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Jayme Navarro de Carvalho

Fonte: Remo Capixaba - esporte memória
Autor: Álvaro José Silva

Jayme Navarro de Carvalho remou de 1947 até 1958. Foi também coringa do esporte, praticando diversas outras modalidades. Hoje dá nome à Lei Municipal que incentiva os esportes amador e olímpico de Vitória.

"Comecei a remar no Saldanha já um pouco tarde, em 1947, quando voltei a Vitória. E falar em Saldanha e remo é relembrar o que foi o remo do clube. Ele teve uma fase muito boa, inclusive na época do Wilson Freitas, que era considerado um dos maiores remadores do Brasil, e do Agenor Corrêa. Eles formaram um double (barco com 2 remadores) fora de série e, acho, até hoje ninguém bateu o recorde deles. Mas já passaram outros grandes remadores pelo clube."

Quem está falando, Jayme Navarro de Carvalho, é uma legenda do esporte capixaba. E ele prossegue em seu depoimento: "Sempre houve essa rivalidade muito grande entre Saldanha e Álvares, o tônico que mantém o remo em Vitória."

O velho dirigente lembra que o esporte mudou: "Agora ele está muito diferenciado da minha época. Antes, você subia de acordo com as vitórias que tinha. Hoje é por idade. Antes você iniciava como estreante e depois, mesmo que não ganhasse, passava para principiante. Para passar a sênior, tinha que ter no mínimo cinco vitórias. Hoje, não."

Jayme só não correu de skiff. Quando presidiu o Sandanha, Jayme implantou, pela primeira vez no Estado, um preparador físico, inclusive com muita reclamação. Levou para lá um rapaz de fora, recomendado pelo professor Orlando Ferrari. Ele se interesou pelo esporte. "Quando o levei para o Saldanha - explica - começamos a fazer a preparação física antes da ida à água, e foi uma grita danada do pessoal, dizendo que treinar tinha de ser dentro da água. E o cara ficava meia hora, quarenta minutos, fazendo exercício para depois entrar na água. Reclamava-se muito de perda de tempo e eu sempre dizia que era preciso avaliar o resultado depois. Mas quando eles ganharam, vibraram. Toda inovação é difícil de ser aceita. Você faz um negócio e a pessoa acha que não tem de ser feita. Mas depois de tudo implantado, vêm os resultados positivos".

O dirigente presidiu o Saldanha por oito anos, de 69 a 78. Depois, o Conselho Deliberativo por mais oito anos. Como remador, conquistou várias vitórias e, no Brasileiro, tem um vice-campeonato.

O dirigente conta uma história sobre a rivalidade de Álvares e Saldanha: " Um dia eu estava na rampa do Saldanha. Tinha terminado de treinar e era presidente do clube. Chegou um remador profissonal do Álvares Cabral, Manuel Corrêa, remando um skiff e, muito nervoso. Segurei o barco para ele saltar e, quando saiu, falou: "quero vir para o Saldanha". Eu falei: "Como você quer vir para o Saldanha? Não vou te aceitar não". Ele estranhou, perguntou se eu estava recusando a sua presença. E eu respondi que não, que eu o conhecia há anos e desde garoto o via remando no Álvares. Ele era uma tradição do clube. Teve um desentendimento. Disse a ele que resolvesse seu problema lá, achava que ele seria uma beleza no Saldanha, mas sabia que se tratava de um cabralista de coração. Mandei procurar seu presidente e, se ele mantivesse a atitude, o receberia no Saldanha. Tempos depois encontrei-me com o Manoel. Ele me deu um abraço e disse: "Você é um camarada legal. Depois fui remando de volta, esfriando a cabeça. Eu disse a ele: "É a mesma coisa eu ir para o Álvares!".

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Impossível eu não dar meu depoimento pessoal sobre o remo capixaba, uma vez que também fui remadora, do Álvares Cabral, em 1989. Tinha 16 anos. Fui praticar natação, mas acabei me apaixonando pelo remo. Minha mãe é que não gostou nada: "Isso é esporte de homem!" Mas que nada, a primeira vez que entrei nas águas da baía de Vitória com meu skiff, foi incentivada pela Márcia, exímia remadora, esposa de Caranguejinho, lenda do remo capixaba, que aliás, estava grávida de 3 meses e remando.

Tínhamos já a figura do preparador físico, era o De Biase. E como esquecer de tantos outros que marcaram uma geração do remo? Marcelo Brasil, Sarué (Evandro), Rominho, Amarildo (o das cuecas Andrik), Pézão, Seu Glu-Glu, o técnico, maravilhoso, nos tratava (a mim e as outras meninas, Cíntia, Áurea e Fernanda) como princesas. Era uma briga para pegar barcos, mas quando chegávamos ao clube, ele até mandava um barco sair da água para nós... Outra figura representativa foi o Luciano Rezende, especialista em medicina esportiva, já como técnico e preparador da equipe principal do Álvares numa nova etapa do remo.

Em 1990 veio o vestibular e outras preocupações de quem está saindo da adolescência. O remo foi ficando distante, mas aqui no coração, sempre presente. E quem sabe ainda não remarei novamente um dia? Como dizia Seu Glu-Glu, quem foi rei, nunca perde a majestade!

Mônica Boiteux
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