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Joaquim Antônio Pereira Baraona

Joaquim Antônio Pereira Baraona

Um grande sábio disso certa vez que vinha de longe, do nascente para a plena luz do sol do meio-dia. A sua Pátria é aquela onde momentaneamente fixa seus pés.

Desde que Pedro Álvares Cabral, intrépido lusitano desbravador de mares e descobridor de Continentes desembarcou no Brasil, os portugueses têm vindo e ido numa atividade incessante, redescobrindo o que foi descoberto, trazendo de novo a sua valiosa colaboração ao futuro do País que começaram a construir e, do qual nunca mais conseguiram se separar.

JOAQUIM ANTÔNIO PEREIRA BARAONA, português, nascido em Ourique, no dia 23 de setembro de 1930, seguindo a velha e antiga tradição, aqui aportou vindo dalém mar, em busca de fincar na terra brasileira os marcos idealistas, revivendo a epopeia dos antigos marinheiros das Cortes de Lisboa.

Conterrâneo de Eça da Queirós, JOAQUIM BARAONA, talvez o repetindo acredita com sua autenticidade que, na vida só têm importância os que criam almas, e não os que reproduzem costumes. Ele provavelmente não apoiaria Eça na sua concepção do sonho, com os quais todas as coisas se lhe pareciam, visões fantásticas e desmanchadas que a sombra dá às verdades. BARAONA é um concretizador de sonhos e um indiferente a qualquer tipo de sombra, mas acredita em todas as verdades, especialmente na sua verdade que em pouco tempo entre nós, ele tem espalhado no "Parque das Hortênsias" e em outros arrojados projetos destinados a criar comunidades, a fazer viver condignamente gentes.

Filho de José Godinho Baraona e Cecília Maria Pereira Baraona, seus pais dedicavam-se ao comércio e à agricultura. Cursou a Escola Primária em Ourique, o Colégio Luis de Camões em Lisboa, o Instituto Industrial de Lisboa, vários cursos de aperfeiçoamento, alguns feitos no estrangeiro, em especial em Paris. Ele se orgulha com toda a sua sensibilidade portuguesa, de ter tido o melhor relacionamento possível com os pais, parentes e amigos, tendo depois da morte do Sr. José Godinho Baraona ficado a ser o líder e responsável por toda a família.

Conta ele que nasceu numa região (o Alentejo), em que as tradições, preconceitos e os dogmas da religião católica, estavam agarrados ao espírito das pessoas, como por falar exemplo: os filhos não podiam falar aos pais, nem junto deles, sem autorização prévia destes; quando sentados à mesa na hora das refeições, tinham que pedir a benção aos pais, padrinhos e avós logo que os encontrassem, sob pena de grave castigo, jamais se poderia falar em roupa interior de uma senhora ou algo semelhante, porque era um enorme "palavrão" e considerado falta de respeito; não se poderia falar do diabo, inferno ou satanás, porque Deus "picaria na língua", costumes que prevaleceram por herança no Brasil, dos antigos portugueses.

Os adultos se tratavam, salvo os mais íntimos, por Vossa Excelência, e aos jovens por "tu". Esta situação durou até mais ou menos 1946, quando após a II Guerra Mundial, se mudaram conceitos, normas sociais e a própria Igreja iniciou uma relativa abertura e o combate à maioria dos dogmas religiosos. Todavia, há que se reconhecer que a rigidez do antigo sistema, deu-lhes uma disciplina pessoal, social e profissional, firmando o amor ao trabalho e respeito ao próximo; trazendo apenas por consequência a destruição em grande parte da fé religiosa medieval pela mudança brusca da evolução da própria Igreja que se renovou.

Diz JOAQUIM BARAONA que, por virtude de tais preconceitos, recorda-se de verdadeiras figuras de antologia como as personagens saídas das obras de Balzac, Eça de Queirós ou Camilo Castelo Branco. Porém, a "honra" e a "palavra dada" eram sagradas e em qualquer negócio ou compromisso o aperto de mão valia à assinatura de contrato no papel.

