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Marcílio Toledo Machado

Marcílio Toledo Machado

Os tênues raios de sol batem carinhosamente sobre o Itabira e sua sombra se projeta para a várzea adormecida. Mais além o rio Itapemirim serpenteia suavemente suas águas sobre um amontoado de pedras. Um apito de trem explode no ar acordando a cidade sonolenta que então começa a abrir suas primeiras portas e janelas. Cheiro irresistível de pão quente feito na hora. Cachoeiro de ltapemirim! Terra de lendas, de pioneirismo, de poetas famosos como Benjamin Silva que imortalizou em versos o indescritível "Frade e a Freira". Berço de notáveis cantadores como Roberto Carlos, um dentre os milhares de cachoeirenses ausentes que estão sempre voltando. Ilha da Luz, relicário dos tempos saudosos em que Cachoeiro era centro caprichoso de tantos encantos e de serestas, de festas inesquecíveis no Caçadores Carnavalescos Clube, que a atual juventude lamentavelmente jamais conhecerá.

Neste ambiente tão raro e tão impregnado de magia, nasceu MARCÍLIO TOLEDO MACHADO, no dia 15 de fevereiro de 1928. Filho de Theotônio Santos Machado e Derly Toledo Machado. Cursou o primeiro grau no Grupo Escolar Bernardino Monteiro, tendo feito em seguida o secundário na Escola de Comércio de Cachoeiro de ltapemirim. Foi aluno do curso superior na UFES onde se formou em Direito, possuindo ainda o Diploma de Contador.

Um homem extremamente gentil e simpático, um verdadeiro cavalheiro à moda dos tempos de sua mocidade, MARCÍLIO TOLEDO MACHADO é destas figuras humanas que trazem de berço o respeito e a consciência pelos misteres do dever e do serviço à causa do próximo. Não é à toa que ele se refira sempre com muito carinho aos pais e aos avós, que tanto lutaram para educar seus filhos. Ele despertou para a vida ainda sob os efeitos da recessão de 1929 e restos da Revolução de 1930. Seu pai estava entre os que pertenciam ao partido derrotado. De todos os seus bens, ficou-lhe apenas a cultura adquirida com professores trazidos do Rio de Janeiro, à fazenda de seu avô, que garantiu o futuro dos netos.

Não obstante, ele se recorda com saudade, sua infância e juventude marcadas pelas lutas da família para educá-los e prepará-los para a vida. Seu avô possuía vasta extensão de terras em Castelo, Cachoeira de Itapemirim, que naquela época, eram um só Município. A fazenda possuía escravos e explorava açúcar e café. Seu pai foi casado, em primeiras núpcias, com uma filha do Barão de Guandu.

Dentro de sua simplicidade comenta MARCILIO TOLEDO MACHADO: "O amor tem muitas vidas. A vida tem muitos amores. Não sei. O primeiro amor, insubstituível, é o dos pais. Qual a criança que admite a hipótese de perder os pais? Depois, a primeira namorada? Aparentemente suplanta a tudo. Depois os filhos, um sentimento muito forte. Qual deles a seu tempo foi o maior? Duvido que alguém possa responder. Recordo que meu pai disse para meu irmão mais velho quando lhe nasceu o primeiro filho: "Agora sim, você vai ter uma idéia de quanto gosto de você".

MARCILIO iniciou sua vida trabalhando aos quinze anos de idade. A Segunda Grande Guerra estava no auge da indefinição. Ano de 1943 — no Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais. Início de carreira, continuo interno, como era chamado na época. Pouco tempo depois passou à categoria de Escriturário. Deixou a carreira bancária cinco anos mais tarde, em Vitória, como Contador do Banco Industrial Brasileiro, situado na esquina da Avenida República com Florentino Ávidos. Nunca se sentiu só, por isto jamais teve que enfrentar o mundo sozinho. As dificuldades, por maiores que sejam, sempre trazem em si indícios de alternativas, se não para superá-las pelo menos para contorná-las.

Talvez a sua grande paixão seja uma propriedade de pecuária de leite, onde passa religiosamente seus fins-de-semana. Pequena, cento e poucos hectares, originalmente adquirida com o objetivo de vir a se tornar uma espécie de complementação da aposentadoria, é na realidade onde tem a oportunidade de experimentar por conta própria todas aquelas vocações que nos passaram um dia pela cabeça, desde zootécnica, engenharia hidráulica, mecânica, botânica, veterinária, até algumas incursões de emergência em enfermagem.

Casado com a Sra. Laura Rodrigues Machado, o atual Presidente do BANDES relaciona seus filhos: Marcelo e Marcílio, gêmeos, engenheiros civil e elétrico respectivamente; Antônio Augusto, acadêmico de engenharia mecânica; Luciano, acadêmico de direito; Ludmila, terminando o segundo grau faz ballet.

Falando sobre sua personalidade otimista, MARCILIO TOLEDO MACHADO acha que a adoção deste comportamento operou uma grande transformação em sua vida para melhor e diz, que a leitura dos ensinamentos do Dr. Pangloss, do Candido de Voltaire, foi a responsável por isto.

