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Laerce Bernardes Machado

Laerce Bernardes Machado

Tudo que ocorre em torno de nos, nos lugares, em nossa época, torna-se propriedade de posteridade. A História simplesmente não existiria, se não se formasse na nascente do rio das vivencias humanas, em sua marcha contínua para o oceano da Eternidade. Somos permanentemente parte desta História e, seus personagens procurando sempre nos situar de maneira mais honesta possível, pelo que irão falar de nós no futuro os inevitáveis julgadores e avaliadores da nossa vida e da nossa obra.

Todo homem procura, com o seu trabalho, elevar o lugar onde vive, razão por que Calderon disse que “não é o lugar que eleva o homem; é o homem que eleva o lugar".

LAERCE BERNARDES MACHADO, pode-se dizer, confirma este conceito, não se tendo deixado elevar pelo lugar onde vive, mas elevando-o de todas as formas e maneiras, sempre que pode e lhe é possível.

A História de um Homem é sempre algo interessante de se saber e de se conhecer. Através dela podemos adquirir novos conceitos e enriquecer as nossas próprias experiências.

LAERCE MACHADO, nasceu em Mascarenhas, Município de Baixo Guandu, no dia 16 de abril de 1940, filho de Lauro Soares Machado, comerciante e Núbia de Alcântara Machado, funcionária federal.

Concluiu em 1957 o curso ginasial, no colégio Pan-Americano, tendo cursado o científico no Colégio Arte e Instrução do Rio de Janeiro em 1960. Formou-se em Engenharia Civil, em 1968, na Escola Politécnica da UFES. Fez diversos cursos de especialização, tendo integrado os quadros do Departamento de Edificações e Obras do Espírito Santo (DEO), na função de Engenheiro.

Viveu sua infância na Vila de Mascarenhas, sob os rigores da criação interiorana. Desde cedo, manteve bom relacionamento com amigos, vizinhos e familiares, seguindo a união da família como mandava a tradição em torno e sob a liderança do Patriarca. A juventude viveu-a até os 16 anos no internato do Colégio Pan-Americano quando concluiu o ginasial, participando do grêmio e lideranças estudantis. Já naquela época, LAERCE BERNARDES MACHADO, gostava de ouvir e respeitar os conceitos e opiniões dos colegas, motivo por que veio a se destacar como líder do seu grupo quando estudava no Colégio Pan-Americano, teve que se transferir para o Colégio Estadual do Espírito Santo por ter participado da elaboração do jornal “A PULGA” que circulava clandestinamente e mais tarde descoberto pelo Diretor o ilustre educador Dr. Alberto Stange Júnior.

Apesar da preparação para o curso de Engenharia e vocação para as Ciências Exatas sempre apreciou a leitura e aspectos de cultura geral. Ele acha que antigamente a juventude se dedicava mais à Arte, freqüentavam-se teatros, bibliotecas, estudava-se literatura e poesias. Os estudantes de engenharia eram detentores de uma cultura geral razoável. A tendência para a especialização ocasionou uma modificação radical nos padrões intelectuais, cultivando-se a ideia de que engenheiro não precisa saber português, história e língua. Brutalizou-se o ensino sacrificando-se a cultura. E comenta para consigo mesmo: "Eis os tempos modernos, que saudade dos antigos...”

Aos 18 anos quando terminou o 2° ano do curso científico resolveu parar os estudos e trabalhar, sendo contratado como Faturista da Remington Rand do Brasil. Interrogado a respeito de sua decisão, pela Sra. Ilda Guedes, amiga de família, justificou sua desilusão com os estudos, sendo incentivado por ela a prossegui-los o que resultou na sua preparação para o vestibular.

