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José Antônio do Amaral

José Antônio do Amaral

Um homem, por menor importância que tenha, há de encontrar para si e para seus ideais o agasalho do reconhecimento sob o abrigo da coletividade. Mais ainda, quando suas vivências são ricas de conhecimentos e de experiências adquiridas ao longo de uma trajetória através de um universo formado pelo conjunto de doutrinas e de idéias. Esta convivência fascinante e vitoriosa entre o homem e o meio social e político, parece ser uma constante e um privilégio na vida dos que nasceram no berço pródigo da encantadora cidade de Cachoeiro do Itapemirim, onde JOSÉ ANTÔNIO DO AMARAL, nasceu, em 10 de maio de 1916.

Há que se fazer uma necessária separação entre JOSÉ ANTÔNIO DO AMARAL político, do JOSÉ ANTÔNIO DO AMARAL odontólogo, homem do povo, com honrosa folha de serviços prestados a Cachoeiro e ao Espírito Santo, em diversas fases de sua vida.

Não se trata apenas de um homem que se destacou pelo simples bafejo da sorte, mas por um destino pacientemente construído, desde as primeiras letras no Grupo Escolar Bernardino Monteiro (onde cursou o primário), até seu ingresso no Tribunal de Contas do Estado, do qual é o atual Presidente.

JOSÉ ANTÔNIO DO AMARAL, sempre foi aquele modesto perseguidor da própria realização pessoal, com o extremo cuidado de lutar por uma participação na vida pública do Estado, sem os riscos de mesmo inconscientemente prejudicar quem quer que seja. Por este motivo sempre chegou na hora certa, onde pretendia chegar, conquistando amizades e respeito fora de casa e no seio de sua família, onde nunca deixou de ser admirado pelos esforços desenvolvidos para nunca decepcionar os que sempre acreditaram nele.

Depois de ter feito o Ginásio no Colégio Pedro Palácios e no Liceu Muniz Freire, ambos de Cachoeiro do Itapemirim, foi cursar o científico no Instituto Lafayete, no Rio de Janeiro, após o que ingressou na Faculdade Fluminense de Medicina e Odontologia, em Niterói, ex-Capital do Estado do Rio de Janeiro, onde se formou na especialidade, tendo, em seguida, após três anos de estágio na Clínica Odontológica da Faculdade, saído para exercer suas funções na Policlínica Geral do Estado do Rio de Janeiro, aprovado que foi em concurso público.

JOSE ANTÔNIO DO AMARAL, afirma que sempre lhe causou profunda impressão, a seriedade como era encarado o sistema de ensino no Brasil, na época em que conviveu com professores que levavam mais a sério o "estudar" e "lecionar", destacando como paradigmas os seus professores Maria Rattes, José Xavier do Valle, Jocarly Chagas, José Elias de Queiroz, Inah Werneck, José Mozarth Medina de Mendonça, e Abigail Castro (Primário); Deusdeditt Baptista, Waldemar Mendes de Andrade, Aristeu Portugal Neves, Ozires Dias Lopes e Haley Pinheiro Monteiro (Secundário); Thomaz Corrêa, Alarico Freitas, Ney Cidade, Dr. Álvaro Alvim, Fernando Nogueira Pinto (Científico); Ernesto Saltes Cunha e Agripino Etter entre outros (Superior). Como destaque dos seus contemporâneos de lides estudantis, pode citar o nome de Gabriel Moyses, pelo muito que representou como inteligência fulgurante e inigualável espírito de coleguismo.

Três fatos marcaram a sua vida: o fim da Segunda Guerra Mundial, que se constituía num dos maiores flagelos para a Humanidade; a realização do Trigésimo Sexto Congresso Eucarístico Internacional, realizado na cidade do Rio de Janeiro, por ter sido a mais edificante demonstração de catolicidade jamais vista em terras americanas; a trasladação dos pracinhas brasileiros que tombaram mortos em defesa da Democracia em campos europeus, de PISTÓIA para o monumento edificado em sua memória, no Rio de Janeiro.

Profundamente sentimental, JOSÉ ANTÔNIO DO AMARAL, casou-se com a Sra. Júlia Moraes do Amaral, tendo com ela os seguintes filhos: Margarida Maria, José Antônio e Maria Teresa, com os quais tem vivido os momentos de maior felicidade, desde que o amor desabrochou para ele, como uma rosa que se abre, deixando escapar seu perfume em meio a sua beleza. Um amor que resistiu a tudo em quase meio século!

Não pode, entretanto, recordar sem conter as lágrimas de tristeza e saudade, a partida para a Eternidade de seus pais, Sebastião Gomes do Amaral e Euphrosina Gomes do Amaral, cuja vida dedicaram à agricultura, o que certamente influenciou o filho no futuro, a exercer por duas vezes a Secretaria de Agricultura do Estado, valendo-se da base que lhe foi transmitida por sua família.

