito Santo. E se instalaram, principalmente em Vitória, Cachoeiro de Itapemirim e Alegre.
Ao contrário dos imigrantes europeus, os libaneses não buscaram as propriedades agrícolas. Dedicaram-se ao comércio e às pequenas indústrias.
Eram os mascates que abasteciam de mercadorias os habitantes do ES. As vilas e cidades ensejavam a proliferação de pequeno comércio, como as lojas de tecidos, armarinhos, armazéns de secos e molhados.
As razões de escolha do Espírito Santo para viver estavam ligadas, principalmente, ao fato de que muitos tinham parentes no Estado. Correspondências e relatos de amigos falavam das excelentes condições de vida. Outros tinham vindo apenas de visita, mas decidiram ficar por causa dos problemas em seu país.
A imigração libanesa não foi uma imigração subvencionada pelo Governo do Líbano nem pelo Governo do Brasil. Eles viajavam por conta própria, muitas vezes ajudados por parentes e amigos já estabelecidos em terras capixabas.
Esse agrupamento junto a amigos e familiares certamente ajudava a manutenção, adaptação e segurança dos imigrantes. O vínculo do parentesco sempre foi importante para os libaneses.
Famílias de descendentes continuam hoje o trabalho iniciado pelos antepassados. Muitos contam histórias das dificuldades que enfrentaram, mas certos de que venceram os obstáculos. Ocupam um lugar de destaque nos vários ramos da atividade capixaba.
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