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João Punaro Bley

Baile no Palácio do Governo do ES (Palácio Anchieta)

Nascido em Montes Claros- MG, 14 de novembro, 1900 - 1983.

Foi o governante do Espírito Santo que por mais tempo exerceu o poder, de 19/10 a 21/11/1930 como membro da Junta Governativa ao lado do Dr. João Manuel de Carvalho e do Dr. Afonso Corrêa de Lírio, e de 22/11/1930 a 20/01/1943 sucessivamente como interventor-governador-interventor. Durante o seu governo podem ser destacadas as seguintes ações: um forte incentivo à educação técnica, tanto na área agrícola, com a abertura, entre outras, da Escola Agrotécnica de Santa Teresa, como na área industrial com o seu fundamental apoio para a abertura da Escola Técnica de Vitória; apoio ao ensino superior com amparo à fundação da Faculdade de Direito de Vitória; construção do cais de minério do Porto de Vitória e por fim uma preocupação intensa com a situação financeira do Estado, permitindo-lhe inclusive, praticamente, "zerar" as dívidas do governo

Graduou-se em Minas Gerais na Escola Militar como tenente em 1921. Embora fosse simpático à rebelião de jovens oficiais chamado Movimento Tenentista de 1922, ele não participou. Em 1930 ele se juntou a rebelião nacional contra o governo constitucional brasileiro, que começou quando Getúlio Vargas perdeu a eleição de 1930 para o candidato Júlio Prestes numa suposta fraude e decidiu tomar o poder pela força. João Punaro Bley juntou as linhas do rebelde Coronel Otávio Campos do Amaral e tomou parte na captura de Vitória, capital do estado do Espírito Santo. Octavio Campos do Amaral marchou em direção ao Rio de Janeiro. João Punaro Bley ocupou o cargo como parte de uma junta governativa também formada por João Manuel de Carvalho e Afonso Correia Lírio.

Esta junta governativa durou alguns dias, quando então em 22 de novembro de 1930 João Punaro Bley foi nomeado Interventor Federal no Espírito Santo, por tempo indeterminado pelo recém-instalado presidente do Brasil, Getúlio Vargas.

Em 1934, após a reconstitucionalização do Brasil, João Punaro Bley foi eleito governador para o período de 1935-1939 (ele também foi o primeiro chefe do poder executivo do Estado do Espírito Santo para levar o título de Governador em vez de Presidente). No entanto, foi-lhe dado poderes federal mais uma vez em 1937 e permaneceu no cargo até 1943.

Bley quando tomou posse, o estado do Espírito Santo estava em uma má situação econômica, pois desde o crash da Bolsa de Nova York em 1929, com os investidores de Wall Street vivendo de especulação, afetou diretamente a monocultura do café, o principal produto de exportação. A fim de baixar os preços do café no mercado consumidor, e para forçar os agricultores a diversificar a agricultura do Estado, Bley enviou tropas para invadir as fazendas e para arrancar e queimar as plantas de café tanto quanto possível. Contra todas as probabilidades, a má situação econômica do estado foi rapidamente superada e todas as dívidas do Estado foram pagas.

João Punaro Bley queria eliminar a influência da política dos fazendeiros latifundiários (como a família Monteiro) sobre o Estado. Primeiro, ele incentivou os camponeses a migração interna para as regiões pouco povoadas no norte do estado, que esgotadas as plantações de café de trabalhadores, então Bley impulsionou a industrialização do Estado e o desenvolvimento de atividades urbanas. Ambas as decisões exigiram grandes investimentos para melhorar a infra-estrutura do Estado (energia, água potável, esgotos, estradas e ferrovias para ligar o Sul e o Norte do Estado, bem como para ligar o Estado ao resto do país). O marco do governo Bley, foi o investimento em infra-estrutura. Investiu na segurança construindo o quartel de Maruípe e a penitenciária de Pedra D’água. Colocou em funcionamento a hidrelétrica de Rio Bonito e construiu a Usina Suíça. Bley criou a primeira Universidade do Estado do Espírito Santo, que inicialmente oferecia cursos de Odontologia, Direito e Farmácia.

Foi também no tempo Bley, que a empresa de mineração Vale do Rio Doce iniciou a construção de uma ferrovia que liga os campos de mineração de ferro em Minas Gerais para o porto de Tubarão em Vitória. João Punaro Bley renunciou ao cargo em 21 de janeiro de 1943. Os seus poderes foram transferidos para o seu substituto, Jones dos Santos Neves. João Punaro Bley trabalhou como diretor Comercial da Companhia Vale do Rio Doce até 1947, quando ele retomou a sua carreira militar, a partir do qual se aposentou em 1962.

 

O LEGADO DE JOÃO PUNARO BLEY

Destaca-se, na era Bley, o saneamento das finanças do Estado e os investimentos na área social, especialmente no binômino saúde- educação.

O interventor liquidou as dívidas pendentes internas e externas. Para atingir tal meta, cortou gastos supérfluos, demitiu funcionários públicos, organizou a cobrança de impostos e estimulou as exportações.

Fortalecendo o orçamento do Estado, teve como desenvolver uma política de amparo às camadas urbanas menos favorecidas. Reproduziu dessa forma, no Espírito Santo, o assistencialismo de Getúlio Vargas que, graças a política trabalhista, foi chamado de “Pai dos Pobres”.

Os setores de saúde, educação e assistência social foram os proprietários. Obras foram implementadas: orfanatos, leprosários, sanatórios, asilos, patronatos, hospitais, casas de saúde, penitenciárias, escolas, internatos e, por fim, a Faculdade de Odontologia, Farmácia e Direito de Vitória. Campanhas de vacinação foram realizadas contra a varíola e a difteria.

João Bley deu continuidade a obras iniciadas em governos anteriores e que estavam paralisadas: pontes, estradas e o porto de Vitória. Fora isso, a única realização de grande vulto de sua administração foi o início da construção da rodovia Vitória-Rio.

Mantendo a “vocação agrícola” do Espírito Santo, os cafeicultores foram socorridos por meio de incentivos fiscais e empréstimos. A produção de café foi estimulada e sementes foram distribuídas a pequenos produtores.

Procurando diversificar a agricultura capixaba, incentivou a fruticultura. Instalou, na Região Serrana, onde atualmente é Vargem Alta, a Estação Experimental de Sericicultura com a finalidade de plantar amoreiras e criar o “bicho-da-seda”. Foi construída, em Santa Teresa, a Escola Prática de Agricultura e, em Vitória, o Instituto Agrícola Maruípe.


Pesquisa: Walter de Aguiar Filho, novembro/2012
Fontes de pesquisa: wikipedia.org / História do Espírito Santo ( José P. Schayder)

 

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