Ainda devido aos costumes de sua terra, BARAONA sabia que só depois de oficialmente noivos, era permitido namorar em casa e junto dos familiares, mas até ao pedido oficial só se permitia namorados falarem à janela ou à porta de suas residências, a maioria das vezes às escondidas.

Vindo de uma geração relativamente boêmia, o nascimento do seu primeiro filho, provocou em JOAQUIM BARAONA imediatas transformações. Sentiu naquele acontecimento um choque e um peso de responsabilidade que o ajudaram a firmar-se na vida.

Um dos grandes momentos de sua vida, ocorreu no dia da inauguração de um dos mais bem aparelhados tecnicamente hospitais de Portugal; de um bairro para a residência de 105 famílias pobres e de uma creche para 120 crianças, tudo feito por ele durante o mandato de Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Cascais. Sentiu, além de um certo orgulho, que vale a pena trabalhar e dar ao próximo algo de si mesmo.

Das grandes tristezas que já viveu, cita a morte de seu filho Pedro Miguel. O fato doloroso aconteceu na piscina de sua casa, junto dele e constatou neste terrível momento de angústia que, por mais amor que se tenha aos filhos, há sempre um momento que nada podemos fazer. Ele e sua mulher, ficaram totalmente sofridos por muitos anos e com "cicatrizes" que os marcaram para toda a vida.

A vida que dá e tira, que faz sorrir e chorar, levou-o a viver novas emoções, no dia em que o Presidente da República de Portugal o condecorou, na presença de todo o Governo do País, com a mais alta condecoração concedida a um civil "Comenda da Ordem da Benemerência", vitória que BARAONA tem tentado transmitir aos seus filhos, com toda a sensação e emoção, amor patriótico, fruto de sincera dedicação a causa dos necessitados.

Outra grande emoção que ele confessa ter vivido, foi ter podido estar vivo para presenciar a descida do primeiro homem na Lua. E depois de um tal avanço tecnológico, incluindo o Poder Atômico, ele se pergunta: O que será do Mundo no próximo século?

Momento triste para os BARAONA: quando ele, a mulher e os filhos, ficaram marcados para o resto da vida, pelas consequências da Revolução de 25 de abril de 1974, em Portugal. Em 18 de maio de 1975, foram obrigados a deixar o País, abandonando tudo por ter sido expedido contra ele mandato de detenção pela extinta Copcon, considerando-o "perigoso reacionário". Os comunistas confiscaram todos os seus bens, ocuparam a sua casa e venderam em praça pública seus móveis, roupas, objetos (a maioria recordações íntimas), ocuparam os seus escritórios, prédios, apartamentos a sua empresa e suas oficinas, armazéns almoxarifado, de onde venderam máquinas, material, viaturas. Embora tendo conhecimento de que era este o modo como tinham agido com milhares de outras famílias e a maioria das empresas a dor e a revolta que sentiu por momentos foi insuportável. Os povos livres nunca devem se omitir pelo esquecimento tais brutalidades cometidas por um regime de tão fria crueldade.

JOAQUIM BARAONA veio para o Brasil, devido a este episódio e escolheu para nossa felicidade o Espírito Santo para viver, aqui iniciando com sua criatividade, tanta coisa boa, especialmente o Parque das Hortênsias, em Campinho, um exemplo da maravilhosa técnica portuguesa de colocar os indivíduos em harmonia com o meio ambiente natural. Depois partiu para outros empreendimentos bem-sucedidos, que estão fazendo a fase da história da vida dele e de sua família no mesmo Brasil descoberto pelos antigos portugueses.