Em 1959, LAERCE BERNARDES MACHADO, jovem estudante do Centro de Pesquisas Físicas e Matemáticas do Rio de Janeiro destacava-se como professor de matemática da vários cursinhos Pré-Vestibulares do Rio de Janeiro quando seu pai veio a falecer em Vitória, ocasionando a interrupção dos estudos de matemática e obrigando-o a transferir-se para Vitória onde assumiu as responsabilidades dos negócios da família. Ingressou mais tarde na Escola de Engenharia e aos 21 anos, já se consagrara como renomado professor de matemática dos colégios Americano, Estadual e São Vicente.

Nesta época fundou o "Curso Sorbone" especializado na preparação de candidatos ao Banco do Brasil. Hoje o “Sorbone" chama-se "Promove Mackenzie", após várias fusões.

A perda do pai foi, sem dúvida, um duro golpe na memória e na sua carreira de jovem estudante.

Casou-se com a Sra. Maria da Penha Correia Machado, cultivando um grande afeto e profundo amor, nascendo desta mistura de sentimentos positivos, o seu filho que veio modificar bastante a vida e os hábitos de família.

A transferência do Rio para Mascarenhas, em Baixo Guandu aos 21 anos, foi, sem dúvida uma realidade cruel e uma experiência dolorosa. O sonho de estudante e a realidade do mundo dos negócios e a luta pela sobrevivência atingiram LAERCE em vários sentidos. Mas ele nunca se revoltou nem desanimou. Depois de seis meses no interior, transferiu-se com toda a família para Vitória e, somente 17 anos depois, voltou a terra onde nasceu como visitante.

O início de sua vida, quando se viu diante do mundo e de suas consequências, foi difícil e penoso. A herança era a filosofia do pai que dizia não deixar bens materiais para os filhos mas deixava a educação. E ao morrer lamentou num dos últimos encontros que teve com LAERCE, não "poder vê-los formados". Eram ao todo seis filhos e todos se formaram.

Durante seu tempo de estudante, LAERCE BERNARES MACHADO, fez grandes e saudosos amigos, espalhados hoje pelo País inteiro, sendo para ele uma grande alegria o reencontro com qualquer um deles.

É professor e educador (Diretor de Colégio) há 20 anos. Tem uma formação magisterial da qual se orgulha justificadamente. Sente-se perfeitamente gratificado por ter contribuído para a formação de mais de 10.000 jovens estudantes. Como Engenheiro, foi responsável direto ou indireto pela construção de mais de 1.000 obras públicas e particulares. Atualmente é Diretor do Instituto Tecnológico Mackenzie, ligado ao Curso Promove Mackenzie.

Como Secretário Municipal de Obras encontrou uma Cidade desprotegida pelo obsoletismo da Legislação e abandonada pela ação das autoridades que não acreditavam nos dirigentes municipais. Conseguiu restaurar o respeito e lutou muito pela atualização das leis de uso do solo. Proferiu conferências e instaurou debates a respeito da cidade criando um estado de espírito favorável à preservação dos valores tradicionais da nossa Capital.

A família, sua mulher Maria da Penha e seu filho Laerce Bernardes Machado Júnior, são as grandes razões de seu trabalho e de sua luta pela vida. Sempre leva para o seio do lar o espírito de fraternidade e de compreensão, o respeito ao individualismo e o companheirismo de todos ajuda-o a formar um conjunto de relacionamento perfeito e normal.

Para ele nunca houve derrotas propriamente ditas nem vitórias na expansão da palavra. A vida inteira se organizou e planificou os resultados sempre foram favoráveis e satisfatórios.

Ama a vida e os cidadãos de sua Cidade, de seu bairro, de seu trabalho. É um homem feliz e todos são muito importantes para ele. A sua filosofia de vida é amor ao trabalho, o cultivo da inteligência e o respeito às leis do seu País.