Da mesma forma ele acredita que é preciso primeiro se ter êxito na vida para então se chegar a ter dinheiro. Então, comenta: "Alexandre Herculano, comparando as mutações de uma cidade milenar com a sociedade da época que descrevia, dizia que a geração atual é o resultado e a consequência das gerações que a precederam". Assim, também, entende que a pessoa de destaque hoje, o profissional, é o resultado das experiências e convivências por que passou. Acha que o ponto de partida para a situação atual foi o cargo que teve de Secretário Executivo do GERES, exercido de 1970 a 1974, que se seguiu aos cargos de Diretor Administrativo e Financeiro da COMDUSA, Diretor nas empresas do Grupo Tristão. Porém, nada disto teria ocorrido, nem teria sido possível, sem a sua passagem inicial como contínuo de Banco, contador, advogado militante, consultor de empresas, diretor de Hotel no Rio de Janeiro e outros. E prova a imensa bagagem profissional que possui com o dossiê de comprovação de aposentadoria no INPS, pelo seu volume merecem a comparação, feita por um funcionário de lá, com os antigos funcionários do IAPETC (motoristas profissionais). Mas ele ainda acrescenta a esta filosofia, a necessidade de se ter um pouco de sorte. Muitas pessoas com muito mais atributos ficam no meio do caminho por falta justamente deste elemento: o fator sorte.

MARCILIO acredita ter sofrido influência intelectual do pai, conhecedor profundo de matemática superior (estudou na Escola Politécnica do Rio) e dominava bem o português, tendo chegado a escrever muitos artigos além de lecionar, falando fluentemente o francês. O Presidente do BANDES diz estas coisas com certo carinho, mostrando que, realmente a personalidade forte do pai deixou traços profundos que impregnaram a sua alma e o fizeram um homem de bem.

Fugindo à rotina das pessoas que viajam pelo mundo, MARCÍLIO TOLEDO MACHADO se refere às suas andanças dizendo que de cada país ele poderia fazer um destaque especial, mas o encontro com os testemunhos históricos oferece sempre uma reação particular. Na Inglaterra ele destaca o Museu das Armas Medievais, no Castelo de Windsor; na França, o reencontro com o Centro Mundial Exportador da Cultura Ocidental até os anos que precederam a II Grande Guerra e serviram de paradigma às primeiras lições de sua vida; na Itália e Turquia, as ruínas da civilização romana, base da cultura jurídica de nossos dias. Lá principalmente em Efeso, na Turquia, onde o Município Romano está quase intacto, teve a sensação de estar às voltas com as aulas de direito romano; A Grécia levou-o a um passado mais distante ainda, e ao contemplar a estátua de bronze de Poseidon, com mais de 4.000 anos, recordou-se do fato que, após este tempo, não somos tão formidáveis assim.

MARCÍLIO TOLEDO MACHADO é membro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), inscrito na seção do Espírito Santo sob o n° 1.367, sendo também Membro do Conselho Regional de Contadores, inscrito na Seccional do nosso Estado, na categoria de Contador (nível superior) sob o n° 1.424, tendo exercido diversas funções públicas e privadas, entre as quais se destaca a Diretoria da Holding Tristão, exercendo ainda os seguintes cargos: Diretor da Real S/A — Comércio, Importação e Exportação, Diretor da Vitória Diesel S/A, Diretor da Tristão Agropecuária Ltda., Membro do Conselho Consultivo da Exportadora Vitória de Café S/A — VICAFÉ, Membro do Conselho Fiscal da BANESTES — Distribuidora de Títulos e Valores S/A, tendo conhecimento dos seguintes idiomas estrangeiros: Inglês (fala e entende), Francês (lê e entende) e Espanhol (lê e entende). Teve as seguintes missões no Exterior: Em Montevidéu, Milão, Turim, Stambul e Ancara. Esteve na Argentina, Uruguai, Paraguai, França, Inglaterra, Holanda, Itália, Portugal, Espanha, Alemanha, Áustria, Suíça, Grécia e Turquia. É filiado às seguintes entidades sociais: Praia Tênis Clube; Clube Ítalo-Brasileiro; late Clube de Marataízes; Jaraguá Tênis Clube, Rotary Clube do Brasil (Ex-Membro).

Entendemos que, o mesmo orgulho que MARCILIO TOLEDO MACHADO sente de Cachoeiro de Itapemirim, sua terra natal, a cidade deve sentir deste seu filho, modesto, simples, humano, voltado sempre para as coisas boas do mundo, esperando a cada instante a oportunidade de ser útil.

Colocaríamos em seu peito a medalha da sinceridade, dizendo-lhe estas palavras: "O coração do homem de luta é como o cardo do deserto, que desafia o sol durante o dia, mas pede o orvalho durante a noite. A companheira que lhe convém é aquela que ainda sabe chorar..."

 

Fonte: Personalidades do Espírito Santo. Vitória – ES. 1980
Produção: Maria Nilce
Texto: Djalma Juarez Magalhães
Fotos: Antonio Moreira
Capa: Propaganda Objetiva
Compilação: Walter de Aguiar Filho, setembro/2020

Personalidades Capixabas

Giovanni Modenesi

Giovanni Modenesi

“Seu Joaninho” nasceu na localidade de Taquara-Açu (Ibiraçu), em 29/5/1901, filho de um casal de imigrantes italianos.Em princípios do ano de 1922, casou-se na Igreja de Ibiraçu, com Tereza Dal Piero Modenesi, também filha de italianos imigrantes. O casamento gerou sete homens e uma mulher

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