Ele destaca ainda, como momentos muito felizes em Portugal, quando com mais de 1.000 pessoas por aclamação o elegeram Irmão Honorário da Santa Casa de Misericórdia de Cascais, honraria que em mais de dois séculos só fora concedida a três figuras nacionais, uma delas o Presidente da República e a outra aos Condes de Castro Guimarães; quando em 23 de abril de 1974, dois dias antes da Revolução, lhe foi prestada uma homenagem nacional estando presente mais de duas mil pessoas desde representantes do Governo até simples trabalhadores.

Para JOAQUIM BARAONA, o desabrochar do amor em qualquer pessoa, se é correspondido, são aleluias e sinos a repicar. O casamento é o ato mais importante na vida do ser humano. O entrosamento, respeito e compreensão mútuos do casal trazem a felicidade para ambos e para os filhos, pois que tanto nos momentos de alegria e felicidade ou infelicidade, todos se amparam, compreendem e lutam irmanados. Esta situação se reflete na formação dos filhos para quem todos os pais desejam um mundo de venturas.

Quando teve que enfrentar o mundo sozinho, o fez com a maior coragem e perseverança tanto que até hoje nunca perdeu uma "guerra" e sempre venceu as tarefas a que se propôs realizar. Tem tido ao longo de sua vida muitos e excelentes amigos, mas não pode deixar de destacar seis pela sua fidelidade sempre igual nos bons e maus momentos durante a sua vida inteira: João Pimenta, José Eduardo Jacinto; Armando Deillot Estrela; Antônio dos Reis Valle; Leonel Lourenço e Domingos Martins Alfacinha de Mendonça. Como destaque especial, a uma amizade que supera tudo e tem raízes tão profundas que a torna inigualável, cita a sua irmã Mariana Pereira Baraona Salve-Rainha. Ela foi gerente de suas empresas e defendeu durante anos os seus interesses mais do que ele próprio e muito mais do que os dela quando teve que abandonar o País embora ela sofresse de uma gravíssima doença, lutou com uma coragem e amor, em defesa do seu nome e dos seus bens, como se fosse um gigante. Ele fala com muita ternura de sua irmã, afirmando que morrerão brigando ligados por afinidades, por um amor que supera a simples amizade fraternal.

JOAQUIM ANTÔNIO PEDRO BARAONA acha difícil falar dos próprios sentimentos, porque poucos acreditam no que somos realmente. Teve sempre o culto da verdade, da justiça e, ao longo de sua vida, realizou uma obra em matéria de assistência vivida à proteção das crianças e velhos. Tem a maior preocupação com as injustiças e egoísmos que se observa no cotidiano. O mundo, na sua opinião, está cheio de inveja e mediocridade, de ódio e cinismo.

No campo profissional tem sido bem-sucedido, tanto em Portugal quanto no Brasil, os seus empreendimentos e ele próprio tem merecido confiança e crédito e, por isto, afora as dificuldades inerentes a todas as empresas, nunca teve qualquer problema.

Ele acha que a sua vida no lar poderia servir de exemplo à maioria dos casais. Sua mulher Maria Amália Pereira dos Santos Gallis Baraona é a responsável principal por todos os seus triunfos e merece todas as homenagens. É uma mãe maravilhosa, tem sido companheira extraordinária, nos bons e maus momentos, transmitindo uma paz e tranquilidade que a impõem como a Deusa do Lar. Só se sentiu derrotado uma vez, quando não conseguiu impedir a morte do filho e ao ter que abandonar Portugal por causa dos comunistas. De suas vitórias, salienta apenas uma: Ter começado a sua vida aos 45 anos neste maravilhoso Brasil e no Espírito Santo, quase sem recursos econômicos, numa situação difícil e apenas decorridos cinco anos ser escolhido para fazer parte da galeria das Personalidades deste Estado.

JOAQUIM BARAONA tem os seguintes filhos: João Francisco Gallis Pereira Baraona; Francisco José Gallis Pereira Baraona, Paulo Alexandre Gallis Pereira Baraona e Maria Isabel Gallis Pereira Baraona.

