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Ingleses no Espírito Santo - Piúma
15/09/2011

Em ensaio que estamos elaborando sobre a Formação Histórica do Espírito Santo, há capítulo dedicado ao estudo sobre a colonização do branco europeu, em nossa Terra, a partir do século XIX. Examinaremos a dívida que contraímos com imigrantes italianos, alemães, holandeses, poloneses, bem como de outras nacionalidades, inclusive (não de espantem os leitores) ingleses.

Segundo informações que nos foram prestadas em 1949, pelo Sr. João Taylor, Almoxarifado do Departamento do Serviço Público, houve florescente colônia de ingleses em Piúma, atual município de Iconha. Pesquisa posteriores esclareceram que Thomaz Dutton Júnior em fins do século passado fizera com o Barão da Lagoa Dourada, em Campos, Rio de Janeiro, a ponte sobre o Rio Paraíba do Sul.

Posteriormente, seduzido pelas matas então existentes no sul do Espírito Santo, iniciou próspero negócio de extração de madeira no Porto de Piúma, paróquia desde 4 de marca de 1883. Instalou aí grande serraria e com auxílio dos índios puri trazia as toras Rio Iconha abaixo, em balsas, desde a primeira queda d’água. Chamou diversas famílias de origem, entre as quais anotamos a de Henrique Thompson, a de Jayme Wacks, a de Francisco Pacca, a de Thomaz Oenes, a de John Ombre, e mais os solteiros Henrique Johnson, Ernesto Oza, e Jorge Percival Burck.

Em 16 de novembro de 1892, através da Lei nº 15, o então Presidente José de Mello Carvalho Moniz Freire, sancionava a concessão a Thomaz Dutton Júnior, em sociedade com Domingos Gonçalves, ou empresa que organizarem, de uma “garantia de juros de 5% sobre o capital de 800 contos de reis para construção, uso e gozo de uma Estrada de Ferro de bitola estreita, tendo apenas 60cm, que partindo da Vila de Piúma vai terminar nos limites do município deste nome com os de Cachoeiro de Itapemirim, para transporte exclusivo dos produtos da empresa, que se propõe organizar para a exploração, no referido município de Piúma, e não podendo transpor o mesmo, de turfa, mármore e pedra calcária, bem como madeiras de diversas qualidades”.

Esta estrada de ferro nunca chegou a ser constrída, pois a progressista vila, segunda no Estado que contou com iluminação a gás, que servia de veraneio para os ingleses, que a consideravam, segundo informantes “Londres em miniatura”, entrou em decadência em virtude de epidemia de impaludismo e questão judiciária famosa do velho Dutton com a família Beiriz, conhecida como a questão do Monte Belo. Também não se aclimataram portugueses que vieram das ilhas de Pico e São Miguel.

Não pudemos localizar as filhas do velho “Dutra” – Teclina, Cecília e Alice – ou seus descendentes, que, segundo consta, moram no Estado da Guanabara.

Os descendentes dos antigos colonos que conhecemos sofreram o processo a que Emílio Willems dá o nome de “acaboclamento”.

 

Fonte: Torta Capixaba - Editora Âncora, Vitória, 1962
Autor: Renato José Costa Pacheco
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2011

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