Inauguração do bonde em Vila Velha (12/04/1912)

Editor: Morro do Moreno - publicada: 27/03/2012

Bonde de Vila Velha - Local: fundos da Igreja do Rosário

Afinal, chegara o grande dia em que Jerônimo Monteiro ia cumprir a segunda etapa de suas realizações no município, conforme havia prometido por ocasião da inauguração da luz, quase dois anos atrás.

Em pouco tempo, ao longo da linha surgiram os primeiros núcleos urbanos e com eles os bairros. O transporte marítimo de passageiros, comunicando a ilha com o continente, estava agora restrito a um pequeno trecho compreendido entre o terminal dos bondes de Paul a Vitória, por meio de lanchas. Era o que faltava a  Vila Velha para o seu desenvolvimento e crescimento demográfico.

Naquela linda manhã de outono, iluminada por um sol ameno, as pessoas formavam grupos nas ruas da cidade e confraternizavam. Era grande a euforia de todos, que aguardavam a chegada dos bondes a qualquer momento.

12 de abril de 1912. Pequena multidão estava formada diante da estação em cuja plataforma os bondes estacionavam. No interior da estação, cercado de autoridades estaduais e municipais, o presidente Jerônimo Monteiro abria a solenidade concedendo a palavra ao capitão Francisco de Paula Pacheco, diretor da empresa Pacheco e Cia, responsável pela construção da linha de bondes. Ao falar das dificuldades encontradas, decorrentes de vários corte de pequenos morros e de pedreiras, além da necessidade de serem construídas duas pontes, o que não acontecera em Vitória, onde as obras para o carril foram mais fáceis, o orador falou de um desânimo que quase tornou em vão o seu esforço diante da obrigação contratual de entregar a obra dentro do prazo determinado. Só não fraquejou porque a perseverança, as palavras de coragem e de estímulos do presidente Monteiro marcaram o ânimo e a certeza de que tudo sairia em tempo hábil.

Cumprindo a pragmática adotada em seu governo, Jerônimo Monteiro convidou o presidente do Congresso Legislativo Estadual, doutor Júlio Leite, a soltar o laço com cores da bandeira do Estado, que, simbolicamente, prendia a alavanca de funcionamento dos dínamos geradores da força auxiliar que movimentaria os bondes.

Estava inaugurada a linha de bondes que, do terminal de Vila Velha até o cais das lanchas em Paul, atingia uma extensão de aproximadamente dez quilômetros. A estação de Aribiri correspondia a metade do caminho.

O presidente, autoridades e pessoas gradas ocupavam os dois bondes que fizeram a viagem inaugural até o centro de Vila Velha.

A ata que registrou o evento teve sua redação concluída pelo secretário do Governo, doutor Carlos Xavier Paes Barreto, na sede da Administração Municipal, em cuja oportunidade falaram, enaltecendo o trabalho do presidente Monteiro, os senhores Carlos de Sá, Cirilo Aristides da Rocha e Antônio Ataíde. Logo depois, foi a ata assinada pelo presidente de Estado e por mais cento e quinze pessoas.

Jerônimo Monteiro, como sempre, tomado de vivo entusiasmo. Comportou-se como se estivesse inaugurando uma obra em sua terra natal e comentou:

- Agora, só falta a água encanada que, tenho certeza, até o final do meu governo, no próximo mês, será instalada.

E assim aconteceu! No dia 20 de maio de 1912, com a presença do governador eleito, Marcondes Alves de Souza, ainda não empossado, foi inaugurada a água encanada para Vila Velha. Coube a Álvaro de Teffé, cunhado do presidente da República, marechal Hermes da Fonseca, declarar ligada a adutora que conduzia a água encanada para este município. (mensagem encaminhada ao Congresso Legislativo Estadual, pelo presidente Jerônimo Monteiro, em 23/05/1912 – Biblioteca Estadual, Vitória).

 

 

Autor: Dijairo Gonçalves Lima
Fonte: Vila Velha seu passado e sua gente, 2002
Compilação: Walter de Aguiar Filho com modificações no texto original, março/2012

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