Sua análise a respeito da importância de ter ou não dinheiro é o seguinte: o regime é capitalista e a sociedade é de consumo. É mais importante aquele que puder adquirir o supérfluo e isto custa dinheiro. Então dinheiro é sinônimo de status. Quem tem dinheiro tem status porque pode adquirir a lancha, o carro, a casa, o avião etc. Entretanto não acho que o dinheiro obrigatoriamente dá prestígio. Pode-se ter prestígio sem dinheiro, mas este sempre oferece status. Dinheiro dará status, mas nem sempre dará prestígio, enquanto a sociedade for de consumo.

LAERCE MACHADO, sempre se destacou pela inteligência em tudo que realizou até hoje. No colégio, no trabalho, na profissão, no comércio. Nas chefias que ocupou sempre gozou do respeito de todos os que conviveram com ele. Assume com responsabilidade o seu trabalho, ouve tudo, respeita as opiniões e acata as boa ideias. É um homem de conjunto. A escalada em sua vida começou com o reconhecimento dos que participaram com ele em qualquer trabalho que realizou. Os seus amigos e colegas o reconhecem pela inteligência. O dinheiro foi uma consequência natural. No início, quando da fundação do Curso Sorbone, as dificuldades eram inúmeras. A herança filosófica, era a do pai, a educação dada. A Cidade era pequena e existiam as organizações tradicionais de ensino. A disputa de uma fatia do mercado e a necessidade de afirmação como educador foi longa e penosa. Hoje sente-se compensado financeiramente. O patrimônio adquirido já permite uma vida tranquila financeiramente.

Sempre apreciou a leitura e, em especial a literatura brasileira e portuguesa, sem deixar-se influenciar por esta ou aquela corrente literária. Aprecia os clássicos de literatura.

Conhece Israel, Estados Unidos, Uruguai e Paraguai. A comparação da sociedade brasileira e americana sempre representa um fenômeno de comparação, observa LAERCE. Isto, por ser a nação americana a maior civilização do mundo. Israel é um estado organizado e orgulhoso de sua existência. O patriotismo é invejável.

Sempre que pode, transmite aos jovens, a necessidade de lutarem pela preservação do meio ambiente em que vivemos. Coube à sua geração o despertar para os problemas ecológicos do País e a ele especialmente, como Secretário Municipal de Obras, a responsabilidade de lutar pela preservação do nosso meio ambiente. Isto ele tem feito com afinco e dedicação e a todos que o sucederem faz um apelo em defesa das gerações futuras e do futuro de Vitória. Se permitirmos que os valores naturais continuem a ser depredados pelo homem, o prejuízo será irreversível. Compete, pois, às gerações futuras a manutenção deste trabalho estafante e às vezes inglório, mas necessário.

LAERCE BERNARDES MACHADO, jamais deixou de oferecer solução para todos os problemas. Sintetizou tudo que fez adotando as soluções mais simples. Construiu em quatro meses e meio o Terminal Rodoviário de Vitória, numa época em que choveu 37 dias ininterruptamente. Nesta ocasião demonstrou sua capacidade de improvisação e perseverança. Quando todos haviam desistido de concluir a obra, ele apresentava sempre uma alternativa e elevava o ânimo geral. Acreditou em tudo que fez na vida, com honestidade acima de tudo.

É membro permanente da Comissão para Estudo da Poluição da Orla Marítima do Espírito Santo; Membro do Corpo de Colaboradores dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG); Membro da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes do DEO; Conselheiro Efetivo do CREA da 11ª Região; Membro do Conselho Estadual de Edificações e Obras; Membro do Conselho de Administração da COHAB; Membro do Conselho Estadual de Processamento de Dados e Técnicas Operacionais DEPDTO; Presidente do Grupo de Trabalho que fixou critérios de reajustamento de preços nos Contratos de Obras e Serviços e Membro do Conselho Estadual de Educação.

 

Fonte: Personalidades do Espírito Santo. Vitória – ES. 1980
Produção: Maria Nilce
Texto: Djalma Juarez Magalhães
Fotos: Antonio Moreira
Capa: Propaganda Objetiva
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2020

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