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Jardim Municipal (ex-cais do Santíssimo) - Por Elmo Elton

No Cais da Imperatriz, o bate-estaca atrás do barracção do Eden Parque trabalhando na fundação para construir o edifício Glória. Vitória. 1928. Acervo José Tatagiba.

No primeiro governo de Moniz Freire (1892-1896) foi construído o Jardim Municipal, exatamente onde hoje se encontra o Teatro Glória e a Rua Marcelino Duarte, sendo que, em 1905, o mesmo logradouro, reformado pelo major João Pedro das Neves, transformou-se no Eden-Parque, inaugurado a 11 de outubro. O Eden funcionava, antes, na Rua da Várzea (atual Rua 7 de Setembro), no terreno onde depois foi construída a residência de André Carloni. Em seu novo local, se ergueram dois galpões, o primeiro com palco para espetáculos ligeiros, paralelo à atual Marcelino Duarte, e o segundo, sobre o mar, com botequim e bilhares.

Em 1907, nesse local, uma novidade despertou a atenção dos moradores da cidade: — a estréia do cinematógrafo, a 13 de janeiro, pelo Sr. Vitor Mayo. Logo em seguida, outra atração se registrou na mesma área, graças à iniciativa de um comerciante, apelidado Fogo na Cingica, que adquiriu um gramofone e ali o instalou. Os interessados na audição pagavam 200 réis, colocando os transmissores nos ouvidos.

Era belo e bem arborizado o espaço ocupado pelo Eden-Parque, "ponto dos políticos da época, quase todos hábeis jogadores de bilhar. A "campista" e o "bacarat" prendiam aí os notívagos até alta madrugada", sendo que, no governo de Nestor Gomes, quando da abertura da Avenida Capixaba, desapareceu o parque, autorizando-se a venda da gleba resultante.

O cais do Santíssimo, também chamado da Imperatriz, serviu de ponto de embarque até 1910, para Vila Velha e Argolas, das lanchas a vapor de Eugênio Neto.

 

LADEIRA DO SACRAMENTO (desaparecia)

Logradouro que iniciava na Rua das Flores (atual Dionísio Rezendo) e terminava na Pereira Pinto, esta localizada em parte de terreno onde hoje se estende a Praça Costa Pereira. A ladeira tinha duas seções distintas: a parte plana era ocupada por pequeno comércio em sobradinhos de reduzido pé direito, a começar por onde agora se ergue o prédio-sede da Escelsa, sendo que nesse mesmo trecho existia a Casa Emanuel Braz, "papelaria e quinquilharias, usando anúncios com cartazes e tabuletas sugestivas". A outra parte, propriamente a ladeira, aliás, íngreme, terminando na Duque de Caxias, conheci bem, quando menino, porque a subia sempre, rumo ao Externato Dália Pena, onde estudei durante três anos. Recordo que as casas, ali, ligadas, como que se escorando umas nas outras, eram baixas, antiqüíssimas, muito mal cuidadas, as portas protegidas por empanadas. as janelas com cortinas de chita. Eram "casas de raparigas", como se dizia então, prostitutas que passaram a ocupar essa artéria desde fins do século passado, conspurcando, assim, o nome e as tradições religiosas do local, por onde desciam e subiam as procissões saídas da velha matriz. As demolições dessas moradias se efetivaram durante a administração do prefeito Américo Poli Monjardim.

 

Fonte: Logradouros antigos de Vitória, 1999 – EDUFES, Secretaria Municipal de Cultura
Autor: Elmo Elton
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2017

Bairros e Ruas

Rua Professor Baltazar (ex-ladeira da Várzea)

Rua Professor Baltazar (ex-ladeira da Várzea)

Rescala, pintor de talento, expondo em Vitória em 1938, teve a oportunidade de retratar fielmente a ladeira, estando esse seu trabalho no Palácio Anchieta

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