JOSÉ ANTÔNIO DO AMARAL, considera ter sido muito bem preparado para encarar o mundo e a vida, não exitando em enfrentar os embates que o mundo e o meio profissional lhe haviam reservado. Lutou e pensa ter vencido.

Embora se considere um conservador inveterado, AMARAL, nunca foi um radical, tendo provado isto durante sua passagem pela vida política, quando sempre se mostrou liberal, aberto ao diálogo e capaz de recuar quando preciso, em respeito a um ponto de vista contrário, considerado por ele perfeitamente válido.

No campo profissional, quando lhe foi permitido desempenhar as suas atividades odontológicas, se realizou plenamente e, sem exagero, sempre foi bem distinguido nesta atividade. Aliada a sua missão como odontólogo, dedicou grande parte de sua vida à agropecuária, atividade esta que o fascina até os dias atuais. No lar, sua vida é de um cidadão comum. Vitórias e derrotas jamais lhe ocorreram que fossem dignas de registro especial. Sua existência, como a de qualquer cidadão da sua estirpe, é toda ela pontilhada de altos e baixos com maior incidência para aqueles. Considera-se, pois, um homem vitorioso em todos os sentidos. Pela família que tem, pelos amigos que desfruta e pela situação econômica que, embora não seja das mais invejáveis, lhe dá meios para subsistir razoavelmente.

Viver com honestidade, satisfazer as suas necessidades e a dos seus; poder socorrer aos mais carentes quando recorrem a ele, são em síntese os seus maiores objetivos no campo pessoal.

Sua filha Margarida Maria, casada com Ari Ramos, lhe deu os seguintes netos: Ana Letícia, Ana Paula e Hugo do Amaral Ramos. Seu filho José António, casado com Júlia Amélia Vervloet do Amaral, lhe deu dois netos: Juliana e Francisco Augusto. Finalmente, sua filha Maria Teresa, casada com José Augusto Ferreira, lhe deu os netos: Tatiana e Mariana.

Como filosofia de vida, JOSÉ ANTÔNIO DO AMARAL, adotou o seguinte lema: agir sempre com honestidade, perseguindo com afinco e denodo os objetivos a que se propôs, sem obstacular o avanço dos seus semelhantes que, assim como ele, também querem vencer na vida.

Lamentavelmente, diz ele, num mundo tão materializado como o nosso, chega-se a conclusão que, sem dinheiro quase tudo é impossível de ser alcançado. Formou-se uma filosofia de vida, hodiernamente, ligada ao "vil metal" que só tem status e "prestígio" os que o possuem. Inobstante discordar desta filosofia, é obrigado a reconhecê-la como a realidade atual. E que realidade...

Deixando para os outros a tarefa de julgá-lo uma personalidade de destaque na sociedade, JOSÉ ANTÔNIO DO AMARAL, diz que lutou com muita coragem e venceu! Se hoje ocupa um lugar de destaque na vida sócio-administrativa do seu Estado deve ter sido em função do reconhecimento dos seus amigos ao trabalho que iniciou de há muito. É grato a Deus por este reconhecimento e pede-lhe que continue a inspirá-lo para que possa permanecer nesta escalada!

Também reconhece que, no campo material, recebeu a ajuda de seus pais e de seus irmãos mais velhos que lhe legaram recursos que logrou bem aplicar e que lhe dão hoje certa tranquilidade econômica. Se fosse declinar nomes, apontaria os de Oscar Machado, médico-odontólogo, que foi para ele um pai na sua profissão, facultando-lhe todos os recursos de que necessitou para iniciar-se na vida odontológica; Benjamin Gonzaga, Antônio Barros Terra, Vinelli Baptista, Deoclécio Damas, Roberto Santos, Arlindo de Assis e J. Monteiro, dentre tantos outros mestres renomados que não se contentaram em apenas cumprirem as suas tarefas de magistério na escola, indo muito além, procurando forjar os profissionais do futuro. Em Cachoeiro do Itapemirim, já no campo da prática, muito deve a colegas como Cornélio Arruda, José Pinheiro Lucas, Carlos Costa, Francisco Penedo, Wilson Rezende, Elias Moysés, Nildo Pinheiro, Celino de Avelar Ribeiro, Valdelino Santos, Ephrain Volpatto, Orestes Moreira, Fernando Moscon, José Seraphin, A. Sarmento e tantos outros com os quais fundou o primeiro Diretório Odontológico da cidade, tendo sido indicado por eles para representá-los no primeiro Congresso Brasileiro de Odontologia Social realizado no Rio de Janeiro em 1951. No campo político administrativo, é de justiça que destaque os nomes dos ex-governadores Francisco Lacerda de Aguiar e Asdrúbal Soares, por o haverem distinguido com cargos importantes em suas administrações. Mostrando uma faceta do seu caráter, que é a honestidade, JOSÉ ANTÔNIO DO AMARAL, não nega ter sofrido influência intelectual e indaga: Quem não sofre este tipo de influência? Não seria eu a exceção. E confessa que no campo das letras, um Humberto de Campos transmite muitas inspirações. O seu estilo, suas sutilezas e a força que transmite nos seus escritos, são fatores que marcam os caracteres de todos quantos o lêem. E com AMARAL ocorreu isto. Foi realmente influenciado pelo referido escritor.

