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Jones dos Santos Neves

UCHÔA DE MENDONÇA

Dia 29 de dezembro de 2001 é uma data importante para o Estado do Espírito Santo. Marca o centenário de nascimento de uma das personalidades mais fascinantes, mais criativas e mais dinâmicas de nossa história política: o homem público Jones dos Santos Neves.

Nascido na localidade de Bananal, na fazenda de propriedade do seu pai, em São Mateus, esse homem probo, que começou sua vida com a profissão de farmacêutico, tornou-se político, chegando a interventor federal, no período do Estado Novo, de 1943 a 1945, quando elegeu-se senador da República. Voltou ao governo do Estado em 1951, pelo voto direto, realizando uma notável administração, abrindo o Estado ao desenvolvimento industrial.

Trabalhador incansável, Jones dedicou-se um pouco da arte de fazer política, talvez devido à sua vocação de verdadeiro estadista, permitindo, assim, que a demagogia dos adversários apresentasse, como seu substituto, um concorrente populista, apelidado de “Chiquinho” (Francisco Lacerda de Aguiar), que destruiu a economia do Estado – tudo aquilo que tinha sido construído por Carlos Lindenberg e Jones dos Santos Neves, os dois primeiros governadores depois do fim do regime do Estado Novo. Foi necessário o retorno de Carlos Lindenberg, em 1959, para restaurar as finanças e a moralidade pública, terrivelmente arrasadas por atos inconseqüentes de “Chiquinho”.

Em outubro de 1962, Jones dos Santos Neves, estimulado por amigos admiradores, voltou à política capixaba, desta vez para concorrer novamente ao governo, tendo como candidato de oposição o mesmo “Chiquinho” Aguiar. Por um destes infames lapsos de memória do eleitor, elegeram novamente o “dr Chiquinho”, voltando o Estado a mais um período de profundo descrédito. Com o surgimento do movimento revolucionário de 1964, diante dos escândalos que ocorriam no Espírito Santo, os militares pressionaram o então governador “Chiquinho” para renunciar – o que aconteceu, em 1966.

Jones assistiu aos acontecimentos do Estado de perto, porque aqui continuou, largando seus negócios no Rio de Janeiro, para permanecer no Espírito Santo até o final de seus dias. Idealista, correto, mereceu dura campanha por parte dos seus oposicionistas, porque não respondia aos ataques que lhe eram movidos, principalmente contra alguns de seus secretários, que eram acusados de desonestidade – o tempo provou que tudo não passava de calúnias, informações infundadas e que jamais foram provadas. Enquanto isso, aqueles opositores, quando no poder, pintaram e bordaram, mostrando que a coisa era totalmente inversa. Assim, o Espírito Santo, pela má política, perdia um dos mais respeitáveis governantes, que prestou ao Estado os mais relevantes serviços.

A satisfação de Jones veio em 1967, com a eleição de seu ex-auxiliar e amigo Chistiano Dias Lopes Filho, que realizou um dos mais extraordinários governos do Estado.

Fonte: HISTÓRIA DO ESPÍRITO SANTO – UMA ABORDAGEM DIDÁTICA E ATUALIZADA 1535 – 2002
AUTOR: JOSÉ P. SCHAYDER

O ARTIGO FOI PUBLICADO NA GAZETA EM 28/12/2001 – SOFREU PEQUENOS CORTES A ALGUMAS ADAPTAÇÕES CONFORME FONTE ACIMA CITADA PG. 149.

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