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Jacarandá - Por Altair Malacarne

Extração de Jacarandá no Espírito Santo

Entre as madeiras nobres que existiam nas exuberantes matas do norte do Espírito Santo, uma virou uma lenda, o JACARANDÁ; uma árvore de porte médio, geralmente torta, muito sujeita a oco, apresentando frestas, quase sempre fina, muito pesada, difícil de serrar, mas que era mais falada que político ladrão.


Me lembro que, sem procura, ela era usada para fazer feixes em fachos para pescar à noite nos córregos vicinais de São Domingos nos dias distantes dos anos 1950; queimava sem apagar, produzindo um fogo constante que atraia os então abundantes peixes; era uma fartura de bagres, piabas, mandis, cascudos, traíras, barrigudinho e até tainhas; também nas fogueiras juninas ele era muito usado, demorando queimar até sobrarem umas brasas fortes sobre as quais os roceiros descalços pisavam para impressionar as mocinhas galantes.


Nos anos 1960, ele virou objeto de desejo; descobriu-se que sua pouca madeira boa era um corte nobre para produção de móveis suntuosos; um preto violeta rajado por estrias esbranquiçadas dão-lhe um visual tremulante, quando não camaleônico; e sua raridade está aliada a uma durabilidade sem ponta, talvez resultante de alguma seiva especial; aquele peso de granito vem de formação de uma grã que não boia sobre a água, imergindo nela como se fosse uma rocha.


No início da década de 1970, ele era caçado como uma pedra preciosa; as árvores ainda em pé não eram mais derrubadas a machado e sim cavadas até as pontas de suas raízes, que entravam no romaneio da especiaria; ele chegou a ter tanto valor que, em Colatina, um proprietário rural auferiu recursos suficientes para comprar uma casa no Bairro Esplanada com a venda de 4 árvores; vinha comprador do Rio e São Paulo com uma machadinha especial para marcar as toras adquiridas; o transporte da mercadoria em caminhões só era feito por carreteiros gabaritados, que tinham locais tombadores exclusivos para manejo da madeira cobiçada; surgiu um extrato social marcante em nosso meio, o homem do JACARANDÁ.


Tamanho surto, não durou muito; o acelerado frenesi logo se foi arrefecendo; foi como uma amostra da extinção de nossas matas, que viria logo em seguida; até as pastarias foram escanhoadas na procura da ‘avis rara’; não mais se falava nos milhões que rolaram para adquirir os achados de calibre grosso; os compradores deixaram de vir a Colatina e agora buscavam a preciosidade no sul da Bahia; mas, o jacarandá foi mais uma grande riqueza encontrada nas terras quentes do norte capixaba, que, talvez por estarem nas extremas das regiões leste e nordeste do Brasil, apresentam joias raras e especiais.


Autor: Altair Malacarne, em 30.08.2013

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