Morro do Moreno: Desde 1535
Site: Divulgando há 16 anos Cultura e História Capixaba

Livro Krikati é adotado em escolas

O Centro Educacional Michelângelo, localizado na Glória, é a primeira escola a adotar o livro Krikati, Tio Clê e o Morro do Moreno, do autor Walter de Aguiar Filho, em atividades paradidádicas.

O livro é infanto-juvenil e deverá ser adotado por alunos da 4ª série, que estudam a história do ES. O livro é uma aventura que mistura um personagem fictício (Krikati), com outros dois reais, Clementino de Barcellos (Tio Clê) e Miguel de Aguiar (Tio Miguel), que era o proprietário do Morro do Moreno. A história se passa em Vila Velha da década de 20, e em meio a aventura, os personagens circulam pela cidade, contando a história de vários pontos turísticos, como o Convento da Penha, Igreja do Rosário e claro, o Morro do Moreno.

Confira um capítulo do livro:

Capítulo 4

Sesmaria da Fazenda da Costa

Na saída da Igreja do Rosário, já do lado de fora, na porta principal, em frente à Praça da Bandeira, via-se as palmeiras, tendo ao fundo a Prainha, as embarcações ancoradas e o movimento dos pescadores preparando toda a tralha de pesca para partirem para mais um dia de trabalho.

– Tio Miguel, por que essas palmeiras são chamadas palmeiras imperiais?

– Krikati, todas as árvores dessa espécie existentes no Brasil são de sementes plantadas pelo Príncipe D. João VI, filho da Rainha D. Maria I. Era o Período Colonial, época em que o Brasil era colônia de Portugal. 

– E o que significava o Brasil ser colônia de Portugal?

– O Brasil era governado pelo Rei, lá de Portugal. Depois veio o período Provincial, e o País passou a ser governado pelo Rei aqui no Brasil. Dom Pedro I foi quem proclamou a nossa Independência. O Brasil passou a ser Império e as Capitanias receberam o nome de províncias. Depois veio o regime Republicano. Foi o Marechal Deodoro da Fonseca, em 15 de novembro de 1889, quem proclamou a República.

– Tio Clê, sei que estou perguntando demais, mas é por que sou curioso e gosto de aprender.

– Pode ficar à vontade, Krikati. Realizar um esforço extra querendo aprender é como comprar uma apólice de seguro que lhe garanta o futuro.

– Tio Miguel, Tio Clê me disse que o senhor é o dono do Morro do Moreno. É verdade?

– Sim, Krikati, eu comprei esse Morro, sede da antiga Fazenda de Vasco Fernandes Coutinho, em 1929, de Angelina Martins da Silva Leal, minha prima. Ela, filha única, herdou de seu pai Inácio Martins de Jesus Leal, que em 1893, tinha comprado de Delphim Antônio Pereira. Esse, por sua vez, em 1856, havia adquirido de Victoria Clara dos Reis. 

– E Victoria, comprou de quem? – indagou Krikati.

– Victoria, junto com seu irmão João de Freitas Magalhães, possuía um documento paroquial assinado na presença do Vigário Miceslau Ferreira Lopes Wanzeller. Sabe, Krikati, naquela época, não existiam cartórios. Era a Igreja que fazia os registros. O documento dizia assim: “A ‘Sesmaria da Fazenda da Costa’ possui três léguas de extensão e uma ao fundo, principiando no Morro do Moreno até o Rio Jucu, onde tem um marco, confrontando em todo comprimento das três léguas com o mar pelo leste e na légua de largura pelo oeste”. Esse documento é que deu a Victoria e a seu irmão a posse dessas terras. Ele é o mais antigo que conheço.

– Tio Miguel, o que é uma sesmaria e quanto mede uma légua?

– São terras que os Reis de Portugal distribuíam aos colonos ou cultivadores. A légua marítima portuguesa mede 5.920 metros. Observe depois que chegarmos ao pico do Morro do Moreno, que se você traçar uma reta imaginária de lá até a Pedra da Concha, onde desemboca o Rio Jucu, a distância é de aproximadamente 18 km que equivalem as três léguas de comprimento ditas no documento.

– Existiram outras sesmarias?

– Sim, Krikati, além da Ilha de Santo Antônio, onde hoje está a nossa Capital, a Ilha do Boi que o Donatário concedeu a Jorge de Menezes; a Ilha do Frade, a Valentim Nunes; e a Pedro Silveira, terras no município de Itapemirim. 

Tio Clê entrou na conversa e sugeriu:

– Então, Miguel, vamos seguir para as Timbebas, pois temos uma longa jornada pela frente.