Infelizmente, diz JOAQUIM BARAONA, a sociedade dá maior importância às pessoas na relação direta do seu saldo bancário. É frequente ver homens com reais e intrínsecas qualidades numa luta titânica para vencer, enquanto outros que sem um mínimo de inteligência "aparecem" no cimo da onda social apenas porque têm muito dinheiro, embora se saiba a mais das vezes que este não foi adquirido de forma muito "clássica", para não dizer desonesta. O dinheiro é importante na vida das pessoas, porque permite que elas “apareçam". Ter uma boa casa, um maravilhoso carro e um iate de longo curso, traz imensos "amigos" e o desejo de muita gente usufruir destes bens. No entanto, há pessoas que embora não tenham dinheiro, pela sua educação e honestidade com que pautam os seus atos profissionais e sua vida familiar, gozam de prestígio e status ao maior nível social merecidamente.

JOAQUIM BARAONA tem muita coisa para contar de sua vida, dos anos que passou na Europa, que conhece toda, das suas experiências como empresário e homem de fortuna em Portugal. Ele espera e confia em que a juventude de hoje, lute com todas as suas forças pela Paz Mundial, que cultive a compreensão, o amor ao próximo, que combata o egoísmo e a injustiça. Que não se deixe seduzir por falsos profetas, que aprendem e espalham slogans de uma igualdade que não existe. Que respeite, mantenha e cultive o amor da família, base de uma sociedade sã.

Em Portugal, JOAQUIM BARAONA ostenta os seguintes títulos: Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Cascais; Conselheiro Municipal de Cascais; Membro do Conselho de Coordenação Médico Social do Distrito de Lisboa; Presidente do Setor de Urbanismo do Grêmio da Construção Civil; Presidente da Assembléia Geral da Santa Casa de Misericórdia de Ourique; Presidente do Rotary Clube de Cascais-Estoril; Presidente da Assembléia Geral dos Bombeiros Voluntários de Cascais; Presidente do Grupo Dramático e Sportivo de Cascais; Presidente do Club Sousa Teles de Ourique; Diretor do Jornal "A Nossa Terra", de Cascais.

No Brasil, ele foi agraciado como Vice-Presidente da Fundação Hospitalar do Município de Domingos Martins, ES; Conselheiro da ADEMI — Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Estado do Espírito Santo.

É ainda, em Portugal: Cavaleiro da Grã Cruz da Ordem dos Cavaleiros do Santo Sepulcro; Comendador da Ordem de Benemerência; possui a Medalha Cívica e Cultural Regente Antonio Feijó CLASSE OURO pelo Instituto Internacional de Heráldica e Genealogia; Condecorado com a Ordem de Mérito de Belas-Artes "No Grau de Grande Oficial", pela Universidade do Rio de Janeiro; Condecorado pelo Instituto Internacional de Heráldica e Genealogia com a Legião Presidente Antônio Carlos, no Grau de Comendador, estas três últimas recebidas no Brasil.

No Brasil dirigiu ou dirige as seguintes empresas: PINHAL — Planejamento Imobiliário Ltda., Empresa Incorporadora; URBHOCON — Urbanismo, Hotelaria e Construções Ltda. — Empresa Incorporadora de Construção e ligada ao ramo Turístico; VELA BRANCA IMOBILIÁRIA S/A, Empresa Incorporadora e Urbanística.

Finalmente, diríamos que JOAQUIM PEREIRA BARAONA, é daqueles homens que pensa como Calvin Coolidge: "Não podemos fazer tudo ao mesmo tempo, dizia ele, mas podemos fazer alguma coisa imediatamente”. É o que o nosso personagem comumente faz.

 

Fonte: Personalidades do Espírito Santo. Vitória – ES. 1980
Produção: Maria Nilce
Texto: Djalma Juarez Magalhães
Fotos: Antonio Moreira
Capa: Propaganda Objetiva
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2020

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