Fonte: Viagem ao Espírito Santo e Rio Doce
Autor: Auguste de Saint-Hilaire
Nota do Site: Panorama do Espírito Santo no início do século XIX.
Na Província do Espírito Santo as mulheres não se ocultam, como ocorre em Minas; recebem o estrangeiro, conversam com ele e auxiliam a fazer-lhe as honras da casa. Tecelagem de algodão é coisa a que estão acostumadas; quase todas também fazem renda mais ou menos comum e têm o hábito de trabalhar de cócoras em pequenos estrados, de um pé, mais ou menos, acima do soalho; é, certamente, ao exemplo dos índios, que não escondiam as mulheres, que as da Província do Espírito Santo devem a liberdade de que desfrutam e este resultado não é único neste país, com referência aos costumes dos portugueses em contato com numerosos indígenas.
A língua portuguesa tem sido modificada no Espírito Santo por essas contínuas influências, e muitas palavras que se usam nesta região não seriam, por certo, compreendidas às margens do Tejo ou do Minho, nem mesmo no Rio Grande do Sul ou em Minas Gerais. Assim, os luso-brasileiros da Província do Espírito Santo servem-se, para dizer uma plantação, da palavra capixabi; da palavra Manibo por sobras da mandioca; de quibando por joeira; arupembua, uma paneira, etc.
Tive dificuldade em compreender os habitantes desta parte do Brasil, mais que os de Minas Gerais. Achava que, em geral, falavam mais depressa, com pronúncia menos clara, e que os homens do povo, em particular, se serviam de expressões menos corretas; feria-me o ouvido, sobretudo, a supressão quase inteira do R final, talvez adquirida dos negros e que torna a pronúncia deste últimos tão infantil e atoleimada.
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