Os três desceram a escadaria da Igreja. Miguel prestou atenção na curiosidade em que Krikati observava um galpão enorme localizado à esquerda na rua São Bento.

– Krikati, naquele galpão, o senhor Henrique Meyerfreund fabrica balas. - contou Miguel. Clê, com certeza, fará uma surpresa para você mais tarde.

– Oba!!! – Exclamou Krikati, perguntando em seguida, como ele bolou esse negócio.

– Krikati, vou lhe contar como foi o doce sonho do senhor Meyerfreund, dono da Fábrica de Balas Garoto. Tudo começou quando ele chegou ao Espírito Santo, vindo da Alemanha, e ficou doente, tendo que ser internado devido à malária. O dono de uma torrefação de café, senhor Meyer, também de origem alemã, soube do ocorrido e convidou o senhor Henrique para se recuperar em sua casa. Depois que ele melhorou, começou a trabalhar na torrefação com o amigo. Em seguida, viajou para a Alemanha, fez vários cursos aprimorando seus conhecimentos, e, após seu retorno, em 1929, inaugurou a fábrica de balas.

O sol já vinha saindo, soprava uma brisa suave que embalava quase imperceptivelmente as palhas secas penduradas das doze palmeiras, seis de cada lado, enfileiradas no largo logo após a Praça da Bandeira. No Cais dos Padres, localizado em frente ao portão do Convento da Penha, estava ancorado o bote de Miguel. Tomaram a direita e logo chegaram. Deixaram seus mantimentos no deck e foram rezar na gruta onde morou Frei Pedro Palácios, em frente ao cais. Antes de partirem, Tio Clê, com um cantil na mão, sugeriu:

– Miguel, que tal levarmos água de Pá-Bubu, conhecida também como Fonte dos Frades, para a viagem?

– Lógico, Clê, a água dessa fonte e também a do Poço do Amorim, lá em Inhoá, são rejuvenescedoras.

Lá no bote, Krikati questionou:

– Qual é o caminho, Tio Miguel?

– Vamos costeando o Morro da Ucharia e a Praia de Piratininga, até chegarmos na Barrinha, onde o Rio da Costa desemboca no mar, no local onde a expedição da Nau Capitânia Glória, de Vasco Fernandes Coutinho, acampara pela primeira vez, construindo a primeira paliçada contra os índios. De lá, seguiremos até a Lagoa Feia, de onde em seguida, por uma trilha na mata, chegaremos ao Pico do Morro do Moreno.

Links Relacionados:

>> Fotos do Coquetel de Lançamento do Livro Krikati, Tio Clê e o Morro do Moreno.
>> Entrevista com Walter de Aguiar Filho, autor do livro Krikati, Tio Clê e o Morro do Moreno.
>> Fotos do lançamento do livro na Tenda da Cultura, em Itapoã, em jan/2007.



GALERIA:

📷
📷


Literatura e Crônicas

Cachoeiro na obra do cronista Rubem Braga

Cachoeiro na obra do cronista Rubem Braga

O tão caudaloso Rio Itapemirim; o cachorro que tinha até o sobrenome Braga; os pios produzidos na Fábrica Maurílio Coelho; o quintal da casa da Rua 25 de Março, o velho pé de fruta-pão.

Pesquisa

Facebook

Leia Mais

Identidade Capixaba, o efeito mosaico – Por Gilbert Chaudanne

Essa identidade consiste em juntar as pastilhas do mosaico capixaba e fundi-las num espelho que vai refletir um rosto único e imensamente rico e diverso

Ver Artigo
Nós os capixabas – Por Francisco Aurélio Ribeiro

Se temos um linguajar próprio? Ditongamos muito, daí os "bandeija, carangueijo" do nosso dialeto; já ouvi até menino gritar "A Gazeita!!"

Ver Artigo
A casa azulejada da Serra e os Barboza Leão – Por Elmo Elton

A Serra era então cognominada, pelo número de seus escritores e artistas, a Atenas espírito-santense

Ver Artigo
O Zorro e a Odalisca – Por Jovany Sales Rey

Tem milagre que só dá para contar falseando o nome dos santos, principalmente quando eles ainda estão vivos e vigorosos o bastante para quebrarem suas bengalas na minha cabeça. No entanto, mesmo que tivessem morrido, não me arriscaria a identificá-los

Ver Artigo
Os “Grandes Coisas” - Por Hélio de Oliveira Santos

Esta estória passou-se há uns 30 anos atrás. Estava meu irmão Alberto, o Atila Bezerra  que já foi Ministro da Fazenda, e se não me falha a memória também o nosso Asdrubal Soares

Ver Artigo