Aos que vão buscar no Exterior bagagem cultural ou simples instantes de lazer, JOSÉ ANTÔNIO DO AMARAL, diz: Quem nasce e vive num país como o Brasil, de tantas belezas e recursos naturais, só deve procurar conhecer outras plagas quando já tiver conhecido seu próprio País. Em que outra terra do universo iremos encontrar algo parecido com Gramado ou Canela, no Rio Grande do Sul; ou Caldas Novas em Goiás; ou Guarapari e Marataízes no Espírito Santo. E as maravilhas do Rio de Janeiro onde encontrarão competidores? Ele pretende conhecer mais o Brasil de tantos tesouros para só depois, se lhe sobrar tempo, procurar conhecer outras terras.

Tendo sido toda a sua vida um idealista, sempre olhou com carinho as gerações que terão a incumbência de dirigir os destinos do Brasil nas próximas décadas. JOSÉ ANTONIO DO AMARAL, fala na juventude brasileira com muito carinho e, diz, que sempre acreditou na pujança desta juventude e, por acreditar nela, é que se atreve a dizer-lhe que realmente o futuro deste País depende de Deus e sobremodo da maneira como ela se conduzirá nesta fase. Se o jovem souber se conduzir com acerto na adolescência, obviamente que, na fase adulta, saberá se comportar como um elemento útil a sua família, à sociedade e à Nação. Ante estas colocações, só tem uma mensagem a dirigir aos jovens: Que eles amem esta terra que lhes serviu de berço, contribuindo, cada um ao seu modo, para que ela venha a ser realmente o pais dos sonhos dos nossos antepassados.

JOSÉ ANTÔNIO DO AMARAL exerceu os seguintes cargos eletivos: Vereador à Câmara Municipal de Cachoeiro do Itapemirim (2° mais votado); Suplente de Deputado Estadual com diversas passagens pela Assembléia Legislativa do Estado; Candidato a Senador pelo antigo PTB — em 1958, quando alcançou a considerável votação de 69 mil sufrágios, ficando em 2° lugar naquele pleito; Membro ativo do Diretório Acadêmico da Faculdade de Odontologia; Vice-Presidente no exercício da Presidência do Caçadores Carnavalescos Clube de Cachoeiro do Itapemirim; Presidente da Liga Desportiva de Cachoeiro do Itapemirim; Sócio Fundador do Diretório Odontológico de Cachoeiro do Itapemirim. Foi Secretário de Estado da Agricultura por duas vezes; Secretário de Estado de Viação e Obras Públicas; Secretário de Estado da Fazenda (interino); Auditor do Tribunal de Contas do Estado; Ministro do Tribunal de Contas (atualmente conselheiro); Vice-Presidente do Tribunal da Contas, no ano de 1975, tendo assumido a Presidência durante 60 dias de férias do titular; Presidente do Tribunal de Contas do Estado em 1978 e 1980. Em 1978, na condição de Presidente do Tribunal de Contas do Estado, chefiou a delegação que compareceu ao ENCONTRO DE DIRIGENTES DOS TRIBUNAIS DE CONTAS DO BRASIL, em Goiânia — Estado de Goiás — tendo sido o Orador Oficial da Sessão de Instalação, ocasião em que falou em nome de todas as Cortes de Contas do País. Participou de vários simpósios, congressos e seminários.

A colaboração de JOSÉ ANTÔNIO DO AMARAL, como Secretário da Agricultura, foi inestimável para o desenvolvimento agropecuário do Espírito Santo, motivo porque é sempre lembrado com respeito e gratidão.

Ele recebeu os títulos de Cidadania outorgados pelas Câmaras Municipais de Vitória e de Guarapari.

Alguém disse que os ideais são como estrelas: tocá-los com as mãos não o conseguireis. Mas, como os navegantes no deserto dos oceanos, podeis escolhê-los como guias, e segui-los até alcançares vossa meta. Tudo indica que JOSÉ ANTÔNIO DO AMARAL conseguiu isto e alcançou todas as suas metas.

 

Fonte: Personalidades do Espírito Santo. Vitória – ES. 1980
Produção: Maria Nilce
Texto: Djalma Juarez Magalhães
Fotos: Antonio Moreira
Capa: Propaganda Objetiva
Compilação: Walter de Aguiar Filho, agosto/2020

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